O avanço da proposta pelo fim da escala 6×1 no Senado já é tratado nos bastidores de Brasília como uma pauta difícil de ser contida pelo comando da Casa. Senadores do Centrão ouvidos pelo Brasil de Fato avaliam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não deve “segurar” a tramitação da PEC aprovada na Câmara nessa quarta-feira (27).
“É uma pauta populista e a Casa tem esse perfil”, resumiu ao Brasil de Fato um senador do PSD sob reserva. A leitura entre parlamentares é que a pressão social em torno da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1 tornou o tema politicamente sensível até mesmo para setores mais conservadores do Senado.
Nos bastidores, parlamentares também avaliam que outras pautas prioritárias do Senado — como a PEC da Segurança Pública e projetos ligados à exploração de minerais críticos e terras raras — devem avançar nos próximos dias. Ainda assim, a percepção predominante é que a mobilização popular em torno do fim da 6×1 tende a colocar a proposta à frente das demais discussões na fila política da Casa.
A avaliação é compartilhada por integrantes da base do governo. Senadores aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acreditam que a proposta pode avançar na Casa, embora em um ritmo mais lento do que o desejado pelo Palácio do Planalto e pelos movimentos que defendem a mudança na jornada de trabalho.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que acompanhou de perto a votação no Plenário da Câmara, avalia que há ambiente para uma tramitação “célere” da proposta também entre os senadores.
Já o senador Renan Calheiros (MDB-AL) tem dito a aliados que estaria disposto a abrir mão da análise pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para acelerar o debate diretamente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), sob o argumento de que o tema exige prioridade na verificação da constitucionalidade da proposta. Segundo ele, Davi Alcolumbre não deverá recuar da discussão em um “momento importante para a história da democracia”.
