O presidente Lula (PT) define o tarifaço imposto pelo governo Donald Trump sobre produtos brasileiros , como um “erro estratégico”, em artigo publicado no jornal The Washington Post. No texto, ele destaca a disposição do Brasil para o diálogo, mas pondera que decisões unilaterais podem prejudicar tanto os Estados Unidos quanto a relação bilateral.
“Tentativas de impor amarras ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não se sustentam. Nunca antes um secretário de Estado norte-americano havia qualificado o Brasil como um país não-amigo. Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras”, escreveu o petista.
A publicação do artigo ocorreu um dia após o governo brasileiro negar vistos a dois integrantes do governo de Donald Trump que pretendiam atuar como observadores internacionais das eleições brasileiras.
A outra importante manifestação neste final de semana contra ofensivas da extrema direita no continente que buscam interferir nas eleições de outubro foi uma resposta ao pronunciamento de uma série de ofensas por parte do presidente da Argentina, Javier Milei. O líder argentino esteve presente no lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, neste sábado (25). As falas foram endereçadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
O Itamaraty convocou o embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli, para consultas. Bitelli deve chegar a Brasília entre a noite deste domingo (26) e a madrugada de segunda-feira (27), segundo informações da Agência Brasil.
O gesto da diplomacia brasileira é interpretado como um sinal de agravamento da tensão nas relações entre os dois países.
Ainda no sábado, o presidente da Corte, Edson Fachin, já havia repudiado as declarações em nota, saindo em defesa de Moraes. “Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”, afirmou Fachin.
