TRILHAS DA PELVE

Oficinas gratuitas de danças realizadas no Compaz seguem com inscrições abertas no Recife

Projete oferece atividades práticas em danças pélvicas, passando pelo twerk, bregafunk e funk

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Oficinas seguem até outubro, na rede Compaz
Oficinas seguem até outubro, na rede Compaz | Crédito: Morgana Narjara/Divulgação

O projeto Trilhas da Pelve realiza, entre 19 de setembro e 11 de outubro, oficinas gratuitas de dança em quatro unidades da Rede de Centros Comunitários da Paz (Compaz), com inscrições abertas no Recife. Coordenada pela dançarina Vivian Marvel, a formação passa pelos Compaz Leda Alves, Miguel Arraes, Dom Hélder Câmara e Paulo Freire, sempre aos finais de semana, com atividades teóricas e práticas voltadas às danças pélvicas, incluindo twerk, bregafunk e funk. Cada turma terá 20 vagas.

As inscrições para as primeiras oficinas, realizadas nos Compaz Ariano Suassuna e Eduardo Campos, já foram encerradas. Para as próximas turmas, as candidaturas devem ser feitas até a semana anterior à realização de cada atividade, por meio de formulários on-line específicos, disponíveis no perfil do Instagram @trilhasdapelve.

A formação tem carga horária de quatro horas, distribuída em dois dias. Durante os encontros, os participantes terão contato com aspectos históricos e culturais das danças pélvicas, além de atividades de reconhecimento corporal e experimentação de movimentos.

Segundo Vivian Marvel, a proposta é ampliar o acesso à formação em dança em diferentes regiões da capital, especialmente nos territórios atendidos pela Rede Compaz.

“Nosso intuito é democratizar o acesso à cultura para diferentes áreas do Recife, principalmente nas áreas ocupadas pela Rede Compaz, que são áreas de grandes periferias, onde mais circulam e são difundidas linguagens pélvicas originais do Recife”, afirma a artista, que também atua como agente territorial do Ministério da Cultura.

A oficina também pretende relacionar o movimento corporal às histórias e às referências culturais presentes nos territórios onde os participantes vivem. A partir das danças pélvicas, o projeto busca estimular o reconhecimento da ancestralidade e a construção de vínculos entre pessoas que compartilham experiências e referências semelhantes.

“E, além disso, nosso objetivo é fazer um resgate da ancestralidade pélvica por meio das oficinas através das danças pélvicas para que essas pessoas possam se identificar tanto com as movimentações como também construir um mapa de identificação com o território que habitam”, explica Vivian.

A próxima atividade será realizada no Compaz Leda Alves, nos dias 19 e 20 de setembro. As inscrições podem ser feitas até 12 de setembro.  Na sequência, o Compaz Miguel Arraes recebe a oficina nos dias 26 e 27 de setembro, com inscrições abertas até 19 de setembro. No Compaz Dom Hélder Câmara, a formação acontece nos dias 3 e 4 de outubro, e os interessados podem se inscrever até 26 de setembro. Encerrando o ciclo, o Compaz Paulo Freire recebe as atividades nos dias 10 e 11 de outubro. Nesse caso, o prazo para inscrição vai até 3 de outubro.

As vagas são destinadas a artistas das áreas de dança, teatro e performance, com idade entre 18 e 70 anos. A seleção considera critérios raciais, de gênero e sexualidade, territoriais e socioeconômicos, priorizando, entre outros públicos, pessoas negras e indígenas, integrantes da comunidade LGBTQIAPN+, moradores das proximidades dos Compaz e artistas periféricos ou em situação de vulnerabilidade.

Cada oficina também terá cinco vagas reservadas exclusivamente para artistas com deficiência auditiva, com a presença de intérpretes de Libras para garantir a acessibilidade comunicacional.

As pessoas selecionadas serão anunciadas semanalmente no perfil do projeto no Instagram e também receberão contato por e-mail e WhatsApp. Após o recebimento da mensagem, será necessário confirmar a participação em até 48 horas.

O conteúdo das oficinas combina pesquisa e prática corporal. No primeiro dia, são abordadas as origens e os contextos históricos das expressões trabalhadas, além de personalidades e curiosidades relacionadas às linguagens. Na parte prática, os participantes exploram as possibilidades de movimentação da pelve, o reconhecimento anatômico e diferentes formas de expressão.

No segundo encontro, a formação avança para aspectos técnicos, criação coreográfica e experimentação de passos e movimentos relacionados ao Twerk, Brega Funk e Funk. A identidade e as referências ancestrais dos participantes são utilizadas como ponto de partida para a criação.

A iniciativa também pretende reunir informações sobre a presença dessas linguagens em diferentes regiões da capital pernambucana.

“O projeto ainda prevê uma expansão, na qual o objetivo é construir uma grande cartografia para mapear e documentar a existência dessas linguagens pélvicas dentro do Recife, principalmente por ser um lugar que tem uma linguagem original, que é o Brega Funk”, detalha Vivian.

Ao final do ciclo, os participantes serão convidados a desenvolver obras coreográficas e performáticas, podendo incorporar elementos de outras linguagens artísticas, como teatro e música. Os trabalhos deverão integrar a 2ª edição da Mostra de Danças Pélvicas, prevista para novembro, com data e local ainda a serem divulgados.

Quem cumprir pelo menos 80% da carga horária receberá certificado.

Editado por: Rostand Tiago

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