O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue na liderança da corrida eleitoral com 47,1% em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), que tem 42,6%, uma diferença de 4,5 pontos percentuais, segundo a pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta segunda-feira (31).
Outros 10,3% dizem que votariam em branco ou nulo ou não sabem em quem votar. Na rodada anterior, em julho, Lula registrava 49,3%, enquanto Flávio tinha 42,8%. Agora, os dois oscilaram para baixo, mas a queda foi maior para o atual presidente.
A cientista política Priscila Lapa avalia que, com a proximidade do dia da votação e a intensidade de eventos ocorridos — sejam novas notícias envolvendo algum tipo de escândalo, sejam as sabatinas e debates–, o eleitorado acaba sendo influenciado diretamente por esses acontecimentos, e isso se expressa nos resultados das pesquisas. Nesse caso, os dois principais candidatos apresentaram alguma queda, sendo para Lula a redução maior.
Lapa destaca que a repercussão das entrevistas nas redes acaba exercendo uma influência direta no eleitor. “Muitas pessoas não assistiram à entrevista ao vivo nem aos debates, mas elas ficam sabendo do que aconteceu, ficam entendendo as performances a partir do que repercute nas redes sociais. Tudo interfere no atual momento”, afirma em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Para ela, o horário eleitoral também tem algum nível de influência na opinião do eleitorado. “Por mais que a pessoa não esteja antenada, assistindo ao horário eleitoral, ela está ali jantando com a família, consumindo aquela informação de uma forma até indireta”, considera.
Cury: ‘Ansiedade do eleitor por algo novo’
Um dos destaques da pesquisa é o crescimento do candidato Augusto Cury (Avante), que não passava de 2% em pesquisas anteriores e aparece com 7,8% das intenções de voto. Segundo Priscila Lapa, os números evidenciam que o candidato está “vencendo a barreira do desconhecimento”. Para um estreante como ele, é algo “super relevante”.
Para Lapa, Cury se diferencia de outros candidatos como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), que são figuras “nichadas” nos seus estados e com relação às quais o eleitor já sabe o que esperar. “De um cenário improvável, Cury, que vem de uma estrutura partidária menor, está parecendo se viabilizar. Ele não se torna irrelevante. É alguém que começa a catalisar em torno do seu nome a ansiedade do eleitor por algo novo”, afirma.
Contudo, a cientista política observa que o cenário da disputa presidencial está cada vez mais cristalizado entre Flávio e Lula, com pouco espaço para grandes surpresas. “Isso já é uma tendência. Ora esse aumento é menos expressivo, ora a diferença entre os dois diminui, mas o que cada rodada vem apresentando é a consolidação de cenário eleitoral”, afirma.
Para ouvir e assistir
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