A Federação Psol-Rede oficializou, neste sábado (25), as nominatas para as eleições deste ano no Distrito Federal e transformou a convenção realizada na Câmara Legislativa do DF (CLDF) em um palco de oposição direta ao grupo político da governadora Celina Leão (PP). Além de formalizar o apoio à candidatura de Leandro Grass (PT) ao Governo do Distrito Federal (GDF), o encontro consolidou uma estratégia de enfrentamento ao governo local tendo como principais eixos a crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB), o sucateamento dos serviços públicos e o avanço da extrema direita na capital.
A convenção também confirmou a indicação de Tetê Monteiro (Psol) como candidata a vice-governadora na chapa de Grass. Para o Senado, a federação confirmou apoio às candidaturas de Leila Barros (PDT), que busca a reeleição, e da deputada federal Érika Kokay (PT). A presidente do Psol no DF, Giulia Tadini, foi indicada como primeira suplente de Kokay.
O tom das falas foi de denúncia contra o que as lideranças chamaram de “arruinamento” do Distrito Federal. Fábio Felix, deputado distrital e candidato à Câmara Federal, destacou a responsabilidade da atual governadora na crise financeira que atinge o Banco de Brasília (BRB) e sua relação com o Banco Master.
“Um governador e uma equipe de gestão que praticamente assaltaram a mão armada o banco público do Distrito Federal. A gente não pode deixar esse grupo político assumir o governo do DF. Ela é parte do mesmo grupo político que afundou o Distrito Federal e tem que ser derrotada nas urnas deste ano”, afirmou.
O parlamentar também afirmou que a população mais pobre poderá arcar com os impactos da crise caso as investigações não avancem. “Nós queremos que essa investigação chegue às últimas consequências, porque a gente sabe da responsabilidade política desse grupo que governa o Distrito Federal. E quem eles querem que pague a conta, é o povo pobre e periférico dessa cidade”, denunciou.
BRB e serviços públicos
As críticas foram reforçadas pelo deputado distrital Max Maciel (Psol), que disputará a reeleição na CLDF. Em sua fala, o parlamentar relacionou a situação do banco ao estado dos serviços públicos e afirmou que os problemas enfrentados pela população decorrem de um projeto político.
“Eles estão há oito anos saqueando o banco público, matando as pessoas por negócio na saúde. Nós temos que esfregar na cara da nossa população que se não tem transporte de qualidade, foi um projeto político. Se as pessoas estão morrendo no hospital, é por projeto político. Se não temos dignidade, respeito nos territórios, também é por um projeto político”, afirmou o parlamentar.
Para Maciel, a eleição representa uma disputa sobre qual projeto deverá conduzir Brasília pelos próximos anos. “Esse projeto político quer se perpetuar nessa cidade como um negócio e nós não vamos deixar”, defendeu.
O avanço da extrema direita no Distrito Federal também foi tratado como um dos principais desafios da campanha. Fábio Felix afirmou que o bolsonarismo consolidou uma base política na capital e criticou a possível candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao Senado.
“O bolsonarismo cresceu, ele tem redes espalhadas pelo DF, como a candidatura da ex-primeira-dama, que ninguém sabe se vai sair como candidata, que apesar de ser nascida aqui, não tem conexão com esse território, mas é parte da distribuição de cargos dessa família pelo Brasil”, destacou.
Para o deputado, derrotar o campo bolsonarista será uma condição para alterar a correlação de forças na política local. “Nós temos a obrigação de derrotar a Michelle Bolsonaro e eleger a nossa senadora. Para mudar a cidade, é preciso também disputar o poder, disputar o governo do Distrito Federal”, completou.

Protagonismo feminino
Indicada para compor a chapa ao lado de Leandro Grass, Tetê Monteiro ressaltou que o projeto da federação é construído coletivamente e que Brasília precisa sair das “páginas policiais”. Ela enfatizou a importância de retomar a cidade como referência em educação e cultura, rompendo com escândalos de corrupção.
“Nós vamos eleger o Leandro Grass governador do Distrito Federal, porque Brasília tem que sair da página policial, tem que sair da sua relação com o Banco Master, e tem que ser referência na saúde, na educação, na cultura. É com esses que nós vamos ganhar”, afirmou.

A porta-voz da Rede no DF, Bruna Paola, destacou que a nominata da federação é composta majoritariamente por mulheres e afirmou que a participação feminina não foi construída apenas para atender às regras eleitorais. “Enquanto muitos partidos estão buscando mulheres nas vésperas do processo eleitoral, a nossa chapa tem uma grande maioria de mulheres, mulheres de luta, que não estão aqui só para cumprir cota, pelo contrário, tão aqui trazendo a força dos nossos partidos”, ressaltou.
Apoiado pela federação Psol-Rede, Leandro Grass afirmou que a construção da aliança demonstra maturidade política diante do cenário eleitoral e classificou a situação do Distrito Federal como resultado de anos de deterioração administrativa.
“Ninguém trabalhou mais do que aqueles que estão aqui agora. Este momento sinaliza a maturidade política de lideranças que querem ver o Distrito Federal sair desse lugar que é o lugar da destruição, do arruinamento, da precarização, da pobreza e da miséria”, destacou.
Senado e programa de governo
As pré-candidatas ao Senado reforçaram o discurso de enfrentamento à extrema direita. Érika Kokay (PT) afirmou que a eleição será decisiva para consolidar a democracia e defender direitos sociais, além de reiterar bandeiras como o fim da escala 6×1.
“Nós vamos dizer que a extrema direita nunca mais vai governar este Brasil. Nós não aceitamos mais a bandeira nacional ser encharcada com o cheiro do veneno ou do sangue dos povos indígenas. Este país é um país de povo, este país vai construir a sua liberdade”, declarou a parlamentar.

Já a senadora Leila Barros agradeceu o apoio da federação e afirmou que pretende continuar defendendo pautas ligadas à democracia, aos direitos das mulheres e à redução das desigualdades no Distrito Federal.
“Quem cresceu nas regiões administrativas do DF sabe o quanto a desigualdade, a violência contra os jovens e as mulheres aumentou. Brasília está nas páginas policiais. Eu estou preparada para os desafios que virão, para defender Brasília, a nossa soberania e a nossa democracia”, afirmou.
Programa e candidaturas
Durante a convenção, a Federação Psol-Rede aprovou dez diretrizes que irão orientar a campanha de 2026. As propostas, reunidas em uma carta programática entregue ao candidato ao Governo do Distrito Federal, Leandro Grass, apresentam reivindicações defendidas pelos partidos da federação.
Entre os compromissos estão a defesa de um Sistema Único de Saúde (SUS) 100% público, o fim do IGES-DF, a implementação da tarifa zero no transporte coletivo, políticas de combate ao feminicídio, o fortalecimento da educação pública, a proteção do Cerrado e o enfrentamento à crise climática.

Também foi apresentada a nominata de candidatos às eleições proporcionais.
Na disputa pela Câmara dos Deputados, a federação terá nove candidatos:
- pelo Psol: Fábio Felix, Neiva Lopes, Adriano Fiuza, Ludmila Suaid, Dra. Raquel Ferreira e Enfermeira Karine;
- pela Rede: Elianildo Nascimento, Maria Cleudes e Guilherme Jaganu.
Para a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), a federação lançou 25 candidaturas.
- Pelo Psol, integram a chapa Max Maciel, Keka Bagno, Abel Santos na Voz, Carlão, Conceição da Agricultura, Dra. Natália Matias, Edison Ceilândia, Madu K, Mano Lima, Michel Platini, Moustafá, Natty Vieira, Patty Ramiro, Paulo César, Pikineia, Professora Ray e Romário Leal;
- Pela Rede, disputam Angelina Nardelli, Bartiria do Coletivo Nossa Gente, Carlos Inácio, Chiquinho Livreiro da UnB, Elas Indígena – Mandato Coletivo, Eliana Veterinária, Miranda Gomes e Sami Yassine.
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