pressão sobre lula

Vazamentos sobre filho de Lula ‘prejudicam investigação’ e têm uso eleitoral, avalia advogado

Pedro Serrano avalia que, se não fosse filho de Lula, investigação já teria sido arquivada por falta de materialidade

No audio source provided.
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, como é chamado pela mída corporativa
O personagem da vez volta a ser Fábio Luís Lula da Silva, o LulinhaFábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, como é chamado pela mída corporativa | Crédito: Arquivo

A investigação da Polícia Federal (PF) do filho do presidente Lula (PT), Fábio Luis Lula da Silva, por suspeita de tráfico de influência e corrupção em supostas negociações com órgãos do governo federal, tem sido marcada por uso eleitoral e vazamentos seletivos à mídia.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o advogado Pedro Serrano, doutor em Direito do Estado, afirma que os vazamentos seletivos de informações de investigações são uma prática grave e criminosa. “O jornalista que divulga está no seu papel absolutamente legítimo de divulgar informações que ele julga de interesse público. O problema está na autoridade pública que divulga. Esses vazamentos sempre prejudicam a investigação, porque se há um truísmo na criminologia é que investigação, para ser eficiente, tem que ser sigilosa. Então, tira eficiência da própria investigação, além do que ataca a imagem de pessoas, às vezes destrói a imagem de inocentes”, pondera.

Serrano considera que, no atual momento eleitoral, a situação deve ser considerada mais grave ainda, já que pode interferir diretamente na corrida presidencial. “Eu creio que é um problema grave que nós temos, o país precisa resolver”, frisa. Na avaliação do jurista, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem atuado, dentro das possibilidades, para tentar frear essa prática.

Com relação a uma suposta comparação entre o que está acontecendo agora com o filho de Lula e o processo da Lava Jato, Pedro Serrano destaca que episódios podem ter pontos de comparação. No entanto, destaca que a Lava Jato de Sérgio Moro foi o “pior escândalo da história do Judiciário”. “Moro decretou uma ditadura judicial”, resume.

Pedro Serrano afirma que é preciso cautela para falar da investigação, considerando, sobretudo, que as informações têm sido divulgadas pela imprensa e que, portanto, passam por essa mediação. E que, nesse sentido, de tudo que foi publicizado, não há para ele materialidade que indique cometimento de crime por parte de Fábio Luís.

“Sinceramente, até agora, do que eu vi na mídia, não há nada relevante em relação a ele. Nada que traduza a ideia de você ter sequer um indício mais intenso. Se não fosse filho do presidente da República, provavelmente essa investigação já tinha sido arquivada”, avalia.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

|

Newsletter