O candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, afirmou nesta quarta-feira (26), em entrevista ao Jornal Nacional, que vai adotar “regime de exceção em favelas” e que essa medida vai permitir que moradores das comunidades “se tornem cidadãos”. Além disso, ele defendeu que o Brasil precisa de uma bomba atômica para ser respeitado mundialmente.
Santos disse que vai retomar todas as áreas dominadas pelo crime organizado no Brasil em um ano, com uma gigantesca operação policial e mudanças na legislação. Para isso, disse se inspirar no modelo de Nayib Bukele, presidente de El Salvador, que acumula denúncias de violações de direitos humanos, torturas, desaparecimentos forçados e prisões arbitrárias.
“A ideia de enfrentamento usando regime especial, aqui o Estado de Defesa, em áreas dominadas pelo crime, eu vou adotar. Vai ter regime de exceção em favela para eu retomar a favela.” Em suas considerações finais, o candidato relacionou essa ação à garantia de que moradores de favelas “se tornem cidadãos”.
Segundo Santos, o foco da ação seriam operações de “retomada territorial” em áreas controladas pelo crime organizado, amparadas por decretos de Estado de Defesa e por uma legislação “mais rigorosa”. Ele afirmou que, em um ano, recuperaria todas as áreas dominadas pelo crime organizado.
Santos ainda retomou a ideia de promover um “banho de sangue”, utilizando como exemplo um caso de um homem morto ao tentar impedir um assalto em São Paulo (SP).
“Eu acho que o sangue que tem que jorrar não é o dele. O sangue que tem que jorrar é o do bandido. Eu acho que as pessoas no Brasil estão pedindo uma guerra. As pessoas estão implorando para que a gente faça justiça contra essas figuras terríveis, esses demônios que estão matando a gente. E cabe ao presidente da República liderar as pessoas nessa guerra”, afirmou.
Além disso, o candidato do Missão disse que pretende investir R$ 6 bilhões na construção de novos presídios federais, que criem de 30 mil a 40 mil vagas cada um. O valor é quase o total do orçamento discricionário aprovado para as 69 universidades federais em 2026, que ficou em cerca de R$ 6,4 bilhões.
Política internacional
Sem criticar as medidas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil, Renan Santos disse que o país é submisso à China e que precisa de uma bomba atômica para ser respeitado mundialmente.
“O Brasil, hoje, é um vassalo da China, de acordo com a ação política do Lula, no cenário global. Onde há uma briga internacional envolvendo interesse chinês, Lula se pronuncia favoravelmente à China”, afirmou, ignorando a posição chinesa de apoio ao Brasil no enfrentamento contra o tarifaço de Trump.
Para ele, está em processo de construção uma nova ordem mundial, baseada em força, não mais em relações diplomáticas.
“Se o Brasil quiser ser uma das cinco maiores nações do mundo, que se presta a sentar na mesa com Estados Unidos, Índia, Rússia e China, ele vai precisar ter soberania, a soberania sobre o seu próprio território, soberania militar, e vai ter que discutir ter bombas atômicas”, afirmou. “Se a gente quiser ser uma nação séria e respeitada nos próximos 30 anos, nós precisamos ter armas nucleares”, complementou.
Machismo
Confrontado com o fato de que o programa de governo dele não traz qualquer proposta de ação contra o feminicídio e violência contra crianças e adolescentes, Renan Santos esquivou-se dizendo que o combate ao crime organizado vai englobar também esse tipo de criminalidade, ignorando dados sobre os diferentes tipos de violência.
“Nossa política de segurança está focada no enfrentamento ao crime organizado, mas isso vai pegar de maneira extensiva essas violências [contra mulheres ou crianças]. Mas essas ações são dos estados e municípios, respeitando o princípio federativo”, afirmou.
E alegou que o fato de 92% dos membros do Missão serem homens está relacionado a um cenário de violência política de gênero, que, segundo o candidato, atinge mais as mulheres de direita.
“A violência política de gênero que acontece contra pessoas, não só do nosso grupo político, mas em geral da direita, é muito maior do que se imagina”, afirmou.
Meio ambiente
A ausência de propostas do candidato do Missão sobre meio ambiente também foi justificada com o argumento de respeitar o pacto federativo, indicando que essa responsabilidade seria de estados e municípios.
“Elas [as propostas] já existem em nível estadual e municipal. Os planos já existem. O problema é que não existe dinheiro, porque o Estado não corta mamata de político, mamata do judiciário”, disse.
STF
Renan Santos foi menos incisivo ao falar do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevistas anteriores, ele havia dito que não iria cumprir “decisões ilegais do STF”.
Porém, confrontando com a afirmação, argumentou que questionaria a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República para determinar se uma decisão do STF pode ser considerada ilegal.
“Decisão ilegal não se cumpre. Se vier uma decisão ilegal que faça as pessoas correrem um risco muito grande, você não pode cumprir. Uma decisão ilegal pode acabar com a vida de uma pessoa”, afirmou.
