A Comissão da Memória e da Verdade Enrique Serra Padrós, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), receberá o “Prêmio Rubens Paiva – Memória, Verdade e Justiça”, na categoria Entidades de Direitos Humanos. Inicialmente prevista para 28 de agosto, a cerimônia foi remarcada para 3 de setembro, às 18h, no Salão Júlio de Castilhos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
Em sua segunda edição, a premiação, criada em abril de 2025 pela Associação de Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Rio Grande do Sul (AEPPP-RS), reconhece pessoas e entidades ligadas à resistência à ditadura e à defesa da democracia e dos direitos humanos.
Na categoria Ex-Presos e Perseguidos Políticos, a organização decidiu conceder, excepcionalmente, duas homenagens: a Flávio Koutzii e Flávio Tavares. O ex-ministro da Justiça e ex-governador Tarso Genro (PT) será premiado na categoria Defensores dos Direitos Humanos.
Na categoria Meios de Comunicação e Comunicadores, o site Esquina Democrática será reconhecido, enquanto a atriz Marta Haas, integrante da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, receberá a homenagem na categoria Juventude.
O vice-presidente da AEPPP-RS, Raul Carrion, afirma que a homenagem reconhece o trabalho de reconstrução da memória da repressão na universidade. “Além de denunciar esses bárbaros crimes e seus responsáveis, inclusive na UFRGS, a Comissão está resgatando a história de resistência que professores, alunos e funcionários opuseram, sem temer as consequências”, destaca.
Seleção dos homenageados
Os nomes foram indicados por meio de uma consulta aberta à sociedade gaúcha e a entidades de direitos humanos. As indicações foram examinadas pela comissão organizadora, que encaminhou dois nomes de cada categoria para a diretoria da AEPPP-RS, responsável pela decisão final.
A comissão organizadora é composta pela AEPPP-RS, pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos, pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos, pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa e pelo projeto Caminhos da Ditadura em Porto Alegre.
Na edição de 2025, o Brasil de Fato RS recebeu o Prêmio Rubens Paiva na categoria Comunicação Social, em reconhecimento à trajetória do veículo na defesa dos direitos humanos.
Trajetória de Rubens Paiva
O prêmio leva o nome de Rubens Paiva (1929–1971), ex-deputado federal preso e assassinado pela ditadura militar. Em 1º de abril de 1964, Paiva fez um discurso no rádio contra o golpe, teve o mandato cassado logo depois e partiu para o exílio. Em 20 de janeiro de 1971, foi detido em casa, no Rio de Janeiro, por agentes da repressão.
Levado ao Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), foi torturado e morto sob custódia do Estado. O corpo foi ocultado pelos militares, que forjaram uma falsa fuga, e jamais foi localizado. A Comissão Nacional da Verdade (CNV) concluiu que Paiva foi executado pela ditadura. Durante décadas, Eunice Paiva liderou a busca por justiça. A história da família ganhou nova projeção no Brasil e no exterior com o filme “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles e centrado na luta de Eunice após o desaparecimento do marido.
