Novo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, divulgado nesta quinta-feira (3), mostra vantagem do ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro (PL). Seguido dele, estão o candidato do campo progressista, Requião Filho (PDT), e o sucessor de Ratinho Jr., Sandro Alex (PSD). Para o cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Emerson Cervi, o crescimento de Moro talvez tenha um limite.
Cervi explica que o levantamento foi feito no começo do horário eleitoral gratuito, que iniciou no dia 28 de agosto, ou seja, no período de transição entre a pré-campanha e a campanha de fato. O pesquisador aponta que, mesmo sem ir aos debates e entrevistas, Moro mantém vantagem porque tem mais visibilidade pública. Em 2022, o ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública de Jair Bolsonaro foi eleito ao Senado pelo Partido União com 33,5% dos votos válidos.
Na pesquisa estimulada, Moro aparece com 45%, Requião Filho, 24%, e Sandro Alex, 17,5%. Adriano Funileiro (PCO) e Tayná Miessa (UP) aparecem com 0,9%. Doutor Alexandre Salomão (Mobiliza) e Luiz França (Missão), com 0,5%. E, fechando o quadro de candidatos ao governo do estado, Samuel de Mattos (PSTU) aparece com 0,4%.
No cenário espontâneo – quando a pesquisa não apresenta os nomes dos candidatos ao participante –, Moro aparece com 24,2% das intenções de voto, seguido de Requião Filho, com 10,2%, e Sandro Alex, com 6,3%.
Também na espontânea, mais da metade dos eleitores não sabe em quem vai votar ou não opinou (51,2%).
Indefinição
O cientista político ressalta que o eleitor comum, “que é decisivo”, ainda não está preocupado com as eleições. Segundo ele, com o início do horário eleitoral, esse eleitorado pode se distribuir e manter o mesmo cenário, ou, caso algum fato novo aconteça, mudar o rumo do pleito.
“Moro é identificado com público lavajatista e, ao concorrer pelo Partido Liberal [PL], agregou também o bolsonarismo”, argumenta. Há, porém, um possível limite de crescimento de apoiadores: “O ‘piso’ de Moro é alto, aproximadamente 40%, mas o ‘teto’ talvez seja baixo”, interpreta Cervi. O especialista observa que, em um eventual segundo turno, Requião Filho ou Sandro Alex podem obter vantagem.
No cenário de segundo turno, contra Moro, Cervi avalia que, “para Requião, vai depender de para onde vão os votos de Sandro Alex, que precisa de mais tempo para ser reconhecido [como candidato de Ratinho Jr.]”.
Disputa para o Senado
O levantamento também apresenta a situação eleitoral dos concorrentes para o Senado. Deltan Dallagnol (Novo) aparece com 30,8% das intenções de voto, seguido de Alexandre Curi (Republicanos), com 28,4%, e Gleisi Hoffmann (PT), com 25,7%.
Completam o quadro de candidatos Filipe Barros (PL), com 22,9%, Cristina Graeml (PSD), com 14,4%, Dr. Rosinha (PT), com 13%; Marcelo Marcelino (PCO), com 1,7%; Joaquim do MLB (UP), com 1,3%, e Karen Guerreiro (Missão), com 0,9%. Na pesquisa espontânea para senador, 71,6% não sabem em quem votar ou não opinaram.
Em 2023, por unanimidade, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o mandato de Dallagnol. O ex-procurador da Lava Jato havia sido eleito para deputado federal nas eleições de 2022. Antes, pediu exoneração do Ministério Público Federal (MPF) para fugir de processos disciplinares pendentes, que poderiam deixá-lo inelegível. Nesses casos, a lei proíbe o lançamento de candidatura.
O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) ainda deve julgar o caso de Dallagnol. Segundo o órgão, todos os pedidos de candidatura serão julgados e publicados até 14 de setembro de 2026, vinte dias antes do primeiro turno.
O Instituto Paraná Pesquisas entrevistou 1280 eleitores de 56 municípios, entre os dias 31 de agosto e 2 de setembro. A amostragem tem grau de confiança de 95% e margem de erro de 2,8 pontos percentuais. A pesquisa foi financiada pela empresa Sedek Serviços e está registrada no TSE sob o n.º PR03399/2026.

