O filme “A Pele Morta” será destaque na abertura do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que começa nesta sexta-feira (11), no Cine Brasília. Dirigido pelos irmãos Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres, com produção de Solange Moraes e roteiro de Daniel Tavares, a história conta a trajetória de um caminhoneiro uruguaio (César Troncoso) e seu ajudante (Luan Iturve), um jovem rapper guarani-kaiowá.
A dupla percorre estradas que cruzam o Brasil e o Paraguai. No caminho, a dupla dá carona a Rosario, interpretada pela atriz paraguaia Ivana Gomez. O drama se desenvolve a partir da convivência e da solidariedade entre os três e em direção ao que cada um procura.
Falado em português, espanhol e guarani, o filme esteve em processo de criação desde 2014. A liderança criativa foi do saudoso cineasta Geraldo da Rocha Moraes, junto de sua esposa, Solange Moraes, e do roteirista Daniel Tavares, após se conhecerem em uma viagem à Escuela Internacional de Cine y Televisión (EicTV), no município cubano de San Antonio de los Baños.
Para aprofundar a pesquisa e aprimorar a narrativa do filme, Daniel Tavares chegou a viajar de Dourados (MS) até a cidade de Uyuni, na Bolívia. Depois, reescreveu o roteiro na Bahia junto de Geraldo e Solange, ajustando o percurso geográfico e poético da trama.
No entanto, a produção do longa foi interrompida após a morte de Geraldo em 2017, aos 78 anos. Como forma de homenagem ao diretor, Solange convidou os filhos do cineasta, Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres, ambos com formação em cinema, para dar continuidade ao trabalho.
“Abrir o festival com um filme protagonizado por um jovem rapper indígena permite discutir como o protagonismo indígena no audiovisual atua como instrumento de resistência decolonial”, avalia Denise.
Bruno comemorou a exibição do filme como desejo do pai. “Ver o filme chegar agora a um festival tão importante e de uma forma tão simbólica tem um significado especial. Uma obra que superou tantos desafios finalmente encontra sua própria luz e começa a pertencer ao público, como meu pai Geraldo sempre almejou que assim fosse”, disse.
Além do vínculo familiar que envolve a produção, “A Pele Morta” também mantém uma forte ligação com Brasília e com o legado de Geraldo Moraes. “A estreia do filme na abertura do Festival de Brasília encerra um ciclo de profunda ligação com o território. Brasília foi a cidade onde meu marido, Geraldo Moraes, viveu, produziu e ensinou por três décadas na UnB, depois de ter vivido no Rio de Janeiro e em Goiás”, lembra Solange Moraes.
Serviço
Exibição de “A Pele Morta” no Festival de Brasília
Data: sexta-feira (11)
Local: Cine Brasília
Horário: 19h30
Confira o trailer:
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