A sabatina promovida pelo Jornal Nacional na quinta-feira (27) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) focou em investigações da Polícia Federal (PF) envolvendo seu filho, Fábio Luís, e deixou de lado propostas e o projeto de país para um eventual quarto mandato.
Na avaliação do cientista político Mateus de Albuquerque, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), diante do cenário de extrema pressão, o presidente se saiu bem, já que, para quem está na presidência, o cenário é sempre mais difícil. “Enquanto a oposição pode reclamar, reclamar, reclamar, tudo que há de ruim no país vai ser sempre culpa do incumbente, vai ser sempre responsabilidade do incumbente”, avalia.
Albuquerque destaca que, apesar do pouco tempo para falar de projetos, um dos melhores momentos foi quando o presidente teve a oportunidade de falar da educação. “Lula conseguiu demonstrar os impactos reais de suas mudanças, pensando em um horizonte de futuro”, aponta.
A única “derrapada”, segundo o especialista, foi Lula dizer “que nunca tinha visto a lobista Roberta Luchsinger na vida”. “Foi uma derrapada de quem tenta muito enfatizar uma coisa, só que, se você parar para pensar, é óbvio que o Lula já viu todos os lobistas mais importantes de Brasília. O trabalho dos caras é apertar a mão do Lula”, pondera.
Albuquerque frisa que os apresentadores gastaram os primeiros 21 minutos insistindo em supostos escândalos de corrupção que atingem o filho de Lula e a eventual responsabilidade dele, e que isso impediu a entrevista de tocar em outros pontos mais importantes para o país. “E foram denúncias hipertrofiadas, ao meu ver.”
O cientista político prevê que a sabatina de Flávio Bolsonaro (PL) nesta sexta-feira (28) também será bastante focada no tema da corrupção e alerta para uma falsa simetria. “Se isso acontecer, será muito ruim, porque dá a impressão de que tem uma certa simetria entre Lula e Flávio no que tange a escândalos de corrupção, no que tange a denúncias propriamente ditas. E, mesmo que você por acaso venha a preferir o Flávio presidente do que o Lula, objetivamente, o nível de denúncias, o escopo das denúncias não são simétricas. Não é a mesma coisa”, pontua.
Mateus de Albuquerque elogiou a postura de Lula em manter-se firme na defesa de que, em caso de eventual culpa de seu filho, ele terá que pagar pelos erros, e acredita que a campanha de Flávio não deve explorar tanto o episódio.
“A campanha do Flávio não deve usar tanto, porque, convenhamos, denúncia de filho não é exatamente a coisa mais favorável, a arena mais favorável para a família Bolsonaro usar num debate, né? Acho que irão por outras vias”, aponta.
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