SOBERANIA

MST ocupa ruas de BH nesta sexta em jornada por reforma agrária e democracia

Milhares de trabalhadores Sem Terra participam de mobilização na capital mineira

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A mobilização começou ainda pela manhã, com concentração na Praça da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e marcha em direção ao Centro da capital.
A mobilização começou ainda pela manhã, com concentração na Praça da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e marcha em direção ao Centro da capital. | Crédito: Junio Silva/MST

Milhares de trabalhadores e trabalhadoras sem terra, vindos de diferentes regiões de Minas Gerais, ocupam as ruas de Belo Horizonte nesta sexta-feira (11) em uma jornada de mobilização por soberania popular, democracia, reforma agrária e direitos para as populações do campo e da cidade.

A mobilização começou ainda pela manhã, com concentração na Praça da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e marcha em direção ao Centro da capital. No trajeto, os manifestantes passaram pela sede da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), onde apresentaram reivindicações relacionadas ao acesso à energia elétrica em assentamentos e comunidades rurais.

A programação segue durante a tarde. Às 15h, o Viaduto Santa Tereza recebe um ato em defesa da Reforma Agrária. À noite, às 18h, a mobilização termina com o ato popular “Ocupar as ruas, defender a soberania”, na Praça Sete de Setembro, que deve reunir trabalhadores do campo e da cidade, movimentos sociais, sindicatos, juventude, mulheres, povos originários e organizações políticas, além de apresentações artísticas.

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MST cobra eletrificação de assentamentos

Entre as principais reivindicações apresentadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) está o acesso à energia elétrica nos territórios da Reforma Agrária.

Segundo levantamento do movimento, mais de 4 mil pedidos de ligação de energia estão represados na Cemig. Desse total, 762 seriam de famílias assentadas do MST.

O movimento cobra do governo de Minas Gerais e da companhia a adesão plena ao programa federal Luz para Todos, além do atendimento dos pedidos de ligação e de maior transparência sobre as comunidades rurais contempladas pela iniciativa.

A pauta relaciona o acesso à energia também à capacidade produtiva dos assentamentos, já que a eletrificação permite ampliar as condições de armazenamento e beneficiamento de alimentos e melhorar a infraestrutura das comunidades.

Ato no Viaduto Santa Tereza relembra luta em Felisburgo

A partir das 15h, o Viaduto Santa Tereza será palco de uma atividade dedicada à defesa da Reforma Agrária e à memória das lutas do MST em Minas Gerais.

Entre os episódios lembrados está a resistência das famílias do acampamento Terra Prometida, em Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha. Em 2004, cinco trabalhadores Sem Terra foram assassinados durante um ataque ao acampamento.

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Mais de duas décadas depois do massacre, a luta das famílias avançou com a assinatura, em janeiro de 2026, de decreto presidencial que declarou de interesse social, para fins de Reforma Agrária, a área da antiga Fazenda Nova Alegria.

“Não vamos aceitar golpe”, afirma dirigente do MST

A jornada de mobilização também tem como eixo a defesa da democracia e da soberania nacional. O encerramento está marcado para as 18h, na Praça Sete, com o ato “Ocupar as ruas, defender a soberania”.

Durante a mobilização, Silvio Netto, coordenador estadual do MST em Minas Gerais,  afirmou que o movimento pretende ampliar a presença nas ruas e associou a jornada à disputa sobre os rumos políticos do país.

“Não tem alternativa. A nossa grande tarefa do próximo período é ocupar as ruas, ocupar as ruas das grandes cidades por todo o estado de Minas Gerais e para o Brasil, para que a gente deixe claro qual é a decisão do povo.”

Na avaliação do movimento, soberania significa garantir autonomia para que a população brasileira decida sobre o uso das riquezas e dos recursos naturais do país, incluindo água, minérios e biodiversidade, além de defender a produção de alimentos e direitos sociais e trabalhistas.

“Não vamos aceitar golpe, não vamos aceitar que mexam com a nossa soberania”, afirmou Silvio.

O dirigente convocou a população para o ato da noite e destacou que a mobilização iniciada pela manhã é parte de uma jornada mais ampla.

Editado por: Elis Almeida

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