Crise

Mendonça afasta Andrei Rodrigues da PF após relatórios usados por Moraes para pedir investigação de ministro por ‘abuso de autoridade’

Diretor de inteligência da corporação também foi afastado; decisão será analisada pela Segunda Turma

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF)
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) | Crédito: Carlos Moura/ SCO/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF). A decisão ocorre em meio à crise instalada na Corte após a divulgação de relatórios de inteligência produzidos pela corporação sobre a atuação de autoridades, entre elas o próprio Mendonça.

Na decisão, o ministro afirmou que a medida é necessária para garantir que integrantes do Supremo, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e servidores da PF possam “exercer suas atribuições sem constrangimentos ilegais”. Mendonça afirma que vem sendo monitorado pela Polícia Federal há mais de 30 dias. Andrei Rodrigues ainda não se manifestou sobre a decisão.

O ministro também determinou o afastamento de Leandro Almada do cargo de diretor de Inteligência Policial da PF. Além disso, suspendeu a produção, elaboração ou compartilhamento de relatórios de inteligência destinados a analisar atos praticados no exercício das funções constitucionais da magistratura, da advocacia pública e da polícia judiciária.

“A suspensão cautelar de função pública é constitucionalmente admissível quando fundada em elementos concretos, submetida à proporcionalidade e destinada a neutralizar risco efetivo à persecução penal ou de utilização indevida das prerrogativas funcionais”, escreveu Mendonça.

Segundo o ministro, a permanência dos dirigentes nos cargos poderia representar risco à obtenção de provas e às investigações. A decisão foi submetida a referendo da Segunda Turma do STF. Mendonça pediu ao presidente do colegiado, Luiz Fux, a convocação de uma sessão virtual extraordinária ainda nesta terça. O julgamento, no entanto, foi adiado após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes na manhã desta terça.

Além de Mendonça, Fux e Mendes, integram a Segunda Turma Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli. Este último tem se declarado impedido em julgamentos relacionados ao caso Banco Master.

Relatórios ampliaram crise no Supremo

O afastamento ocorre após a revelação de relatórios de inteligência da PF que analisaram a atuação de Mendonça na condução das investigações relacionadas ao Banco Master. O material foi posteriormente utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes ao pedir a apuração de possíveis irregularidades cometidas pelo colega.

Moraes citou o material ao apontar suspeitas de abuso de autoridade e outras irregularidades na condução das investigações por Mendonça. O episódio aprofundou o embate entre os dois ministros e levou o presidente do STF, Edson Fachin, a abrir um procedimento para que Moraes, Mendonça, Andrei Rodrigues e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentassem esclarecimentos.

Mensagens não comprovam interferência de Andrei

A decisão desta terça foi tomada na análise de um pedido apresentado pelo partido Novo, que havia solicitado inclusive a prisão preventiva de Andrei Rodrigues. Mendonça não acolheu o pedido de prisão e optou pelo afastamento cautelar.

A representação se baseia, entre outros elementos, em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Em uma delas, enviada a Alexandre de Moraes uma semana antes da primeira prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, o banqueiro menciona o diretor-geral da PF ao falar sobre a possibilidade de adiar uma operação.

“Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”, escreveu Vorcaro a Moraes, segundo mensagens extraídas pela investigação e divulgadas pela imprensa.

Em outra conversa, o banqueiro questionou: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?”. A referência seria a Paulo Gonet e Andrei Rodrigues.

As mensagens mostram uma tentativa de Vorcaro de obter ajuda para interferir no calendário da investigação, mas, por si só, não comprovam que Rodrigues tenha atendido aos pedidos ou mantido relação com o banqueiro. O próprio Novo reconheceu, ao pedir inicialmente o afastamento, que não havia comprovação de que o diretor-geral tivesse atuado para proteger Vorcaro ou os interesses do Banco Master.

Daniel Vorcaro foi preso durante a gestão de Andrei Rodrigues.

Editado por: Geisa Marques

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