Ora, ora, ora… O hexa não veio e o sonho de levantar a taça foi adiado mais uma vez! Mas, talvez, o que mais esteja doendo não seja a derrota em si, porque a gente já não acreditava mesmo, mas o duro é perceber que continuamos vivendo das lembranças de um passado glorioso, por não termos referências no presente! Do primeiro dia de jogo do Brasil, até o último, nas oitavas de final, estivemos relembrando como já fomos referência mundial, de como inspirávamos respeito, enquanto, a cada Copa, nossa esperança parece diminuir mais e mais.
Ainda assim, o último jogo deixou uma cena que merece reflexão: quem está com a bola na mão, não pode transferir a responsabilidade para o outro!
Longe de querer discutir o sexo dos anjos, como disse um colega querido, a questão não é saber quem bateu ou quem deveria bater o primeiro pênalti. O que chama atenção é a atitude. Se o Vinicius Junior que já havia assumido protagonismo em outras partidas tivesse decidido chamar para si aquela responsabilidade, talvez o desfecho pudesse ter sido outro. Talvez não. Nunca saberemos. Mas uma coisa é certa: há momentos em que uma liderança precisa ter coragem para decidir ou ser subversiva, contrariando decisões impostas.
E é justamente aí que o futebol deixa de ser apenas futebol: vivemos um tempo em que o dinheiro parece ocupar todos os espaços. As BETs dominam transmissões, patrocinam clubes, estampam uniformes e transformam quase tudo em produto. Não posso afirmar com isso, que elas possam determinar o que acontece dentro de campo, mas é impossível ignorar como essa lógica do mercado invade nossas escolhas e influencia a forma como enxergamos o esporte, a política, o trabalho e até os nossos sonhos.
Essa lógica ultrapassa as quatro linhas: como sabemos, o Brasil é um dos países mais ricos do mundo e, ao mesmo tempo, um dos mais desiguais. Vendem-nos a ideia de que o sucesso é um espetáculo, que basta aparecer para vencer. Estudar, produzir conhecimento, construir uma trajetória sólida… isso nunca foi fácil e, hoje, parece ainda mais complexo. Voltei para a sala de aula e reencontrei uma realidade bem mais desafiadora para professores e estudantes. A falta de atenção predomina, e o desejo de que aquele momento coletivo em sala de aula termine logo, é grande! É uma sociedade apressada por resultados, sem querer o esforço que isso exige!
E o mais impressionante é ver nossa capacidade de naturalizar tudo isso: nem sofremos mais. Vi poucas reflexões sobre a derrota, pouca indignação, poucos debates. Em compensação, memes… milhares deles. Parece que desaprendemos a expressar nossos sentimentos.
Ter opinião dá trabalho. Sentir dói. Então, terceirizamos nossas emoções para uma imagem engraçada compartilhada nas redes sociais.
Mas, me recuso a terminar esta coluna olhando apenas para o que nos falta: quero lembrar que somos um povo resiliente. A história mostra que sempre é possível mudar de direção. Porque nunca foi só sobre futebol. É sobre estratégia, persistência, coragem, responsabilidade e, principalmente, decisão.
E pra finalizar essa reflexão, deixo uma pergunta: quais decisões da sua vida continuam sendo adiadas por medo, por comodismo ou porque você espera que outra pessoa faça o que cabe a você fazer?
Se bola estiver nas suas mãos, por favor, saiba o que fazer com ela!
As eleições estão chegando. E, mais do que nunca, precisaremos de jogadores e jogadoras com atitude em campo, pois, assim como no jogo contra a Noruega, nem sempre haverá tempo para corrigir um erro depois que a oportunidade passar. Estejamos vigilantes!
*Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do Brasil de Fato DF.
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