Com a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), os cariocas ganharam reajuste da conta de água acima da inflação e, este ano, moradores chegaram a ver a conta subir 15,89%. Há denúncias de piora do serviço e aumento das interrupções do fornecimento. O tratamento de esgoto caiu 7%, desde a venda.
Em Ouro Preto (MG), moradores tentam há alguns anos retomar o serviço público municipal de água e esgoto, já que desde a privatização, em 2020, enfrentam cortes e tarifas abusivas. Aliás, a reestatização é promessa de campanha do atual prefeito, que não foi cumprida até o momento.
Em Manaus, após 20 anos de privatização, 80% da cidade ainda não tem esgotamento sanitário adequado. E a população reclama do aumento abusivo das tarifas.
No estado de Tocantins, a privatização foi considerada um desastre, e, em 2013, o governo teve que retomar o controle público, em razão da falta de investimentos, da piora na qualidade do serviço e de disputas judiciais com a empresa privatizada. Além, claro, do aumento da tarifa.
No mundo, diversos países, como França, Alemanha, Estados Unidos e Espanha reestatizaram suas empresas pelos mesmos motivos, tarifas abusivas e piora na prestação de serviços.
Mesmo sabendo disso, o governador de Minas foi eleito com a promessa de privatizar as estatais, incluindo a Copasa, e tem, pouco a pouco, feito isso, por vias tortas, sucateando as empresas. Entre 2021 e 2024, a Copasa perdeu quase mil trabalhadores. Enquanto a população clama por universalização e melhoria dos serviços, propositalmente, o governo Zema atuou para piorar o serviço da empresa, para que a população passasse a apoiar a privatização.
Os argumentos não param em pé. A Copasa é muito lucrativa. Somente em 2024, distribuiu R$ 752 milhões em dividendos a acionistas. Em 2025, só nos primeiros nove meses, o lucro passou de R$ 1 bilhão. Para onde foi esse dinheiro? Para os acionistas.
Criada em 1963, a Copasa é responsável pelo abastecimento de água e saneamento em mais de 630 municípios mineiros, atendendo cerca de 11,5 milhões de pessoas, mais da metade da população do estado. A cobertura de água ultrapassa 99% e a de esgoto chega a 75%, índices superiores ao exigido pelo Novo Marco do Saneamento.
A Copasa está presente em todas as 25 cidades com menor IDH em Minas, ajudando a corrigir desigualdades. Se fosse orientada pelo lucro (como será, caso seja privatizada), esses municípios não seriam atendidos, já que não são lucrativos.
Os deputados estaduais e o governador sabem que, sem a Copasa, Minas perde uma importante empresa para impulsionar o desenvolvimento e melhorar a qualidade de vida. O que ganharão com a entrega desse importante patrimônio? Será que esse presente aos empresários retornará em presentes nas doações de campanha em 2026?
O povo mineiro pode e deve impedir esse “toma lá, dá cá” de um direito tão fundamental como a água.
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