política salarial

‘Estrutura distributiva muito ruim’: 70% da população do Brasil vive com até 2 salários mínimos

Economista avalia geração de empregos como importante, porém destaca a necessidade de avanços em qualidades do trabalho

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Desenrola é voltado para dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam em atraso entre 90 dias e dois anos
Desenrola é voltado para dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam em atraso entre 90 dias e dois anos | Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Quase 70% dos trabalhadores brasileiros ganham até dois salários mínimos, segundo levantamento da Pnad Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O contingente representa cerca de 103 milhões de pessoas no mercado formal e informal que vivem com até R$ 3.242 mensais.

Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, o economista Daniel Negreiros da Conceição avalia que os dados mostram um número considerável de brasileiros que dependem do piso do salário para ter uma renda “minimamente perto do limite da dignidade” e que, por essa razão, a política de valorização salarial é muito importante.

Para Conceição, os dados mostram uma redução da desigualdade, mas sugerem uma “estrutura distributiva muito ruim”. Segundo o economista, a grande questão a ser respondida é o que pode ser feito para avançar mais.

“Uma mudança de cenário exige políticas públicas mais agressivas, políticas de provisão de bens e serviços de qualidade que permitam, inclusive, que as pessoas adquiram mais capacidade de buscar as suas rendas, mas também uma gestão macroeconômica que mantenha a nossa economia ativada o suficiente para gerar empregos que ofereçam rendas maiores. Uma outra questão é que esses resultados mostram ainda que as rendas médias ainda estão perto do piso mais baixo. A gente ainda tem espaço para crescer, pois há uma subutilização das nossas capacidades, mesmo que seja no sentido de oferecer preparo maior para que os nossos trabalhadores possam buscar rendas, empregos com remunerações maiores”, explica.

Os índices de empregabilidade no Brasil acabam não significando uma renda alta. Segundo o economista, isso se deve a uma falta de estruturação diante de crises recentes na economia, em especial no período da pandemia e sob a gestão de Jair Bolsonaro, e ataques aos direitos trabalhistas.

“A recuperação em si, obviamente, é desejável, mas não significa que a gente esteja bem. E isso se reflete na qualidade dos empregos. Quando você simplesmente recupera um pouco a atividade econômica, volta a gerar empregos, os primeiros empregos a serem gerados são ainda aqueles empregos de baixa qualidade, empregos pouco remunerados, o subemprego, o emprego informal. Isso tudo ainda mantém a fragilidade do trabalhador”, aponta.

Para uma melhora de cenário, Daniel Conceição destaca que é necessário separar duas agendas que comumente são confundidas “como se fossem dependentes uma da outra”: a agenda tributária e a política de emprego e renda.

“Existe uma grande contradição, que é achar que o governo opera como se fosse uma família, uma empresa que precisa arrumar o dinheiro para depois gastar. E é por isso que a gente confunde o papel dos impostos. As políticas públicas são independentes. Elas dependem da autorização legal para a gente gastar o que precisa gastar. Obviamente, com responsabilidade. Na verdade, responsabilidade econômica e fiscal, financeira, significaria garantir que, quando o governo realiza os seus gastos para promover melhores condições de vida para a população, ele não esgote o que a economia pode responder no sentido de produção”, reforça.

Para ouvir e assistir

O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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