A Rede EcoAção Socioambiental RMC é um projeto voltado a fortalecer a participação social e debater os desafios climáticos e ambientais na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). As atividades iniciaram em agosto de 2026. A rede articula organizações da sociedade civil, comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, movimentos, universidades e poder público.
Entre as principais questões socioambientais da Grande Curitiba, algumas são comuns a todos, como a emergência climática, a gestão de resíduos, a proteção das águas e as desigualdades sociais. Diante desse cenário, o projeto busca, em conjunto, identificar desafios e construir propostas para políticas públicas.
O projeto é executado pelo Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo (Cefuria), organização paranaense que trabalha com educação popular e formação política, em parceria com a Itaipu Binacional. A rede mobiliza 12 municípios do primeiro anel metropolitano em torno da participação social e da governança socioambiental.
Com duração prevista de 12 meses, a iniciativa pretende reunir cerca de 400 participantes, entre catadoras e catadores organizados em cooperativas, agricultoras e agricultores familiares, educadores populares, povos originários, comunidades tradicionais e representantes de organizações da sociedade civil. O objetivo é identificar problemas, fortalecer capacidades locais e construir propostas para políticas públicas a partir de diagnósticos participativos realizados nos territórios.

No mês de setembro, a Rede EcoAção busca aprofundar esse processo em municípios que compartilham desafios relacionados à crise climática, aos recursos hídricos, à destinação de resíduos e às desigualdades territoriais. O projeto nasceu a partir de trabalhos junto aos Núcleos de Cooperação Socioambiental, iniciativa da Itaipu Binacional e do Itaipu Parquetec, espaços coletivos de articulações voltadas para a construção de políticas de participação social e governança participativa.
Segundo o coordenador do projeto pelo Cefuria, Lucas Paulatti, o mapeamento está em fase de conclusão, com 36 organizações identificadas nos 12 municípios. E, em seguida, o projeto vai aprofundar o diagnóstico sobre as características e necessidades de cada território.
Entre os grupos mapeados estão organizações de catadores de materiais recicláveis, iniciativas de agricultura familiar e urbana, como hortas comunitárias, instituições de ensino, comunidades tradicionais e indígenas e organizações não governamentais que trabalham com educação e proteção ambiental.
Crise climática além da dimensão ambiental
Uma das discussões centrais que orientam a Rede EcoAção foi realizada durante a atividade “Análise de conjuntura: crise climática e desafios socioambientais”, promovida em agosto como parte do encontro de imersão do projeto. A atividade apresentou a emergência climática como um fenômeno que atravessa questões relacionadas à moradia, alimentação, saúde, infraestrutura urbana, gestão de resíduos e condições de vida da população.
O debate apontou para o fato de que os impactos climáticos não atingem todos os territórios da mesma forma e tendem a agravar situações já marcadas pela desigualdade social.
Pesquisadores, educadores, agentes territoriais e integrantes de movimentos sociais discutiram como o conhecimento produzido nas universidades pode dialogar com os saberes populares e com as experiências cotidianas das comunidades. Com o objetivo em comum de compreender os riscos que existem e formular respostas mais adequadas às realidades locais.

Ao relacionar padrões de produção e consumo aos impactos ambientais, o debate reforçou a necessidade de compreender as origens dos problemas antes da elaboração de políticas e estratégias de intervenção.
Eloy Fassi Casagrande Junior, professor e coordenador dos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação Emergências Climáticas (Napi-UTFPR), chama atenção para as causas estruturais da degradação ambiental. “A mudança da tecnologia por si só não vai mudar o rumo das coisas. É o sistema que precisa ser avaliado. O grande problema de todas as crises está no consumo e não há como reciclar tudo o que produzimos”, afirma.
Construção coletiva: dos territórios às políticas públicas
A construção de soluções a partir dos próprios territórios é um dos princípios que orientam a Rede EcoAção Socioambiental RMC. A proposta parte da escuta das comunidades, do mapeamento das organizações e da identificação de suas potencialidades, desafios e demandas.
Esse processo alimentará a formação de “Coletivos Territoriais Socioambientais”, concebidos como espaços de governança e integração entre as organizações. Neles, será possível trocar experiências, discutir as demandas identificadas no diagnóstico e levantar novas questões que emergem da realidade local.
Segundo a coordenação do projeto, esse é um movimento de construção “de baixo para cima”. Conhecimentos, experiências e demandas produzidos nos territórios orientam a estruturação de propostas e a incidência sobre as políticas públicas.

Cada ação do projeto é alinhada aos variados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030 – plano de ação global adotado em 2015 pelos 193 Estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU). A iniciativa também se articula com o Fórum de Participação Social do Paraná, vinculado à Secretaria-Geral da Presidência da República, que reúne movimentos sociais, redes e entidades da sociedade civil.
Próximas ações
A partir das demandas identificadas nos territórios, a Rede EcoAção avançará para as caravanas, mobilizações regionais que reunirão a rede para fortalecer a articulação entre os municípios e pactuar compromissos. As propostas construídas ao longo desse processo serão sistematizadas em um caderno de soluções, reunindo as principais demandas e definições levantadas pelas comunidades.

A comunicação popular e a educomunicação também integram essa estratégia. Agentes e comunidades vão registrar e dar visibilidade às realidades de seus territórios, transformando informações sobre vulnerabilidades, experiências e tecnologias sociais em instrumentos de participação, memória e mobilização.
Desse modo, a comunicação deixa de ser apenas uma forma de divulgar as ações e passa a contribuir para que os sujeitos dos territórios tenham voz na construção das narrativas e das propostas.

