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Nova ordem mundial não se reduz à economia e a tiros, diz historiador sobre Cooperação de Xangai

Valério Arcary avalia significado político de reunião anual e aponta decadência de imperialismo dos EUA

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In this pool photograph distributed by the Russian state agency Sputnik, Russia's President Vladimir Putin and China's President Xi Jinping hold a meeting on the sidelines of the Shanghai Cooperation Organisation (SCO) summit in Bishkek on August 31, 2026. (Photo by Kristina Solovyova / POOL / AFP)
Reunião anual da Cooperação de Xangai | Crédito: Kristina Solovyova / POOL / AFP)

A Organização de Cooperação de Xangai (OCX) se reúne nesta segunda (31) e terça-feira (1º), em Bishkek, capital do Quirguistão, com a participação de chefes de Estados de países alinhados com o conceito de uma ordem multipolar, entre eles o presidente da China, Xi Jinping, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian. O bloco, na atual conjuntura, representa uma resistência à hegemonia ocidental dos Estados Unidos e a política externa de Donald Trump.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o historiador Valério Arcary, professor do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), afirma que ainda é prematuro dizer que está acontecendo “uma passagem de bastão” dos EUA como principal ator de influência global para a China. No entanto, há uma evidente tendência de decadência do imperialismo estadunidense.

“Há uma tendência de média e longa duração de uma decadência relativa da hegemonia norte-americana, em primeiro lugar pelo impacto da desindustrialização relativa quando comparada com a China, por exemplo, que os Estados Unidos sofreram. Eu diria que as relações simbióticas, inclusive econômicas, que unem a China aos Estados Unidos, são favoráveis para ambos os Estados”, avalia. “Embora haja tensionamentos crescentes, ainda não há uma passagem de bastão”, continua.

Arcary pondera que, diante desse cenário, fica bastante evidente a estratégia adotada por Washington de buscar aumentar sua zona de influência, submetendo economicamente e também politicamente países da América Latina. “Evidentemente, a América Latina, nesse contexto, é defendida por Washington como uma área de reserva estratégica que os Estados Unidos querem preservar a qualquer custo. Isso tensiona, repito, ou seja, inclui turbulência na relação com a China, porque a presença de investimentos de Pequim na América Latina, a importância das relações comerciais, ou seja, a maior parte da América Latina tem economias que são primário-exportadoras, e a China é a maior compradora”, afirma.

O historiador pontua que o mundo vive em ordem imperialista construída em torno do sistema da Organização das Nações Unidas (ONU), que o atual governo Trump não respeita. E a grande questão, continua Arcary, é que, se antes os EUA podiam se valer de superioridade econômica, militar e financeira para se impor nesse processo, agora estão sendo constantemente questionados a respeito dessa hegemonia. Uma dessas situações mais agravadas é a não admissão da derrota estadunidense diante do Irã e o impacto que a continuidade do conflito tem provocado nas cadeias globais de energia.

“O mundo não se reduz à economia e a tiros, à violência. Ou seja, a preservação de uma ordem mundial estável, mesmo para o poderio do imperialismo norte-americano, não é possível sem também disputa de hegemonia política e ideológica. Há uma luta política e ideológica ininterrupta no mundo que assumiu novas formas depois da vitória do Trump”, resume.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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