A polícia boliviana prendeu um homem e uma mulher na madrugada desta sexta-feira (21), suspeitos de participarem do ataque armado contra a ativista e advogada Nadia Beller, em Santa Cruz de la Sierra. O argentino Fernando Cerimedo, articulista de Jair Bolsonaro e ex-conselheiro do presidente Javier Milei, é apontado como um dos mandantes do crime.
Cerimedo é acusado de tentativa de homicídio contra Beller, sua ex-companheira, e de enriquecimento ilícito. Buscas relacionadas ao seu caso foram realizadas nas últimas horas.
Segundo relatos da mídia local, agentes da força de combate ao crime realizaram uma operação na zona norte da capital oriental, especificamente nas áreas de Virgen de Luján e Valle Sánchez, onde encontraram o casal supostamente ligado ao ataque.
Durante o procedimento, os agentes encontraram em posse dos detidos capacetes de motocicleta com características semelhantes aos supostamente usados pelos atacantes na noite do assassinato.
Segundo as investigações preliminares, presume-se que o homem conduzia a motocicleta e possivelmente abriu fogo contra a vítima, enquanto a mulher teria auxiliado no furto da carteira e do celular de Beller. Ambos foram levados para a sede da Força Especial de Combate ao Crime (FELCC) na capital do leste, aguardando um relatório oficial que confirme seu envolvimento.
Entretanto, o Comando Geral do Exército Boliviano confirmou em comunicado que Fritz Juniors Gironda Aquize, identificado como a pessoa que conseguiu escapar durante uma operação relacionada ao segundo processo de investigação contra Cerimedo, fazia parte de sua instituição.
O documento afirma que Gironda Aquize “serviu no Exército Boliviano com a patente de Tenente de Infantaria” e que posteriormente “apresentou voluntariamente seu pedido de aposentadoria“.
No âmbito jurídico, Cerimedo, detido por tentativa de feminicídio, quebrou o silêncio perante o Ministério Público e a FELCC (Força Especial de Combate ao Crime) após se recusar a depor em duas ocasiões. Visivelmente perturbado, declarou: “Só quero ver meus filhos”.
O ex-assessor afirmou que sua relação com Beller era de “amizade, baseada em ética e respeito“, e negou qualquer envolvimento no ataque. Segundo seu relato, ele conheceu a advogada em outubro de 2025 e a viu pela última vez no domingo, 17 de agosto, quando ela mencionou que iria ao Hotel Viru Viru, local onde foi atacada.
A investigação prossegue com etapas pendentes, incluindo análises balísticas, de computadores e de telefones, bem como futuros depoimentos de funcionários do hotel e da equipe da ambulância que transportou a vítima. No entanto, o advogado de Beller, Jerjes Justiniano, afirmou que mensagens encontradas no telefone de Cerimedo indicavam que “Nadia tinha que ser eliminada”.
Beller, que foi baleada três vezes e permanece hospitalizada e sob proteção policial, apontou Cerimedo como o suposto autor do ataque que sofreu e fez alegações sobre supostos atos de corrupção envolvendo o presidente boliviano Rodrigo Paz e sua família.
A carreira de Cerimedo inclui ligações com as campanhas de Javier Milei na Argentina, da família Bolsonaro no Brasil e de Nasry Asfura em Honduras. Além disso, ele enfrenta um histórico de investigações, como uma conduzida pela Polícia Federal brasileira, por disseminação de informações falsas durante as eleições de 2022 .
