A morte por espancamento de Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, injustamente acusado de roubar uma bicicleta em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro (RJ), infelizmente não é um caso isolado e revela as consequências da lógica de “fazer justiça com as próprias mãos”. Até o momento, quatro responsáveis pelo linchamento do jovem foram identificados e presos, e a polícia procura por um quinto suspeito.
O Conselho de Direitos Humanos protocolou um ofício junto à Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro solicitando informações e providências sobre a investigação da morte.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Carlos Nicodemos, conselheiro Nacional de Direitos Humanos, avalia que o que está em disputa é uma “pauta civilizatória”, cenário que ficou agravado com o avanço do extremismo, expresso por discursos de ódio que, infelizmente, fazem parte da atual realidade.
Nicodemos conta que, atualmente, o conselho tem feito esforços constantes para “identificar esses grupos financiados pelo comércio local, grupos que se autodenominam como de segurança, ou mesmo que se colocam numa conexão com a economia do bairro para fazer aquilo que o Estado hoje não consegue fazer no Rio de Janeiro”.
Ele destaca que esses grupos, majoritariamente, não são regulamentados, regularizados, nem têm amparo legal. Atuam como uma milícia.
Carlos Nicodemos defende que a sociedade reivindique uma política de segurança cidadã. “A partir da ausência dessa política, desse hiato, desse vazio, o que é possível afirmar é que existe hoje uma prática ilegal, ilícita, do oferecimento de serviço por meio de seguranças privados, que, na verdade, não são sequer de empresas de segurança regulamentadas pelo Ministério da Justiça, e acabam se colocando ali nesse contexto como braços armados no enfrentamento a esse ambiente de violência que no Rio de Janeiro, infelizmente, ainda se vive e vivemos”, critica.
Segundo o conselheiro, esse cenário, aliado a uma certa naturalização da violência, acabou produzindo a morte do jovem ciclista. “Nós não podemos concordar com esse tipo de banalização da violência. É a barbárie. Quando a gente olha à nossa volta, redireciona as nossas relações sociais para modelos que ficaram há séculos para trás, a gente não pode jamais aceitar esse tipo de situação. Agora, é desafiador para todos nós, para o Brasil, operar efetivamente para além de uma política de segurança pública, uma política de enfrentamento ao discurso de ódio. A motivação do ódio e o silêncio da sociedade é hoje uma pauta desafiadora para o Estado brasileiro”, resume.
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