O debate entre candidatos para o Governo do Distrito Federal (GDF) promovido pelo Metrópoles na noite desta quinta-feira (10) foi marcado por sucessivos pedidos de direito de resposta, interrupções e discussões sobre as declarações dos próprios candidatos. Em diferentes momentos, acusações e esclarecimentos ocuparam espaço que seria destinado à apresentação de propostas.
O encontro reuniu Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Cappelli (PSB) e Kiko Caputo (Novo), no auditório do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), na Asa Sul. A instituição tem entre seus principais sócios o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e seu filho, Francisco Schertel Mendes.
Uma das particularidades do debate foi a Comissão Julgadora de Direito de Resposta, presidida pelo desembargador do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) Roberval Belinati. Pelas regras divulgadas pelo Metrópoles, a comissão avaliaria pedidos relacionados a possíveis casos de calúnia, difamação, injúria, afirmações sabidamente inverídicas ou gravemente descontextualizadas.
O debate foi dividido em quatro blocos. No primeiro, os candidatos perguntaram entre si; no segundo bloco, jornalistas do Metrópoles fizeram perguntas aos candidatos; no terceiro, os candidatos voltaram a fazer questionamentos entre si e, no último bloco, fizeram considerações finais.
Na prática, os pedidos de resposta interferiram na sequência das perguntas e respostas, principalmente nos primeiros blocos. Só no primeiro bloco, sete direitos de resposta foram concedidos. Em vários momentos, os candidatos passaram a contestar declarações feitas anteriormente, enquanto as propostas ao governo ficaram em segundo plano.
Ausência de políticas públicas
Leandro Grass criticou as políticas de segurança voltadas às mulheres. “O feminicídio aumentou quase 30% de um ano para o outro aqui no DF porque não tem política de combate ao feminicídio, não tem política de prevenção”, afirmou.
Grass ainda questionou a composição da chapa de Celina e a presença de ex-integrantes do governo Ibaneis. Segundo ele, 12 ex-secretários da atual gestão fazem parte da chapa da candidata. “Sabe quantos ex-secretários do Ibaneis têm na chapa da Celina? Doze, entre eles a secretária que colocou a educação no DF no último lugar do Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], a pior educação pública do Brasil. Esse é o time da Celina, o time da derrota e do fracasso”, disse.
Celina Leão afirmou que não é responsável pela gestão de Ibaneis Rocha, da qual foi vice-governadora. Grass rebateu a declaração: “Se você não estava no governo, Celina, devolve o salário de R$ 33 mil que você recebeu por mês”, disse.
Na sequência, o petista direcionou críticas à atuação do governo na área de corrupção e à situação financeira do Distrito Federal: “O que eu vejo desde o início desse governo não é combate à corrupção, é exercício da corrupção, é prática de corrupção, e quem está falando isso é o Ministério Público e a polícia. Essa direita do DF fala que tem responsabilidade fiscal, mas quem quebrou o DF foi a direita; falam que a esquerda não sabe governar, mas quem roubou o BRB foi a direita”, afirmou.

Educação e serviços públicos
A educação também foi alvo de críticas durante o debate. Ricardo Cappelli questionou a estrutura das escolas, as condições de trabalho dos professores e o atendimento a estudantes com deficiência. “Por que aqui na educação a gente está vendo salas superlotadas? Por que a gente está vendo os professores adoecendo? Porque toda sala de aula tem dois, três estudantes com deficiência e não tem uma política que apoie as mães atípicas e que apoie os professores em sala de aula”, questionou Cappelli.
Cappelli também levou a discussão para a saúde e questionou a aplicação de recursos públicos no setor. “Escolha a UPA que você quiser para você ver a dor e o sofrimento. Não é possível que o Distrito Federal continue nesse rumo. Tem gente que chega na UPA e não tem fio de sutura para dar ponto. “Celina, cadê o dinheiro da saúde?”, questionou.
José Roberto Arruda (PSD) também direcionou críticas à atual administração e apresentou a gestão Ibaneis-Celina como continuidade administrativa. O candidato citou problemas em áreas como saúde, educação, segurança e obras.
“O governo Ibaneis-Celina é o pior governo da história de Brasília: venderam a CEB [Companhia Energética de Brasília] a preço de banana, quebraram o BRB, o governo está em recuperação judicial, é uma situação horrível. A saúde de Brasília nunca foi tão ruim”, afirmou Arruda.
O ex-governador também questionou a estrutura administrativa e os gastos do Executivo local. “Eu governei com 18 secretarias; hoje são 37. Eu governei com 12 mil cargos em comissão; hoje são 28 mil. […] É um governo que gasta muito e resolve pouco para a sociedade”, disse.
Negócios da família
As relações entre empresas ligadas à família de Celina e contratos públicos também apareceram entre os principais questionamentos. Paula Belmonte (PSDB) perguntou à candidata sobre uma licitação realizada durante o período em que ela ocupava a vice-governadoria e sobre pagamentos recebidos por uma empresa ligada ao marido e à filha de Celina.
“A senhora, mais uma vez, esteve nas páginas dos jornais falando a respeito de uma licitação que foi feita no seu gabinete da vice-governadoria e que, logo em seguida, foi contratada uma empresa do seu marido e da sua filha. Essa empresa ganha R$ 100 mil por mês; nós falamos de R$ 1,4 milhão só nesta licitação. A senhora acha correto o que está acontecendo?”, questionou Paula.
Em resposta, Celina negou que o marido tenha negócios com o governo do Distrito Federal. “Meu marido tem negócio privado, com nota fiscal tirada, paga o imposto e não tem nenhum negócio com o governo, nunca teve negócio”, afirmou Celina.
Instagram e publicidade
Kiko Caputo (Novo) criticou a estratégia de comunicação do governo ao questionar os gastos com publicidade. O candidato citou a diferença entre a imagem apresentada nas redes sociais da governadora e os problemas enfrentados pela população nos serviços públicos.
“O Distrito Federal vive o pior momento da sua história, com serviços públicos de péssima qualidade, principalmente na área da saúde. A senhora tem dito por aí que economizou R$ 20 milhões do aniversário da nossa cidade, mas, em compensação, gastou mais de R$ 1 bilhão com propaganda. Gostaria de morar no seu Instagram, porque lá tudo funciona perfeitamente”, afirmou Kiko.
Celina respondeu às críticas apresentando ações da administração na área da saúde. Segundo ela, o governo contratou novos profissionais, realizou cirurgias e consultas e iniciou obras e reformas em unidades de saúde.
Em outro momento do debate, Celina também reagiu às críticas recebidas durante o encontro. A candidata afirmou que os demais concorrentes estavam concentrando os questionamentos em sua candidatura. “Os últimos dois debates em que eu participei frustraram a expectativa dos telespectadores porque eles não falavam, parecia um jogo de comadres. Era o ataque exclusivamente à nossa candidatura, como se fosse um chapão, uma grande coligação”, afirmou.
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