PROGRAMAÇÃO

Recife recebe 29ª edição do Festival Internacional de Dança com mais de 30 atividades gratuitas

Ações começam nesta quinta-feira (3) e seguem até o dia 13 de setembro com espetáculos, performances, oficinas e cinema

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O espetáculo "Céu de Pêssego", da Cia Quasar, faz parte da programação
O espetáculo “Céu de Pêssego”, da Cia Quasar, faz parte da programação | Crédito: Leo Pinheiro/Divulgação

A 29ª edição do Festival Internacional de Dança do Recife começa nesta quinta-feira (3) e segue até o dia 13 de setembro, ocupando diferentes espaços da capital pernambucana com uma programação gratuita e solidária. A abertura é realizada às 20h30, no palco montado na Rua do Observatório, nas imediações da Praça do Arsenal, com a apresentação de “Nosso Baile”, criação do coreógrafo goiano Henrique Rodovalho.

Ao longo de 11 dias, teatros, mercados, ruas e pátios do Recife receberão mais de 30 atividades, entre espetáculos, performances, oficinas, cinema e outras ações ligadas à dança.

Promovido pela Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife, o festival deste ano tem como tema “Corpo/Escola – Formação que Move”. A programação reúne artistas e companhias de Pernambuco, de diferentes estados brasileiros e também do exterior, com apresentações que incluem estreias na cidade e a primeira passagem pela América Latina de um espetáculo do grupo espanhol Iron Skulls Co.

A edição também destaca a formação de novos artistas e o acesso à dança. Todas as atividades são gratuitas, e o público é convidado a contribuir com a arrecadação solidária de alimentos. Entre as iniciativas voltadas à formação está o projeto Primeira Cena, que selecionou quatro trabalhos de artistas e grupos iniciantes de Pernambuco para integrar a programação.

A abertura do festival fica por conta de “Nosso Baile”, de Henrique Rodovalho, que reúne 15 bailarinos de diferentes origens e trajetórias. O trabalho foi apresentado inicialmente em Paris e propõe um encontro entre estilos, gerações e experiências diversas por meio da dança.

No sábado (5), às 18h, o Teatro Hermilo Borba Filho recebe “Puff”, solo do bailarino carioca Hiltinho Fantástico, com direção de Alice Ripoll. A obra explora a dança contemporânea a partir de linguagens urbanas e das experiências que atravessam diferentes territórios sociais.

No mesmo dia, a Avenida Rio Branco será tomada pelo CarnaBall do Futuro, primeira batalha no formato ballroom a fazer parte da programação do festival. A atividade começa às 19h e terá nove categorias de disputa, envolvendo elementos como técnica, coreografia, personalidade, figurino e performance. A proposta também aproxima a cultura ballroom das tradições carnavalescas pernambucanas, tendo o público LGBTQIAPN+ como protagonista.

Outro destaque nacional é “Céu de Pêssego”, da Quasar Cia de Dança, que chega ao Recife em apresentação inédita na cidade. Com coreografia de Henrique Rodovalho, o espetáculo será apresentado no Teatro Luiz Mendonça, no dia 11 de setembro, às 14h e às 20h. A montagem aborda a passagem do tempo e a maturidade a partir das histórias e particularidades dos intérpretes.

A atração internacional da programação será “Famulus 4.0”, do grupo espanhol Iron Skulls Co. O espetáculo será apresentado no Teatro do Parque no dia 9, às 20h, marcando a estreia da companhia no Recife e sua primeira apresentação na América Latina. Em cena, quatro pessoas e um robô estabelecem relações entre o humano e o artificial, colocando em diálogo tecnologia, inteligência e sensibilidade. A apresentação é resultado de uma parceria entre a Prefeitura do Recife, a Embaixada da Espanha e o Instituto Cervantes.

Entre os trabalhos pernambucanos, um dos momentos centrais da programação será a estreia de “O Frevo da Meia-Noite”, criada especialmente para celebrar os 30 anos da Escola de Frevo do Recife Maestro Fernando Borges, uma das homenageadas desta edição. A apresentação será no Teatro de Santa Isabel, no dia 9 de setembro, às 19h, com audiodescrição.

Com direção artística de Inaê Silva, a montagem reúne criação dos artistas-docentes Alice Lacerda, Bhrunno Henryque, José Valdomiro e Júnior Viegas e dramaturgia de Marcelo Sena. A obra parte das relações entre o frevo, a vida noturna e as ruas do Recife para construir uma narrativa sobre encontros, pertencimento, liberdade e ocupação do espaço público.

O elenco é formado por Amanda Colaço, Blandon Aravanis, Gabriele Freitas, José Valdomiro, Letícia Giles, Guilherme Chaves, Rita Monteiro, Shermison Henrique e Victória Alves. A trilha sonora tem criação de DJ Dolores e utiliza a força rítmica do frevo como elemento central.

A Escola de Frevo do Recife foi fundada em 1996 pelo mestre Nascimento do Passo e atualmente oferece aulas gratuitas para mais de 600 alunos por ano, atendendo diferentes faixas etárias. A instituição é reconhecida pelo trabalho de preservação e transmissão do frevo, além de seu papel na formação de novos passistas.

O outro homenageado é o bailarino, coreógrafo e professor Airton Tenório, que morreu em 2024. Responsável pela formação de diversas gerações de artistas, ele fundou a Companhia dos Homens na década de 1980 e teve atuação importante no desenvolvimento da dança contemporânea em Pernambuco.

A programação também inclui nomes como Lia Rodrigues, do Rio de Janeiro, que apresenta “Borda” no Teatro Barreto Júnior, no dia 6, às 19h; João Petronílio, da Bahia, com “Catiço”, no Teatro Hermilo Borba Filho, no dia 12, às 19h; Maria Emília, de São Paulo, com “Colibri”, no Teatro Apolo, também no dia 12, às 20h; e a Cia Sansacroma, de São Paulo, que encerra sua participação com “Carvão”, no Teatro Apolo, no dia 13, às 19h.

A programação pernambucana inclui ainda trabalhos de Totem, Micaela Almeida, Emerson Dias, Cia Etc., Orun Santana, Artia, Alexandre Macedo e Júnior Viegas, além de Iara e Íris Campos, entre outros artistas.

No dia 6, o Grupo Totem apresenta “Coragem Encarnada”, às 16h, no Marco Zero. Já no encerramento, em 13 de setembro, a música e a dança se encontram no Pátio de São Pedro, a partir das 16h, com a Rural de Roger e convidados, entre eles Isaar e DJ Vibra.

A formação de novos profissionais é outro eixo do festival. Por meio do projeto Primeira Cena, quatro trabalhos foram selecionados para integrar a programação: “Orquestrar”, da Aria; “Entreluz”, do Grupo Limiar; “A(R)MADAS”, do Grupo Armação; e “(A)Crescente”, de João Campos.

As obras serão apresentadas no Teatro Barreto Júnior, no dia 8 de setembro, às 19h, em uma noite dedicada a artistas e grupos em processo de consolidação.

O festival também terá uma programação de cinema no Centro de Artes e Comunicação, no dia 8, às 16h30. A sessão CineDança exibirá os filmes “Sangria”, de Domingos Jr., “entre quedas”, de Samuel Dompierry, e “Pele Terra”, de Taína Veríssimo e Zé Diniz. A atividade contará ainda com bate-papo com Camila Saraiva.

Quatro oficinas integram a programação. “Dança e Direção”, com Hiltinho Fantástico e Alice Ripoll, e “Práticas de Encantamento da Matéria”, ministrada por Elisabete Finger, já estão com as vagas preenchidas. As duas atividades acontecem no Paço do Frevo.

Ainda há inscrições previstas para a Oficina de Expressividade Barbarize, que será realizada de 8 a 11 de setembro, das 9h às 13h, no Compaz Dom Hélder, e para a Oficina com Iron Skulls, marcada para o dia 10, das 14h às 17h, na Escola de Frevo do Recife. As inscrições estão disponíveis por meio do perfil @‌culturadorecife no Instagram.

Editado por: Rostand Tiago

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