Assistimos com horror, na terça-feira (7), mais uma vez, às agressões dos Estados Unidos e de seu sócio minoritário, Israel, contra o Irã. Desta vez, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que “morreria uma civilização inteira para nunca mais ser ressuscitada”, caso o regime iraniano não aceitasse negociar nos termos impostos pelo imperialismo estadunidense.
Diante de uma ameaça pública sem precedente, o receio de que a guerra escalasse ainda mais deixou o mundo inteiro atônito. A tentativa de ingerência norte-americana e israelense no país persa já é responsável pela morte de mais de 3,5 mil pessoas (muitas delas civis), pelo aumento dos preços do petróleo, dos combustíveis, da inflação mundial, e até mesmo dos alimentos, gerando uma enorme cadeia de impactos.
Os efeitos da guerra que Trump disse que seria “rápida” e que, há mais de um mês, estava “praticamente concluída”, já gera tensões até mesmo na base eleitoral do Partido Republicano e provocou uma onda de manifestações massivas nos Estados Unidos pelo fim do conflito.
Não estamos em campo de batalha com um “lunático” que apenas “não soube calcular” corretamente qual seria a capacidade bélica do Irã para responder aos ataques dos EUA — hipótese muito levantada desde o primeiro contra-ataque iraniano.
Estamos lidando com o principal líder da extrema direita mundial que, diante do declínio do império estadunidense, que vê com desespero a China e outras potências avançarem na economia, na produção tecnológica e no poderio militar, está disposto a tudo para manter sua capacidade de domínio — até mesmo matar “uma civilização inteira”.
Guerra contra a humanidade
Atacar a infraestrutura civil de um outro país pode ser considerado crime de guerra. Mas Trump não se importa com isso e as instituições democráticas, mais uma vez, assistem atônitas e apáticas ao presidente desrespeitar todos os limites impostos pelo direito internacional.
Diante do genocídio contra o povo palestino, alguns chegaram a classificar que aquela matança não era apenas uma guerra contra a população que vive na Faixa de Gaza, mas uma guerra contra a humanidade. Isso porque permitir que os EUA e Israel seguissem com seu projeto higienista na Palestina seria como dar um “aval” para que pudessem fazer qualquer coisa em qualquer lugar do mundo.
Não conseguimos impedi-los e quase 70 mil palestinos (em sua maioria mulheres e crianças) foram assassinados em dois anos. Na sequência, sequestraram um presidente e uma deputada eleitos democraticamente na Venezuela — além de cerca de 100 militares e civis mortos. Como se não bastasse, os EUA mantêm milhões de pessoas sem energia, medicamentos e comida em Cuba. Também já interferiram em dezenas de processos eleitorais.
Imperialismo se enfrenta com povo
Uma suposta “trégua” veio, intermediada pelo Paquistão, mas Israel continua bombardeando o Líbano. Os próprios iranianos têm sido didáticos ao dizerem para o mundo que não dá para confiar em negociação com o imperialismo norte-americano.
O que o povo do Irã também tem ensinado é que, diante dos EUA, é preciso, sobretudo, força social, povo mobilizado, consciente do tamanho do inimigo, e disposto a defender sua soberania.
Poucas horas após Trump ameaçar explodir usinas em território iraniano, milhares foram às ruas do país persa, fazendo inclusive correntes humanas ao redor dessas usinas, dispostos a tudo para garantir que o destino dos iranianos seja determinado pelos próprios iranianos, e não por um país que se julga dono do mundo.
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