O diretor da CIA, John Ratcliffe, realizou uma visita não programada a Moscou nesta terça-feira (25). É a primeira vez que um chefe da agência estadunidense vai à Rússia desde novembro de 2021, meses antes do início da guerra da Ucrânia.
De acordo com os dados de rastreamento aéreo, o Boeing C-17A Globemaster III da Força Aérea dos EUA voou de Riga, na Letônia, para o aeroporto Vnukovo, em Moscou, nesta terça-feira (25). Segundo a própria Força Aérea dos Estados Unidos, a função primária do C-17 Globemaster III é o transporte de tropas e cargas.
Após muita especulação sobre a identificação do avião militar dos EUA ter aterrisado na capital russa, fontes ouvidas pela rede de televisão CBS e pela agência Axios informaram que o diretor da CIA, John Ratcliffe, poderia estar a bordo da aeronave. Em seguida, outros veículos dos EUA informaram a mesma notícia.
Posteriormente, a visita do diretor da CIA à Rússia foi confirmada por fontes de Alexander Yunashev, que integra o grupo de jornalistas que acompanha o Kremlin. De acordo com Yanushev, o presidente russo, Vladimir Putin, tinha um “evento de grande escala” agendado para esta terça-feira (25), para o qual “centenas de pessoas” estavam se preparando, mas que foi adiado.
“Considerando que minhas fontes confirmaram que foi o diretor da CIA quem voou para Moscou, podemos agora especular sobre o motivo da mudança na agenda presidencial”, escreveu o jornalista em seu canal do Telegram.
O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, afirmou no início do dia não ter informações sobre a chegada da aeronave estadunidense no aeroporto de Vnukovo.
Em maio, Dmitry Peskov confirmou que havia contatos entre as agências de inteligência de Moscou e Washington. Já o diretor do Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia, Serguei Naryshkin, não exclui que possa acontecer um encontro pessoal com John Ratcliffe.
Em março de 2025, Ratcliffe conversou por telefone com Serguei Naryshkin. Após a conversa, ambos concordaram em manter contato regular, inclusive para reduzir o nível de confronto.
O deslocamento chama atenção porque voos diretos de aeronaves registradas nos EUA entre a Europa e a Rússia são atualmente extremamente raros. Trata-se do primeiro desse tipo desde janeiro deste ano, quando os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner viajaram a Moscou para negociações com o presidente russo, Vladimir Putin, sobre a guerra na Ucrânia.
