O presidente chinês, Xi Jinping, anunciou que a China vai criar um centro internacional de cooperação em inteligência artificial com os países da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) e criar 100 projetos de cooperação tecnológica com os membros da organização nos próximos três anos.
O anúncio foi feito nesta terça-feira (1º) durante a cúpula da organização em Bishkek, capital do Quirguistão. Esta é a 26ª Reunião do Conselho de Chefes de Estado da OCX e marca o 25º aniversário da organização, composta por dez membros plenos: Bielorrússia, China, Índia, Irã, Cazaquistão, Quirguistão, Paquistão, Rússia, Tajiquistão e Uzbequistão.
Em seu discurso, Xi também anunciou que a China vai ampliar em 10 milhões de quilowatts a capacidade instalada de energia solar dos países membros e outros 10 milhões em energia eólica, além de criar um centro de cooperação em economia portuária China-OCX em Tianjin e um centro de cooperação em educação básica com os membros da organização.
O presidente chinês convidou os países interessados a participarem da série “Grande Mercado para Todos: Exportar à China”, voltada a ampliar o acesso ao mercado interno chinês para os parceiros da OCX.
Corredor Central
A China defendeu a melhoria do Corredor de Transporte Internacional Transcáspio, uma rota de cerca de 11 mil quilômetros que conecta a China à Europa via Cazaquistão, Mar Cáspio, Azerbaijão e Turquia, combinando ferrovias, rodovias e travessias marítimas.
Em 2025, passaram pelo corredor cerca de 4,1 milhões de toneladas de carga. O tráfego de contêineres cresceu 36% em relação ao ano anterior, atingindo cerca de 77 mil TEU (unidades equivalentes a um contêiner de vinte pés).
Há sete anos, a rota movimentava cerca de 800 mil toneladas por ano. Segundo o Ministério dos Transportes do Cazaquistão, o tempo de trânsito ao longo do corredor caiu de 28 a 32 dias para 13 a 17 dias, tanto pela melhoria na infraestrutura como pela simplificação dos procedimentos aduaneiros.
Quatro centros de segurança
A OCX foi fundada em 2001 principalmente para combater o que os membros chamaram de “três males”: terrorismo, separatismo e extremismo. O escopo da cooperação, 25 anos depois, é muito mais amplo. Em Bishkek, Xi reiterou o compromisso da organização com o combate aos males e pediu agilidade na abertura dos quatro centros de segurança aprovados na cúpula de Tianjin em 2025.
As quatro estruturas são: o Centro Integral de Combate a Ameaças e Desafios à Segurança, o Centro Antidrogas, o Centro de Segurança da Informação e o Centro de Combate ao Crime Organizado Transnacional. Xi afirmou que eles devem fortalecer a capacidade dos Estados-membros de responder a ameaças na região.
Xi defendeu ainda que a OCX se torne plataforma central da Iniciativa para a Segurança Global, proposta pela China em 2022, e reiterou o conceito de segurança nuclear “racional, coordenado e equilibrado”. Quatro países-membros são potências nucleares: China, Índia, Paquistão e Rússia. O presidente chinês pediu que os membros previnam a interferência de “forças externas” nos assuntos internos dos países da organização.
Xi defendeu uma abordagem para a OCX “centrada no povo” e defendeu a construção de redes de cooperação entre órgãos legislativos, partidos políticos, instituições de ensino, centros de pesquisa, empresas e mídias dos Estados-membros.
No encerramento, Xi parabenizou o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, que assume a presidência do Conselho de Chefes de Estado da OCX.
