Criado durante a pandemia da covid-19 como uma resposta à sobrecarga dos serviços de saúde, o projeto De Nariz para Nariz, da Associação Nariz Solidário, levou a arte da palhaçaria a 27 unidades de saúde de Curitiba e Região Metropolitana. As intervenções envolveram quase 40 mil pacientes, acompanhantes e profissionais da saúde, nos últimos 14 meses.
O projeto atuou em hospitais, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do Sistema Único de Saúde (SUS) de Curitiba, Campo Largo e Fazenda Rio Grande. A iniciativa encerra sua terceira edição – desde a criação, o De Nariz para Nariz abrangeu mais de 200 mil pessoas.
Entre abril de 2025 e julho de 2026, foram 362 intervenções em ambientes de urgência, emergência e saúde mental. Ao todo, 60 palhaços, entre profissionais contratados e voluntários, participaram das ações, que foram gratuitas.
Nas visitas, os artistas percorrem enfermarias, corredores, salas de espera e setores de atendimento utilizando a linguagem da palhaçaria com o objetivo de dar suporte e acolhimento a pacientes, acompanhantes e equipes das unidades. Hoje, atendem semanalmente CAPS, UPAs, o Hospital Municipal do Idoso Zilda Arns e o Hospital Infantil Waldemar Monastier, na Região Metropolitana de Curitiba.
“As mães e as crianças ficam muito felizes e criam uma expectativa, esperando a hora em que eles chegam para brincar”, conta Alboni Izabel, técnica em enfermagem. O projeto De Nariz para Nariz é viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Uma quarta rodada de ações está prevista para os próximos meses. Para Angelita Silva, diretora do Centro Médico Comunitário Bairro Novo, a presença dos artistas “é uma forma de quebrar a rotina e fortalecer a humanização do cuidado com uma população que precisa de conforto para além da assistência”.
Arte e saúde pública
A palhaçaria se encaixa em parâmetros da Política Nacional de Humanização do SUS, a HumanizaSUS, enquanto ação que propõe ambientes acolhedores, de diálogo sensível e solidariedade. Por se tratar de atividade lúdica, tem mais destaque entre o público infantil, em cenários pré e pós-operatórios, ou de internação.
Segundo os profissionais, os benefícios não são só para os pacientes, mas também para as equipes hospitalares das unidades de saúde. “E isso muda o nosso dia também. Às vezes, a gente está mais triste, eles chegam, fazem uma brincadeira e trazem alegria para nós também”, lembra Izabel.
Mesmo com estudos que apontam os diversos benefícios da palhaçoterapia no ambiente hospitalar, a prática sofre com resistência por parte de profissionais que temem a interferência das ações durante o tratamento de pacientes ou a reprodução de comportamentos inadequados.
Por isso, entidades como a Nariz Solidário promovem também capacitação dos artistas que atuam dentro das unidades de saúde. Os voluntários recebem formação com os integrantes da associação, que possuem experiência e capacitação nas áreas de Artes Cênicas, Teatro e Palhaçaria Hospitalar.

