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‘Corrida por quem ataca mais o governo Lula’: cientista político analisa primeiro debate

Rafael Cortez considera acertada a escolha de Lula por dar entrevista no mesmo horário: 'Ambiente muito menos belicista'

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Ato de lançamento do presidente Lula (PT) à reeleição em São Bernardo do Campo (SP)
Ato de lançamento do presidente Lula (PT) à reeleição em São Bernardo do Campo (SP) | Crédito: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno, com 46% e 45%, respectivamente, segundo pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira (24). A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Lula ainda lidera o primeiro turno, mantendo os 41% de intenções de voto, mas a distância para Flávio diminuiu. O senador foi de 36% para 37%.

Neste domingo (23), o primeiro debate presidencial, tradicionalmente promovido pela Band, ficou marcado pelas ausências dos líderes das pesquisas.

Lula concedeu uma entrevista à Record no mesmo horário do debate, com muita audiência. O cientista político Rafael Cortez avalia como uma decisão acertada. “Lula preenche um vácuo que veio da sua ausência no debate, consegue fazer uma exposição da sua imagem em um ambiente muito menos belicista, numa ideia de que ele no debate teria maior dificuldade de controlar ou de impactar os rumos da conversa”, pontua.

Cortez avalia que há duas explicações para compreender as estratégias adotadas por Lula e Flávio: a polarização e a preservação do capital político em uma campanha marcada por muita agenda negativa. “Há basicamente uma corrida por quem ataca mais o governo Lula. Em alguma medida, essa nova direita que surge do vácuo deixado pelo PSDB emerge e busca mobilização eleitoral por uma espécie de maior distanciamento, como se fosse um concurso de quem é capaz de fazer críticas mais ácidas, mais contundentes ao governo Lula, à esquerda e, às vezes, até à figura do presidente Lula.”

Como foi o debate

Cortez aponta que existe uma aposta na radicalização. “Esse formato atual entre PT versus bolsonarismo ainda não gerou uma dinâmica política mais positiva para a democracia brasileira. É uma espécie de um vácuo. E aí, nesse vácuo, vão emergindo novas figuras, mas que não representam, aos meus olhos, projetos políticos mais estruturados”, afirma.

A segurança pública tem pautado bastante o debate, e a esquerda tem apresentado desvantagem nesta discussão. “A esquerda também não conseguiu fazer um programa de política pública que seja de conhecimento do eleitorado, que dê conta desse senso de urgência, guardadas as devidas proporções, como se fosse uma espécie de Bolsa Família da Segurança Pública, ou seja, um programa que pegou, que todo mundo viu o efeito, que isso se transformou em capital político para a esquerda. Falta isso, me parece, no campo da esquerda. E, na ausência dessa marca, tem essa corrida que eu mencionei de tentar ocupar espaços com esses tipos de propostas que estão ficando cada vez mais apelativas”, analisa.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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