O espetáculo “A Casa dos Budas Ditosos”, protagonizado por Fernanda Torres, será apresentado nesta quarta-feira (2) e quinta-feira (3), às 21h, no Teatro Guararapes, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife. A montagem, baseada no livro homônimo de João Ubaldo Ribeiro e dirigida por Domingos de Oliveira, chega ao estado celebrando 23 anos de trajetória e aproximadamente 3 milhões de espectadores. Os ingressos custam entre R$ 125 e R$ 590, vendidos pela plataforma Uhuu.
A temporada marca o retorno de Fernanda Torres aos palcos depois da repercussão internacional de “Ainda Estou Aqui”, filme que rendeu à atriz, entre outros reconhecimentos, o Globo de Ouro de Melhor Atriz em 2025. No teatro, ela assume o papel de uma mulher baiana de 68 anos que narra suas experiências e escolhas ao longo da vida a partir de uma perspectiva marcada pela liberdade sexual.
A peça nasceu da adaptação feita por Domingos de Oliveira a partir da obra de João Ubaldo Ribeiro. Publicado em primeira pessoa, o livro apresenta o relato de uma mulher que revisita sua trajetória afetiva e sexual sem associar a experiência da luxúria à culpa ou à condenação. Para o diretor, a estrutura da narrativa já carregava características que favoreciam a transposição para o palco.
“É impossível falar sobre sexo na terceira pessoa”, afirma uma passagem do livro, ideia que ajuda a explicar a escolha por uma encenação centrada na oralidade e na presença da atriz. A proposta é apostar na força do texto e da interpretação, com poucos elementos cênicos.
No palco, Fernanda permanece acompanhada por alguns objetos, entre eles o livro “Nossa Vida Sexual”, de Fritz Kahn, pertencente à biblioteca do avô da personagem, além de pequenas estátuas que representam os chamados Budas Ditosos. A simplicidade da montagem busca colocar o discurso da personagem no centro da experiência teatral.
A escolha de uma atriz de meia-idade para interpretar uma personagem que, aos 68 anos, relembra diferentes momentos de sua existência também faz parte da concepção do espetáculo. A estratégia permite que a personagem transite por diferentes fases da vida sem recorrer a uma representação realista do envelhecimento.
Para Domingos de Oliveira, a personagem criada por João Ubaldo Ribeiro ultrapassa a dimensão das histórias sexuais narradas ao longo do espetáculo. “A narrativa de João Ubaldo Ribeiro contém nítida importância filosófica, disfarçada em folhetins de peripécias sexuais. O personagem sem nome que Ubaldo criou é sem dúvida uma deusa. Ela possui uma liberdade divina almejada na imaginação por todos nós e, na prática, inalcançável por qualquer um de nós”, afirma o diretor.
A montagem também representa uma experiência desejada por Fernanda Torres há anos: a possibilidade de sustentar um espetáculo essencialmente com uma atriz, um texto e um microfone. A opção por uma estrutura enxuta acompanha a proposta de concentrar a atenção do público na narrativa e na interpretação.
Ao longo de sua trajetória, “A Casa dos Budas Ditosos” recebeu reconhecimento da crítica. Fernanda Torres foi premiada com o Shell de Melhor Atriz pela montagem, que também conquistou o Prêmio Qualidade Brasil de Melhor Atriz, Melhor Diretor e Melhor Comédia, em 2004.
