Aliados do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) articulam, nos bastidores, estratégias para retardar a tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1. Integrantes do grupo político estudam recorrer a instrumentos regimentais, como pedidos de vista e apresentação de emendas, para prolongar a análise da matéria.
Pedidos de vista, por exemplo, podem suspender temporariamente a análise de uma matéria, enquanto emendas podem exigir novas discussões e manifestações sobre o texto.
A movimentação ocorre em meio à tentativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de acelerar a discussão da medida. Nesta segunda-feira (24), Lula afirmou, em publicação nas redes sociais, que o governo está mobilizado pela aprovação do fim da escala 6×1.
“Tem gente que joga contra os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, mas o nosso governo está mobilizado para a aprovação do fim da escala 6×1, sem redução do salário. O povo trabalhador que movimenta este país merece ter mais tempo para o lazer, para cuidar da saúde e para acompanhar o crescimento dos filhos.”
A PEC chegou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na sexta-feira (21). O senador Omar Aziz (PSD-AM) foi designado relator da proposta, que estabelece jornada de até 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial.
A proposta em discussão no Senado é uma das principais pautas trabalhistas defendidas pelo governo Lula. A redução da jornada, sem diminuição dos salários, também passou a integrar o debate eleitoral de 2026, com diferentes posições entre os pré-candidatos à Presidência da República.
No campo de Flávio Bolsonaro, a proposta é vista com resistência. Daniella Marques, coordenadora da área econômica da campanha do senador, classificou o debate sobre o fim da escala 6×1 como “populista e inócuo” e defendeu maior liberdade nas relações entre empregadores e trabalhadores.
