Eleições 2026

Confira as propostas dos candidatos ao governo do DF para combater a violência contra as mulheres

Planos incluem monitoramento de agressores, expansão da rede de proteção, políticas de cuidado e saúde

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Levante Mulheres Vivas realiza ato na área central de Brasília para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres
Levante Mulheres Vivas: ato na área central de Brasília denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres | Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A violência contra as mulheres e as políticas de proteção aparecem entre as propostas apresentadas pelas candidaturas ao governo do Distrito Federal nas eleições deste ano. Os planos de governo incluem medidas como monitoramento de agressores, ampliação da rede de atendimento, prevenção ao feminicídio, políticas de autonomia econômica, acesso à saúde e iniciativas para reduzir a sobrecarga do trabalho doméstico e de cuidado.

O Brasil de Fato DF consultou os planos apresentados pelas candidaturas e reuniu as principais propostas relacionadas às mulheres. Entre os 11 candidatos que disputam o governo do DF estão José Roberto Arruda (PSD), Ricardo Cappelli (PSB), Celina Leão (PP), Elisson Ferreira (Agir), Expedito Mendonça (PCO), Kiko Caputo (Novo), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB), Professor Robson Raymundo (PSTU), Professora Samara Mineiro (UP) e Rico Pinheiro (PRTB).

O cenário ajuda a dimensionar a importância do tema no Distrito Federal. No primeiro semestre deste ano, o Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem), da Defensoria Pública do DF, realizou 6.210 atendimentos a mulheres, com acolhimento, orientação jurídica e acompanhamento de pedidos de medidas protetivas. No mesmo período, foram registradas 11.206 ocorrências de violência doméstica ou familiar, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública.

Já no primeiro trimestre, o DF registrou sete feminicídios consumados, um a mais que no mesmo período de 2025. Entre as candidaturas analisadas, somente o plano de governo de Rico Pinheiro (PRTB) não apresenta propostas específicas voltadas às mulheres ou ao combate à violência de gênero.

Leandro Grass (PT)

O plano de governo de Leandro Grass concentra propostas em segurança, infraestrutura urbana, saúde e políticas de cuidado. Entre elas está o DF Delas, programa de urbanismo com “lente de gênero”, que prevê iluminação LED em trajetos entre casa, pontos de transporte e escolas, além de paradas noturnas seguras e protocolos contra importunação no transporte público. 

Na segurança, Grass propõe o Pacto Contra o Feminicídio, com classificação de risco em 100% das ocorrências e monitoramento eletrônico do agressor por tornozeleira, com alerta automático à polícia em caso de violação. O plano também prevê o Fila Zero para creches, com o objetivo de permitir que mães trabalhem, além da criação de lavanderias coletivas e restaurantes comunitários para reduzir a sobrecarga do trabalho doméstico. 

Na saúde, a candidatura estabelece como meta a realização de mamografias e exames preventivos em até 30 dias, além de medidas de combate à violência obstétrica e atenção à saúde menstrual nas escolas.

Paula Belmonte (PSDB)

A candidatura de Paula Belmonte aposta principalmente no uso de tecnologia e na atuação preventiva da rede pública de saúde. Uma das propostas é a criação da Muralha Digital, com uso de inteligência de dados e monitoramento territorial para identificar agressores foragidos ou que descumpram medidas protetivas. 

O plano também prevê preparar equipes da Saúde da Família e agentes comunitários para identificar sinais de violência doméstica durante visitas domiciliares, buscando agir antes que os casos se agravem. Na área econômica, a proposta é integrar políticas de qualificação, emprego e empreendedorismo para mulheres vítimas de violência, com o objetivo de ampliar a independência financeira e reduzir a vulnerabilidade diante dos agressores.

Elisson Ferreira (Agir)

O plano de Elisson Ferreira prioriza a expansão da rede física de proteção e a integração entre diferentes áreas do poder público. A principal proposta é a Rede Escudo para Mulheres, que prevê integração entre segurança, saúde, Justiça e assistência social. A candidatura também propõe a construção de novas unidades da Casa da Mulher Brasileira e a implantação de Centros Regionais de Atendimento à Mulher (CRAMs) em todas as regiões administrativas. 

Entre as medidas específicas de segurança estão o monitoramento de agressores por determinação judicial, a criação de canais discretos de denúncia e o abrigamento emergencial para mulheres em situação de violência. O plano também estabelece o compromisso de garantir paridade de gênero na composição do secretariado do governo.

Celina Leão (PP)

A proposta de Celina Leão se concentra no apoio a mulheres responsáveis sozinhas pelo sustento da família e na ampliação de programas de proteção já existentes. O programa Mãe Por Inteiro prevê prioridade para mulheres que sustentam sozinhas o domicílio no acesso a vagas em creches, com horários compatíveis com o trabalho, além de qualificação profissional, microcrédito e programas habitacionais. 

Na proteção contra a violência, a candidatura propõe a expansão do Viva Flor para garantir proteção também aos filhos e dependentes das vítimas. O plano ainda prevê a criação de um Centro de Referência da Saúde da Mulher e ações para incentivar a participação feminina nas áreas de ciência e tecnologia.

Ricardo Cappelli (PSB)

Ricardo Cappelli apresenta uma política de “Tolerância Zero” contra a violência contra mulheres, crianças e idosos. A proposta estabelece prioridade máxima para o combate a esses crimes, com aplicação efetiva da legislação e investigação dos casos. 

O plano também prevê uma política de proteção integral, com integração entre segurança, saúde e assistência social para o acompanhamento de medidas protetivas e a prevenção permanente de novos casos de violência.

Kiko Caputo (Novo)

A candidatura de Kiko Caputo apresenta propostas voltadas à autonomia econômica e ao suporte para mulheres responsáveis pelo cuidado de familiares. A Jornada DF Mulher Autônoma prevê trilhas individuais que integram qualificação profissional, intermediação de emprego, crédito e inovação. 

O plano também propõe uma Rede de Apoio às Mães Cuidadoras, com acolhimento e suporte psicossocial para mulheres que deixam ou interrompem a carreira para cuidar de filhos, idosos ou pessoas com deficiência. 

Para a prevenção do feminicídio, a proposta é estabelecer uma gestão integrada de casos de alto risco, com compartilhamento de informações entre órgãos públicos para permitir ações antecipadas.

Professor Robson Raymundo (PSTU)

O plano de Professor Robson apresenta propostas de autodefesa, mudanças na assistência à saúde e medidas para enfrentar a sobrecarga do trabalho de cuidado. Entre as propostas está a criação de um programa gratuito de treinamento em autodefesa para mulheres e o fornecimento de armamento para aquelas amparadas por medidas protetivas. 

Na saúde, o candidato defende a garantia de salas de parto humanizado em todos os hospitais para combater a violência obstétrica e a criação de um centro de saúde especializado para mulheres trans e travestis. Para reduzir a sobrecarga do trabalho de cuidado que recai sobre as mulheres, o plano prevê a criação de hospitais e centros para idosos em todas as cidades do DF.

Professora Samara Mineiro (UP)

A candidatura de Samara Mineiro propõe medidas voltadas à renda, à socialização do trabalho doméstico, aos direitos reprodutivos e à proteção de mulheres vítimas de violência. O plano prevê a garantia de R$ 600 mensais para famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), com valor dobrado para mães solo, além da criação de uma rede de lavanderias públicas. 

Na área de justiça reprodutiva, a proposta inclui acesso a métodos contraceptivos, realização segura do aborto legal pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e distribuição gratuita de absorventes. Para mulheres vítimas de violência, a candidatura propõe uma rede de casas-abrigo com funcionamento 24 horas e a ampliação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs).

José Roberto Arruda (PSD)

Nas diretrizes apresentadas pelo grupo de José Roberto Arruda, uma das principais propostas relacionadas à segurança das mulheres é a modernização da Patrulha Maria da Penha. A candidatura propõe monitoramento e alertas georreferenciados em tempo real para identificar violações de medidas protetivas e permitir o despacho automático de viaturas. 

Na área de autonomia, o programa Autonomia Plena prevê acesso a crédito e apoio à moradia digna para mulheres vítimas de violência.

Expedito Mendonça (PCO)

A principal proposta do PCO relacionada às mulheres é a criação de uma aposentadoria para mulheres com, no máximo, 25 anos de trabalho.

Rico Pinheiro (PRTB)

O plano de governo do Rico Pinheiro não apresenta propostas específicas para mulheres ou para o combate à violência de gênero.


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Editado por: Clivia Mesquita

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