Presidente da Associação de Reciclagem Ecológica da Vila dos Papeleiros, seu Antônio Viana Carbonero tem 78 anos e mora na VP há 26. Mas toda história tem um começo. Até meados dos anos 1990 trabalhava informalmente fazendo inúmeros “bicos” para sustentar a si e a sua família. Entre as jogadas da vida, conheceu dois rapazes que participavam da comunidade e trabalhavam como catadores, profissão que hoje dá nome ao loteamento.
Vendo uma nova oportunidade de ganhar dinheiro, decidiu fazer uma mudança na sua vida: mudou-se para a Vila dos Papeleiros, que na época não tinha nome, e começou a trabalhar como catador. Começou envergonhado. Quando saía com seu carrinho pelas ruas, escondia o rosto para ninguém reconhecê-lo, já que seus antigos trabalhos o levaram a ser muito conhecido nas ruas do centro de Porto Alegre. Logo percebeu que o trabalho de catador era digno e uma chavezinha virou em sua cabeça. Antônio passou a ter orgulho do que fazia. Naquela época, era muito tímido, um cara fechado. “Se tu conversasse comigo, eu conversava contigo, agora, se tu não conversasse, eu ficava na minha”, diz ele, revelando, em suas próprias palavras, como define sua timidez.
Hoje em dia Seu Antônio não trabalha mais puxando carrinho, perdeu sua perna esquerda em um acidente de trânsito há uns cinco anos, ele mesmo não tem certeza das datas, como disse à equipe de reportagem. Quando indagado sobre o acidente, ele é breve, apenas solta algumas onomatopeias e expressões de quem está sendo questionado sobre uma velha história esquecida, mas que o marcou. Ele explica que não foi relacionado ao seu labor, apenas um desastre infeliz que o transformou em cadeirante – sem grandes detalhes. Hoje ele é encontrado se locomovendo pela vila com calma, em decorrência do fraco motor de sua cadeira de rodas elétrica, mas nunca é impedido de chegar a lugar algum. Os carros param caso ele precise passar pela rua, as rampas possibilitam maior acessibilidade e as pessoas caminham mais lentamente para acompanhar o líder da comunidade.

“Eu sou o pai dessa vila aqui. A Vila dos Papeleiros é uma grande família”
Ele diz que chegou na vila sem saber nada de política. Com o passar do tempo, foi chamado para participar de uma reunião na Secretaria de Saúde por Edite Laydner, que na época atuava como advogada criminalista e ajudava os moradores a conseguir documentações essenciais. Mesmo com o convite, seu Antônio tinha muitas dúvidas. “O que essa mulher quer aqui dentro dessa vila? Ela é bem de vida, tem casa, mora lá em cima. Eu não sei por que ela me escolheu para ir nessa reunião”, lembra. Mas algo dentro de sua cabeça fez com que ele fosse. Tomou um banho de bacião, já que a água encanada não era acessível, colocou sua melhor roupa e foi. Chegando lá, seu nome constava na lista, entrou e foi chamado para explicar como era sua rotina na vila. “Falei do jeito que eu vivia dentro da vila. No meio de ratos, baratas e muito barro.”
Foi nessa primeira reunião que seu Antônio, discretamente, começou a mudar o rumo da comunidade. Ao iniciar sua fala, disse que morava numa vila de papeleiros, que naquela época, final dos anos 90, era considerada apenas uma invasão. Desde então, o loteamento continua com o mesmo nome: Vila dos Papeleiros. Nesse mesmo dia, ele foi convidado para a reunião do Orçamento Participativo. No encontro, deu o mesmo discurso.
Nessas duas reuniões eu botei a Vila dos Papeleiros no mapa, porque a Vila dos Papeleiros não existia. Era um aglomerado de pessoas que ninguém olhava, né? Então virou Vila dos Papeleiros.
O segundo passo foi montar uma associação de moradores, segundo seu Antônio, para conseguirem mais credibilidade. Organizaram tudo, elegeram o presidente, um homem apelidado de Pantanal, escolhido por seu jeito descontraído, eloquente, conhecido por todos da VP, uma secretária e todo o conselho fiscal. Foi marcado o dia da reunião para eleição. Carbonero não estava entre os participantes da diretoria. Ele era apenas um apoiador da causa.
O dia da eleição chegou, no ano de 1998, e todos os moradores organizaram-se no galpão da VP com fardos de jornais para sentar. Faltava apenas o presidente, Pantanal, que acabou “se mandando”. A partir desse momento, Carbonero relata que todos os participantes da reunião começaram a ecoar: Seu Antônio! Seu Antônio! é Seu Antônio! “Daí eu cheguei e disse: eu não entendo de política, não entendo de nada. Como vou ser presidente de uma associação? Não tem condições”. Nesse momento, uma freira, a irmã Odila, chegou para seu Antônio e disse: “é tu, Antônio, que vai ser o presidente desta vila aqui. Porque tu foi escolhido por Deus para conduzir essa terra e esse pessoal como Moisés fez para a terra prometida”.
Juntando o incentivo da irmã e a euforia dos moradores, seu Antônio iniciou sua caminhada como presidente da Vila dos Papeleiros. “Essa vila não existia, era um bando de moradores de malocas. Para a cidade não existia, era uma cidade fantasma. Aí comecei a trazer política para dentro”.
“Cada tijolinho que tu vê aqui na vila, o centro social, a creche, tudo isso aí é um dedinho meu. Mas eu tinha pessoas que iam comigo, né? Porque o cara sozinho não consegue nada”, diz. Em uma série de lutas com a prefeitura da cidade, ele ajudou a dar mais dignidade à comunidade. O que antes era apenas algumas casas de alvenaria e muito lixo, hoje é o lar de diversos profissionais, famílias e talentos. Seu trabalho é desestigmatizar a Vila dos Papeleiros. “Quando eu vejo as crianças correndo aqui na rua, ah, é colírio para meus olhos, o meu coração se enche de alegria. Como eu sempre digo, a Vila dos Papeleiros é uma grande família. Se acontece uma coisa com um, acontece com todos”.
A vila passou a ser chamada oficialmente de Loteamento Santa Terezinha após um processo de reestruturação urbana e reassentamento entre os anos de 2004 e 2007. Notícias antigas contam que o local foi urbanizado e novas moradias populares foram entregues aos antigos moradores no decorrer da década de 2010. Mas o processo do segundo nome da vila é mais curioso do que isso. Seu Antônio explica que a decisão do nome veio pela seguinte situação. “Quando um morador vai procurar emprego e diz que mora na VP o currículo vai lá para baixo. Agora, quando se fala em Loteamento Santa Terezinha, a pessoa olha, porque apaga a Vila dos Papeleiros. Mas para nós aqui dentro é a Vila dos Papeleiros, é ela que nos identifica”, explica.
Como ele já era presidente da comunidade, ao ter a ideia do nome, procurou duas senhoras: uma da igreja São Pedro e a outra da igreja Santa Terezinha. “A dona Tina era da igreja de São Pedro, então para eu ficar de bem com as duas, quando eu fui falar em Loteamento Santa Terezinha, primeiro procurei dona Tina. Expliquei que já existia a Vila São Pedro e ofereci o novo nome. Ela aceitou e fiquei de bem com as duas, eu sou meio político”.
Viajei por 17 estados do Brasil, Brasília e até mesmo à França. Já imaginou um papeleiro na França? Fui lá representar a cidade de Porto Alegre em 2005. Eu sou o pai dessa vila aqui.

“Se acontece uma coisa com um, aqui acontece com todos”
As tragédias não são novidade para os moradores da Vila dos Papeleiros. Ao longo de sua história, a comunidade precisou se reconstruir mais de uma vez diante de acontecimentos que mudaram a vida de centenas de famílias. A região foi marcada por dois grandes incêndios, um em 2004 e outro em 2005. No primeiro deles, as chamas consumiram 200 das 250 casas existentes, deixando mais de 600 pessoas desabrigadas. No ano seguinte, um novo incêndio destruiu outras quarenta residências, e os moradores que ainda restavam na área precisaram ser realocados em casas de passagem. Somente em 2006, após dois anos longe de suas casas, as famílias finalmente receberam as unidades do novo loteamento.
Quase duas décadas depois, a comunidade voltaria a enfrentar uma nova tragédia coletiva. Em maio de 2024, a cheia histórica do Guaíba atingiu Porto Alegre e superou, em diversos pontos da cidade, os níveis registrados na enchente de 1941. A capital gaúcha viveu a maior catástrofe climática de sua história recente, com mais de 160 mil pessoas afetadas e dezenas de bairros atingidos. Localizada na região do Quarto Distrito, uma das áreas mais impactadas pelas inundações, a Vila dos Papeleiros também sofreu os efeitos da cheia. Casas, ruas e espaços de trabalho foram atingidos pela água, interrompendo a rotina de uma comunidade cuja história está diretamente ligada à reciclagem e ao trabalho dos catadores.
Na Associação de Reciclagem Ecológica Vila dos Papeleiros (AREVIPA), principal fonte de renda para dezenas de famílias da comunidade, a água invadiu o galpão e comprometeu equipamentos e materiais. Para muitos moradores, a enchente significou não apenas a perda de bens materiais, mas também a interrupção da renda e da rotina construída ao longo dos anos.
A tragédia evidenciou, mais uma vez, a vulnerabilidade enfrentada por uma população que historicamente convive com o preconceito e com a falta de reconhecimento do trabalho dos catadores. Ao mesmo tempo, revelou a força das redes de solidariedade construídas dentro e fora da Vila. Campanhas de arrecadação, doações e o apoio de voluntários ajudaram a garantir alimentos, produtos de higiene, roupas e condições para que as famílias pudessem recomeçar. Para quem vive na Vila dos Papeleiros, no entanto, a palavra recomeço não é novidade. Ela faz parte da própria história da comunidade. Entre incêndios, enchentes e décadas de estigma social, os moradores aprenderam a reconstruir não apenas suas casas, mas também os laços que os mantêm unidos. As marcas deixadas pelo fogo e pela água continuam presentes na memória dos moradores.
Moradora da comunidade desde o final dos anos 1990, Mari Lúcia Vilanova, 49 anos, criou cinco filhos trabalhando com reciclagem. Durante anos, ela e o marido percorreram as ruas da cidade com seus carrinhos, recolhendo materiais recicláveis que garantiam o sustento da família. Nesse contexto, conheceu Seu Antônio, uma figura que foi se tornando referência na Vila.

Quando fala sobre ele, Lúcia não descreve apenas um líder comunitário. Ela descreve alguém que acompanhou momentos importantes de sua trajetória, conheceu seus filhos, compartilhou as dificuldades da comunidade e esteve presente nos períodos mais difíceis. Lúcia conta que um de seus filhos faleceu ainda jovem, mas era muito próximo de Seu Antônio, lembrança que ela recorda com carinho.
Assim como Seu Antônio, ela também defende o trabalho dos carrinheiros. Com orgulho, afirma que criou os cinco filhos graças à reciclagem e faz questão de reforçar que se trata de um trabalho honesto, digno e essencial para a cidade. Lúcia viveu as transformações do território, acompanhou a substituição das antigas moradias por casas mais estruturadas, enfrentou enchentes, perdas familiares e o preconceito que por muitos anos marcou quem carregava o endereço da comunidade.
Bens “inservíveis”
Localizada a menos de 10 minutos de distância do centro de Porto Alegre, a Vila dos Papeleiros tem cada vez mais aparecido no noticiário da cidade. A pequena comunidade do Bairro Floresta tem sido palco de mudanças no tecido urbano da capital gaúcha.
Em julho de 2025, uma operação integrada entre Polícia Civil e Brigada Militar invadiu a comunidade em busca de “suspeitos de furtar fios de cobre”. Aproveitando que estavam de passagem pela VP, eles também identificaram 11 pontos de reciclagem. Pouco depois, máquinas pesadas demoliram diversos galpões que os carrinheiros utilizavam para o trabalho de reciclagem. A partir desse momento, a Brigada Militar passou a manter presença diária na vila. “Entraram pedalando porta de casa de mães, casa de gente trabalhadora. Nós estamos aguentando tudo isso aí”, conta Antônio.
Ao longo da operação, a polícia recolheu também os carrinhos usados pelos catadores para exercer seu ofício. Segundo o decreto assinado pelo prefeito Sebastião Melo (MDB), os itens apreendidos deveriam ser encaminhados à Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), órgão onde, em tese, os trabalhadores poderiam reivindicá-los. No entanto, a própria EPTC negou qualquer participação na ação e afirmou não estar com nenhum dos veículos de tração humana recolhidos.
A prefeitura de Porto Alegre, por sua vez, classifica os carrinhos dos catadores como “bens inservíveis”, categoria jurídica normalmente reservada a imóveis e patrimônios pertencentes ao próprio município. Um desses carrinhos levados foi o que acompanhou Antônio durante a sua atuação como catador. Desde que sofreu o acidente que custou-lhe a perna, o veículo servia como biblioteca itinerante. “O carrinho-biblioteca tem muita história para contar. Ele que ajudou a criar os meus filhos. Depois, ajudou a colocar a vila no mapa. Pessoas de outros países que vinham fotografar o meu carrinho. Agora, o DMLU levou o meu carrinho e ele virou ferro velho”, conta.
Porto Alegre é a primeira e única capital brasileira a ter uma lei que impede os catadores de coletar materiais recicláveis com carroças e carrinhos nas ruas, com a lei nº 10.531/2008 regulamentada já em 2010. Em outubro de 2025, durante uma sessão da câmara dos vereadores que discutia um projeto que criminaliza a função, catadores foram agredidos na frente da casa. A briga generalizada terminou com quatro vereadores de oposição feridos. Grazi Oliveira (PSOL), Atena (PSOL), Erick Dênil (PCdoB) e Giovani Culau (PCdoB), além do deputado estadual Miguel Rossetto (PT) que acompanhava a sessão legislativa.
“Pô, isso dá um museu”
A relação entre o fotógrafo Cristiano Sant’Anna e a Vila dos Papeleiros começou em 2016, durante uma oficina de fotografia promovida na região pelo projeto Beira – Movida Editorial. Foi nesse período que ele conheceu Antônio Carbonero e entrou pela primeira vez na casa do presidente da associação. Anos depois, em 2019, Cristiano retornou à Vila e passou a frequentar mais o local. Entre conversas e cafés, conheceu os álbuns de fotografias e os livros guardados por Seu Antônio, registros que contam parte da história da comunidade a partir das vivências dos próprios moradores. Se os álbuns preservados por Seu Antônio guardavam a memória da Vila dentro de casa, o Museu de Resgates ampliou essa missão para além das paredes da família Carbonero.
Nesse período, Cristiano também se aproximou de Jacson Carbonero, filho de Seu Antônio. Fotógrafo e catador autônomo, Jacson passou a dividir com Cristiano uma rotina pouco comum: enquanto um registrava imagens, o outro recolhia materiais recicláveis pelas ruas da cidade. A parceria se transformou em amizade e, com o tempo, os objetos encontrados durante as coletas começaram a chamar atenção.
Em 2020, durante uma conversa na casa da família Carbonero, cercados por peças resgatadas da reciclagem, surgiu uma ideia que daria origem a um novo projeto. “Pô, isso dá um museu”, recorda Cristiano. Assim nasceu o Museu de Resgates, espaço que reúne objetos descartados e encontrados nas ruas de Porto Alegre. Fotografias, câmeras antigas, pinturas e peças de diferentes épocas formam um acervo construído pelo olhar atento de quem trabalha diariamente com a reciclagem. Para Cristiano, a palavra “resgate” resume a essência do projeto. “O significado da palavra resgate é tomar de volta aquilo que já é seu”, explica.
Entre as peças do acervo está uma obra do artista Walmor Corrêa encontrada em meio aos materiais recicláveis. Ao perceber a assinatura, Cristiano entrou em contato com o artista para confirmar a autoria. A resposta veio acompanhada de surpresa: a obra realmente era dele e, ao conhecer a história do resgate, decidiu deixá-la no museu. Outra peça ganhou um novo significado após as enchentes de 2024. Uma reprodução do quadro “Las Meninas” de Diego Velázquez, encontrada quando as águas começaram a baixar em Porto Alegre, passou a ser chamada de “Las Meninas de Porto Alegre”. As marcas de fungos deixadas pela inundação foram mantidas e transformadas em parte da obra, preservando as cicatrizes deixadas pela tragédia.
Diferentemente dos museus tradicionais, o Museu de Resgates não busca apagar as marcas do tempo. Os objetos permanecem carregando as histórias e os vestígios de suas trajetórias, fazendo do próprio desgaste parte do acervo. O Museu de Resgates não é apenas um espaço para guardar objetos, mas também é resultado das relações construídas ao longo dos anos. O vínculo entre Cristiano e a família Carbonero ultrapassou o trabalho e se transformou em afeto. “A nossa amizade não tem como definir. É coisa de irmão agora. Ele não é meu amigo, ele é meu irmão”, afirma Jacson.
Assim como tantas histórias da Vila dos Papeleiros, o museu nasceu de encontros. E, entre objetos resgatados e memórias preservadas, ajuda a contar a história de uma comunidade que aprendeu a transformar aquilo que parecia descartado em patrimônio.
“E onde entra o amor?”

Na lateral da casa de Seu Antônio Carbonero, uma pintura o retrata carregando seu carrinho de reciclagem, já sem uma das pernas. A imagem homenageia uma trajetória construída dentro da comunidade, mas também ajuda a contar uma história maior. A poucos metros dali, no muro do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MAC RS), outro mural leva para o espaço do museu as memórias, as vivências e os moradores da Vila pelas mãos do artista Munrhá.
Morador da comunidade e atuando com artes gráficas há mais de três décadas, Munrhá foi um dos artistas convidados do projeto LAB Presença: tinha um jacaré na minha rua. Sua obra reúne elementos que nasceram do convívio e das oficinas realizadas com crianças da região. Entre fotografias, marcas de mãos e peças de cerâmica, aparece o jacaré que inspirou o nome do projeto, lembrado por uma criança que o viu atravessar as águas da enchente de maio de 2024.

Quando fala sobre a Vila dos Papeleiros, Munrhá raramente separa a arte da vida que leva ali. Para ele, a transformação de um território passa também pelos vínculos criados entre as pessoas, pelas conversas e pelo trabalho de quem está presente. “Como é que nós vamos dar subsistência para essas pessoas? E onde entra o amor? O amor entra quando vêm assistentes sociais, quando vêm as pessoas fazer o trabalho de formiga, vêm conversar olho no olho”, afirma. É daí que surgem muitas das histórias que alimentam sua produção artística e seu olhar sobre o lugar onde vive.
O artista também se atenta às mudanças que vêm ocorrendo na região. Embora reconheça o potencial de novos projetos e investimentos, teme que esse processo acabe afastando moradores históricos e descaracterizando a comunidade. “Gentrificação”, resume, ao falar sobre o risco de que o desenvolvimento urbano beneficie empreendimentos e investidores, mas não as pessoas que construíram a história da Vila.
As marcas deixadas pelas crianças do Instituto Restaurar, as fotografias incorporadas à obra e o jacaré que se tornou símbolo do projeto transformam o mural em um retrato da comunidade. Munrhá acredita que a região tem potencial para se tornar uma referência cultural e artística. “Às vezes a gente sai daqui querendo ir para o Louvre… e as outras ondas?”, questiona. Para ele, valorizar a produção local e as histórias que nascem dentro da própria Vila é também uma forma de fortalecer o sentimento de pertencimento e projetar novos futuros para o território.
