O Paraná enfrenta nesta sexta-feira (11) chuvas intensas e vendavais que ameaçam a formação de tempestades severas em todo o estado. Em boletim meteorológico emitido pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) e pela Defesa Civil, a sexta-feira é destacada como o dia com mais alertas, principalmente para as regiões Oeste, Sudoeste e dos Campos Gerais.
No fim da tarde desta quarta-feira (9) e na madrugada desta quinta (10), foram registrados dois tornados no estado, um no município de Francisco Alves (PR) e o outro em Espigão Alto do Iguaçu (PR). Os impactos foram sentidos na estrutura de duas escolas e plantações das regiões, mas não há registro de pessoas feridas, até o momento.
A sexta-feira será o dia mais extremo nas previsões meteorológicas de 2026 para o território paranaense. Os efeitos são apontados como risco alto para o Norte, o litoral e o Leste, enquanto as demais regiões indicam alertas de preocupação muito altos na previsão realizada pelo Simepar e pela Defesa Civil do estado.
De acordo com a Defesa Civil, o mês de agosto registrou a maior quantidade de desastres ambientais na história do Paraná. Neste caso, o esperado é que o cenário deste tipo de calamidade se intensifique nos meses de setembro e outubro.
Relação com o Super El Niño
O aumento do número de tempestades acontece em meio à primavera, período em que as chuvas são mais intensas, e ao acentuamento do fenômeno El Niño. “Todo o cenário previsto, que é o cenário do El Niño, já está trazendo impactos no estado”, afirma Ivan Ricardo Fernandes, coordenador executivo da Defesa Civil do Paraná.
O El Niño é um fenômeno natural que provoca o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que, neste ano, está classificado como “Super”, devido à sua alta intensidade. Os indícios são de que o aquecimento global e a emergência climática são o motivo do desequilíbrio no evento.
Na região Sul do Brasil, o fenômeno comumente implica na variação do volume de chuvas e ocorrência de tempestades, enquanto outras regiões, como Norte e Nordeste, registram secas e altas temperaturas. “O cenário do El Niño vai até o ano que vem, então possivelmente até maio do ano que vem, todos os meses com precipitações acima da média histórica que nós temos no estado”, destaca Fernandes.
“O cenário é de preocupação. Desastres não se enfrentam apenas depois que acontecem”, afirma Katya Isaguirre, professora de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A coordenadora do Ekoa (Núcleo de Pesquisa e Extensão em Direito Socioambiental) argumenta que a segurança climática e a prevenção de desastres ambientais requerem um conjunto de ações coordenadas, articuladas entre si e desenvolvidas a curto, médio e longo prazo.
Prevenção de desastres nos municípios paranaenses
Mais da metade das cidades do Paraná não estão preparadas para enfrentar desastres climáticos, segundo um estudo recente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR). Em questionário respondido pelas prefeituras, 60,9% afirmam não ter espaço físico dedicado exclusivamente para ações de trabalho da Defesa Civil.
Em 2025, foram registrados desastres naturais em 246 municípios do estado. A região da cidade de Rio Bonito do Iguaçu (PR) foi atingida por um tornado de categoria F4 – o penúltimo estágio de intensidade na Escala Fujita Aprimorada, resultando em 6 mortes na cidade de Rio Bonito do Iguaçu e uma morte no assentamento Nova Geração, em Guarapuava (PR) – mais de 2 mil pessoas ficaram desalojadas.
“Precisamos de políticas públicas e instrumentos jurídicos que deem efetividade ao direito humano e fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e que considerem a diversidade cultural, a memória e os conhecimentos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais,” declara Isaguirre.
A Coordenação Estadual de Defesa Civil (Cedec) alerta para a importância de fortalecer as gestões municipais do estado e promover ações de prevenção aos desastres ambientais. O órgão vem promovendo ações de orientação com as prefeituras para limpeza de bueiros, desobstrução de galerias e córregos e desassoreamento, entre outras iniciativas.
“O que a gente precisa é que os municípios, os gestores públicos, estejam cada vez mais sensibilizados com essas questões de defesa civil e busquem as soluções das causas do problema”, afirma Fernandes. Os municípios podem ter acesso a recursos pelo Fundo Estadual para Calamidade Pública (Fecap), disponibilizado pela Defesa Civil para implementação de ações de prevenção e mitigação ambiental.
A população deve se cadastrar no serviço de mensagens da Defesa Civil, pelo número 4099, em que são repassadas informações a respeito dos cenários de calamidade ambiental. Também há uma formação voluntária e articulação em coletivos para ações em desastres junto ao órgão.

