O Banco de Brasília (BRB) aprovou a autorização de medida que prevê ações judiciais contra ex-administradores da instituição identificados por envolvimento nas negociações fraudulentas com o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro.
A decisão foi tomada após Assembleia Geral Extraordinária (AGE) ocorrida na manhã desta segunda-feira (24). Participaram da reunião os acionistas titulares de ações emitidas pelo BRB, além de seus representantes legais ou procuradores.
Segundo o edital de convocação da assembleia, medidas poderão atingir ex-administradores que, “por ação ou omissão”, sejam identificados como responsáveis pelos prejuízos sofridos pelo BRB.
Em nota, a assessoria do banco frisou que a votação não significa a responsabilização imediata de nenhum ex-administrador. A aprovação da proposta funciona como uma autorização para que o banco possa buscar, na Justiça, a reparação de prejuízos caso pessoas específicas sejam identificadas nas investigações.
Desde o início da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, a Polícia Federal (PF) já prendeu diversos investigados. Entre eles, o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, que permanece em prisão preventiva. Em abril deste ano, também foi preso o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, suspeito de ter tido papel central na compra de carteiras de crédito do Master que apresentavam indícios de fraude.
Conforme apurado pelo Brasil de Fato DF, o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) paralisou a análise das contas do Governo do Distrito Federal (GDF) de 2025 porque o BRB ainda não apresentou seus dados financeiros auditados. O conselheiro Paulo Tadeu determinou que a Casa Civil e o banco apresentem, em até 30 dias, esclarecimentos sobre o atraso na divulgação do balanço.
Na decisão, Tadeu cita informações sobre transações que teriam movimentado aproximadamente R$ 30 bilhões. A estimativa é de que menos R$ 8,8 bilhões corresponderiam a títulos inexistentes ou fraudados.
Operação de crédito
Desde maio, o GDF tenta viabilizar o acordo com o Supremo Tribunal Federal (STF) para contratar um empréstimo de cerca de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para socorrer o BRB. Em nota conjunta, a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Fazenda (MF) afirmaram que vêm cumprindo integralmente as obrigações assumidas no acordo homologado no STF.
“Embora não tenha responsabilidade jurídica pela estruturação ou garantia do crédito, a União atuou ativamente para facilitar o entendimento entre as partes”, diz um trecho, acrescentando que a ausência de formalização do financiamento até o momento decorre de questões negociais, técnicas e de governança interna dos agentes econômicos envolvidos (FGC e instituições bancárias) e não de omissão ou impedimento por parte do governo federal.
“A decisão judicial que afastou determinadas exigências de responsabilidade fiscal não elimina os riscos da operação nem impede a análise de crédito pelos bancos. Cabe ao DF e ao BRB apresentar informações e um plano de negócios que permitam às instituições financeiras avaliar a viabilidade e a segurança da operação”, esclareceu a nota.
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