Resistência

‘Cuba jamais voltará a ser colônia de nenhum império’, afirma Díaz-Canel após provocações de Trump

Presidente cubano responde a mapa publicado pelo presidente dos EUA e reafirma defesa da soberania da ilha

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O presidente de Cuba, Miguel Diaz-Canel, no Dia do Trabalho
O presidente de Cuba, Miguel Diaz-Canel, no Dia do Trabalho | Crédito: Norlys Perez/Pool/AFP

“Cuba, que conhece bem o significado de ter sido colônia e neocolônia de dois impérios, tem claro que jamais voltará a ser colônia de nenhum deles”, afirmou o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, por meio de suas redes sociais, nesta terça-feira (8).

As declarações foram dadas em resposta ao provocativo mapa produzido com inteligência artificial e publicado apenas algumas horas antes pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no qual as cores da bandeira americana cobrem o México, o Caribe, o Canadá, a Groenlândia e a Islândia.

“O sangue que custou sua independência, soberania e autodeterminação não terá sido derramado em vão, e nós as defenderemos até as últimas consequências”, afirmou o mandatário cubano em sua publicação nas redes sociais.

As provocações de Trump ocorrem em um contexto no qual, em reiteradas ocasiões, funcionários de seu governo falaram sobre a realização de ações militares contra Cuba. Enquanto isso, desde o fim de janeiro, o governo dos Estados Unidos mantém uma política de guerra econômica contra a ilha, baseada em um estrangulamento energético e em uma perseguição ativa a qualquer empresa que não seja estadunidense e mantenha negócios com o Estado cubano.

Na segunda-feira (7), o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, tornou público o relatório anual que, ano após ano, a ilha apresenta à Organização das Nações Unidas sobre os impactos do bloqueio econômico dos Estados Unidos contra Cuba.

Entre 1º de março de 2025 e 28 de fevereiro de 2026, o bloqueio teve um custo de US$ 8,083 bilhões para a ilha, a maior cifra já registrada e 7% superior à do mesmo período do ano anterior.

Rejeição internacional

A publicação do magnata nova-iorquino gerou uma imediata e ampla rejeição diplomática. A presidenta mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou nas redes sociais que “o México não é nem será colônia ou protetorado de nenhum país estrangeiro”. E acrescentou: “orgulhosamente somos um país livre, independente e soberano”.

Por sua vez, a chanceler islandesa, Thorgerdur Katrin Gunnarsdottir, convocou formalmente o embaixador dos Estados Unidos para protestar, classificando a publicação como “uma piada de mau gosto” e “inapropriada”. A primeira-ministra, Kristrún Frostadóttir, definiu a publicação como um insulto à soberania dos países envolvidos.

Enquanto isso, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e o ministro das Relações Exteriores, Lars Lokke Rasmussen, classificaram a imagem como “inquietante e inapropriada”, reiterando que o povo da Groenlândia deixou claro, em reiteradas ocasiões, que não deseja fazer parte dos Estados Unidos e que “a Groenlândia não está à venda”.

Provocações desse tipo têm sido uma constante desde a chegada de Trump à Casa Branca. Nas primeiras horas após assumir seu segundo mandato, Trump assinou a Ordem Executiva 14172, que instruía as agências federais dos Estados Unidos, como o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), a denominar o Golfo do México como “Golfo da América” dentro da jurisdição continental americana.

Da mesma forma, em reiteradas ocasiões, o magnata nova-iorquino publicou imagens produzidas com inteligência artificial nas quais sugeria uma apropriação da Groenlândia, o que provocou diversas queixas do governo dinamarquês.

Mais recentemente, em agosto passado, afirmou que “renomearia” o Lago Ontário — compartilhado com o Canadá — como “Lago América”. A medida gerou fortes protestos do governo do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, e do primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford.

Editado por: Rodrigo Gomes

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