Neste 7 de setembro, movimentos populares, sindicatos e organizações do campo progressista vão ocupar as ruas de Curitiba (PR) no 32º Grito dos Excluídos e das Excluídas. O ato começa às 14h30 na Praça Tiradentes, marco zero da capital, e passa pelas principais vias do centro.
A mobilização neste ano tem como pautas o direito à terra e à moradia, o combate à violência contra as mulheres e a defesa da paz e da soberania nacional. O Grito é realizado desde 1995 e busca levar às ruas as demandas de populações marginalizadas e em vulnerabilidade.
Com o lema “Na defesa da Terra, da paz e da moradia, erguemos a voz: mulheres vivas e soberania!” e a mensagem “Vida em primeiro lugar”, desde a primeira edição, o 32º Grito é organizado em Curitiba pela Frente de Lutas.
Moradia é tema central da mobilização
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Censo de 2022, mostram que o Paraná possui 541 mil casas e apartamentos vazios — 11 a cada 100 domicílios particulares no estado estão desocupados. Curitiba tem cerca de 103 mil domicílios vazios. O déficit habitacional chega a 90 mil famílias, que não têm moradia digna, segundo levantamento de 2024 realizado pela Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar).
Em 2026, Curitiba registrou mais de 4,5 mil pessoas em situação de rua, frente a 1,7 mil vagas de acolhimento na rede municipal. Ocupações irregulares, conflitos fundiários e a falta de regularização dificultam o acesso de milhares de famílias à infraestrutura e aos serviços públicos. Para os movimentos, discutir moradia também significa discutir o direito à cidade, com acesso a transporte, trabalho, serviços públicos e cultura.
Combate à violência de gênero é uma das bandeiras
No primeiro semestre de 2026, o Paraná registrou 55 casos de feminicídio, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em 2025, foram 87 casos em todo o estado. O governo do Paraná aderiu somente em 4 de agosto de 2026 ao Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, criado pelo governo federal em 2023. O estado era um dos poucos que ainda resistiam à assinatura do acordo.
A medida ocorreu após pressão de movimentos, sindicatos e organizações de mulheres. Essas entidades ainda defendem que as medidas previstas no pacto sejam de fato implementadas. Entre as garantias, há ações de prevenção à violência, proteção das vítimas e fortalecimento de redes de atendimento.
O que é o Grito dos Excluídos e das Excluídas?
O primeiro ato do Grito dos Excluídos foi em 7 de setembro de 1995. A mobilização se espalhou por 170 localidades. O Grito surge como fruto do trabalho das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), como desdobramento da 2ª Semana Social Brasileira.
O Grito é uma mobilização permanente, que mistura bandeiras de luta e fé e cumpre um papel de denúncia e de anúncio de alternativas populares para os problemas modernos. É um processo que une movimentos populares das periferias urbanas, do campo, das comunidades tradicionais, povos indígenas, das mulheres, da juventude e da classe trabalhadora como um todo.
Serviço
32º Grito dos Excluídos e Excluídas
Quando: 7 de setembro, às 14h30
Onde: Praça Tiradentes, Curitiba (PR)

