crise na Corte

Embate entre Moraes e Mendonça escancara natureza política do STF, avalia cientista político

Turbulência na mais alta Corte do país expõe fragilidades institucionais, mas produz efeitos limitados nas eleições

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Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF)
Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF)

Uma crise inédita e de consequências imprevisíveis atingiu o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana, tendo como foco o embate entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, e as respectivas implicações com o caso Banco Master.

Primeiro, Mendonça determinou quebra de sigilo das investigações da Polícia Federal sobre o banqueiro Daniel Vorcaro, expondo mensagens que ele teria trocado com Moraes. No dia seguinte, o jornalista Paulo Motoryn divulgou com exclusividade em sua newsletter Noites Húngaras que Mendonça e Vorcaro também teriam trocado mensagens e favores. Moraes pede ao presidente da Corte, Edson Fachin, que autorize investigação contra Mendonça por abuso de autoridade dentro do âmbito do inquérito das fake news, mas solicitação é negada.

Além disso, Fachin deu prazo de cinco dias para Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor da PF, Andrei Rodrigues, prestarem esclarecimentos ao Supremo sobre as investigações do Banco Master.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Rudá Ricci avalia que todo o episódio escancarou que as decisões da Suprema Corte também são políticas. “Qualquer sociólogo, cientista político sabia disso, mas muitas vezes a gente cria uma imagem pública de que é uma instância de julgamento neutro”, afirma.

A Procuradoria-Geral da República, que, como lembra o cientista político, é “ligada ao Executivo, ainda que não seja ao presidente”, também foi tragada para essa história.

Na visão de Ricci, o encaminhamento de Fachin parece adequado até o momento. “Ele vem ganhando tempo, colocando água na fervura em um momento eleitoral. O que ainda não é possível capturar com certeza é o quanto tudo isso vai impactar a decisão do eleitorado”, aponta.

Sobre os impactos das recentes revelações na corrida eleitoral, Rudá Ricci avalia que, de acordo com a pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (3), ou seja, após os vazamentos, pouca coisa mudou. “O fato é que a avaliação negativa do governo Lula aumentou, mas não afetou a intenção de voto. O que indica que o eleitor pode até não estar tão satisfeito, mas olha para o lado, para opções, e decide ficar com Lula”, pondera. “É tanta notícia negativa que esse ambiente é ótimo para quem é antissistema, tipo Nero da política brasileira, que chega falando em colocar fogo em tudo. E o Flávio está tão contaminado com o Vorcaro que o que ele fala ou deixa de falar pouco impacta para quem já decidiu votar nele”, ressalta.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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