Vinte mulheres da Restinga, na zona sul de Porto Alegre, concluem nesta sexta-feira (11) uma formação para atuar na defesa dos direitos das mulheres e no enfrentamento às violências de gênero. A cerimônia de formatura das novas Promotoras Legais Populares (PLPs) ocorre às 13h, no auditório do campus Restinga do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS).
Realizada pela Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, a formação começou em maio e contou com o apoio do campus Restinga do IFRS, do Serviço de Informação à Mulher (SIM) Restinga e da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).
Durante o curso, as participantes discutiram temas como saúde das mulheres, direitos sexuais e reprodutivos, violência de gênero, Lei Maria da Penha, feminicídio, acesso à Justiça, políticas públicas e atuação comunitária.
A proposta das Promotoras Legais Populares é fazer com que o conhecimento produzido durante a formação circule pelos territórios. As mulheres formadas passam a atuar como multiplicadoras de informações, contribuindo para que outras moradoras conheçam seus direitos e possam acessar os serviços da rede de proteção.
A metodologia desenvolvida pela Themis articula conhecimentos sobre direitos, troca de experiências e construção coletiva de estratégias para enfrentar desigualdades e violências de gênero.
Para a diretora executiva da organização, Jéssica Miranda Pinheiro, ampliar o acesso à informação nas comunidades é também uma forma de fortalecer a cidadania das mulheres. “As Promotoras Legais Populares têm um papel fundamental na multiplicação desses conhecimentos e na construção de redes de apoio nos territórios”, afirma.
Conhecimento como ferramenta de proteção
A conclusão do curso não representa apenas o encerramento de uma etapa de aprendizagem. A partir da formatura, as novas PLPs passam a integrar uma rede de mulheres mobilizadas pela defesa dos direitos humanos, pela democratização do acesso à Justiça e pelo enfrentamento à violência de gênero.
A iniciativa parte do reconhecimento de que o acesso a informações sobre direitos e políticas públicas nem sempre ocorre de forma igual nos diferentes territórios. Nas periferias, a atuação comunitária pode contribuir para aproximar as mulheres dos serviços existentes e fortalecer respostas coletivas às situações de violência.
Na Restinga, a formação aposta justamente no protagonismo das moradoras para ampliar as redes de proteção e fazer circular informações sobre os caminhos possíveis diante de violações de direitos.
A cerimônia deve reunir as formandas, familiares, representantes da Themis, instituições parceiras e integrantes da comunidade.
