Buscar um candidato com propostas para energia renovável ou para a preservação dos oceanos, ou alguém atuante nas questões de gênero e raça, ou profissional da saúde que aposte em soluções ambientalmente corretas. A plataforma Vote pelo Clima é uma iniciativa que procura conectar eleitores e candidatos a partir da agenda ambiental.
Promovida pelo Instituto Clima de Política, com apoio de mais de 60 organizações, a plataforma procura “fortalecer a democracia por meio da promoção do voto consciente”. Lançada no dia 12 de agosto, a plataforma já conta com 68 nomes validados para as eleições deste ano. Desde o seu surgimento em 2020, mais de 1.100 candidaturas foram apresentadas nas últimas três eleições, sendo que cerca de 190 candidatos se elegeram.
“A agenda climática, na verdade, é um grande guarda-chuva. É uma pauta transversal que atravessa a vida das pessoas. O Vote pelo Clima é sobre votar pela saúde, sobre votar pela segurança pública. A gente tenta trazer isso muito mais próximo da realidade das pessoas, porque a população brasileira, provavelmente, é uma das que tem a maior consciência da crise climática e de que ela está sendo causada pelas pessoas, mas isso muitas vezes não se reflete no voto e não se reflete na ação política”, explica a diretora-executiva do projeto, Beatriz Pagy.
Um exemplo dessa relação é quando um candidato com foco em saúde propõe o uso de painéis solares em hospitais públicos ou transforma um espaço público em refúgio para o calor.
Ao todo são 20 bandeiras políticas: água e saneamento, alimentação e agricultura, cultura, economia e trabalho, educação, energia renovável, gênero e raça, gestão de resíduos, governança e participação, meio ambiente, moradia e habitação, oceanos e zonas costeiras, povos indígenas e comunidades tradicionais, proteção dos animais, redução de desastres, saúde, segurança pública, tecnologia e inovação, transparência e combate à corrupção e transporte e mobilidade. Cada candidato pode escolher até cinco desses temas.
O Vote pelo Clima é uma iniciativa apartidária. Qualquer candidato pode se inscrever, mas, para ter seu nome e propostas divulgadas, é feita uma avaliação, que leva em conta quatro critérios que podem classificá-los: é preciso ter candidatura válida no Tribunal Superior Eleitoral (TSE); não propagar discursos de ódio na internet; não possuir histórico de crimes ambientais; e autodeclarar quatro compromissos mínimos estabelecidos pelo Vote pelo Clima, como a defesa da democracia, o enfrentamento da crise climática, a proteção dos direitos humanos e da justiça climática e o respeito aos limites ecológicos do planeta. Na terça-feira (25), 26 candidatos inscritos estavam em avaliação.
Participação e conscientização
A edição de 2026 da plataforma traz duas importantes novidades. A primeira é uma aba com materiais de apoio para entender as propostas alinhadas com a pauta climática. São PDFs como o “Plano de 10 pontos para a política climática brasileira”, do Instituto Talanoa, ou “OC nas Eleições”, desenvolvido pelo Observatório do Clima após a consulta de cerca de 150 entidades.
Para ampliar o engajamento e a participação, este ano, o site também oferece um link para se inscrever em um grupo de WhatsApp para distribuição e divulgação de temas.
“Temos uma estratégia ampla de engajamento, fortalecendo a participação social das pessoas nos processos políticos, começando com a porta de entrada das eleições”, afirma Beatriz Pagy.
Basicamente, em ambiente digital, as organizadoras da plataforma pensam nela como uma possível ferramenta de participação para além do ciberespaço. “Além disso, a gente já está com mais de 70 organizações parceiras somando com a gente. Então, sempre pode aparecer alguma proposta delas mesmas, da gente, por exemplo, levar isso pra rua, para ações como nas marchas”, conta Samantha Costa, coordenadora de comunicação.
“Nessa ação coletiva de soluções, a gente tem uma série de agendas e propostas dos nossos parceiros que assinam a plataforma junto com a gente”, completa Pagy.
Serviço
Acesse a plataforma Vote Pelo Clima neste link.
