Carlos Castelo

Carlos Castelo é cronista, escrevinhador e sócio-fundador do grupo de humor Língua de Trapo.

Casteladas, a coluna dos aforismos, traz o gênero literário conhecido por ser o oposto do calhamaço: a frase curta, de alegria instantânea, a serviço do humor refinado. A coluna também publica crônicas — histórias compactas e irônicas que vêm, cutucam e partem.

O mundo em guerra e o Brasil no sofá

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Tem novidades no acordo de paz entre Irã, Israel e Estados Unidos
Tem novidades no acordo de paz entre Irã, Israel e Estados Unidos | Crédito: Freepik

Os EUA exigem que o Irã abandone o persa e passe a falar inglês com sotaque texano

Casteladas, a coluna de aforismos e pensamentos, traz o gênero literário conhecido por ser o oposto do calhamaço. A frase curta – ou o fragmento – de alegria instantânea, a serviço do humor.

§ Tem novidades no acordo de paz entre Irã, Israel e Estados Unidos. E esses bastidores, você encontra só aqui no Brasil de Fato RS. Acompanhe abaixo aquilo que ninguém lhe contou:

• Os EUA exigem que o Irã abandone o persa e passe a falar inglês com sotaque texano.

• Israel concorda em suspender operações militares desde que todos os drones iranianos sejam substituídos por pombos-correio.

• Como gesto de boa vontade, os líderes mundiais devem resolver conflitos jogando pedra, papel ou míssil.

• As reuniões do acordo só poderão ocorrer em parques temáticos neutros, como a Disneylândia.

• O Irã pede em troca que Hollywood pare de retratar cientistas do mundo árabe como vilões.

• Israel sugere resolver disputas territoriais com campeonatos de culinária: quem fizer o melhor falafel leva a colina estratégica.

• O Irã propõe que discussões nucleares sejam resolvidas em quiz show ao vivo: quem errar a pergunta perde uma bomba atômica.

• Como gesto simbólico, os líderes devem trocar presentes no estilo amigo secreto e o evento será televisionado.

• O Pentágono sugere substituir exercícios militares por campeonatos de paintball.

• Israel sugere criar um aplicativo de entrega territorial expressa, com opção de rastreamento em tempo real e cupom de paz.

§ Vamos lá, respira fundo: Bolsonaro está voltando pra casa. Sim, voltando. Tipo aqueles personagens do BBB que saem dizendo “acabou pra mim!”… e reaparecem no episódio seguinte já pedindo câmera e microfone.

É que no Brasil ninguém simplesmente volta pra casa. Bolsonaro não pega só a chave e entra quietinho. Não. É sempre um retorno com trilha sonora grandiosa, análise política na padaria e os grupos de WhatsApp pegando fogo como churrasqueira em final de semana.

Tem gente comemorando, tem gente reclamando, e tem o brasileiro médio que só queria saber se isso vai melhorar o preço da gasolina.

Eu imagino a cena: Bolsonaro chegando em seu domicílio, procurando o controle remoto como qualquer mortal. A diferença é que metade do país está narrando o momento como se fosse gol em Copa do Mundo. “Ele entrou! Ele entrou na sala! Gente, foi na direção do sofá!”

E a política brasileira segue assim: um grande condomínio. Todo mundo escuta a discussão do vizinho, ninguém entende direito o regulamento, mas todos têm opinião formada sobre tudo. Para ser preciso, Bolsonaro ainda nem voltou oficialmente pra casa. Mas o Brasil, como sempre, já puxou a cadeira pra assistir.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Vivian Virissimo

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