O mês de junho começou com uma péssima notícia para a população de Minas Gerais que depende de água e saneamento públicos. A Equatorial venceu, na última semana, o leilão e adquiriu 30% das ações da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). O grupo é o mesmo que se tornou acionista de referência da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), em julho de 2024.
Em pouco menos de dois anos, desde a privatização, São Paulo já convive com uma realidade assustadora: as reclamações de usuários sobre a baixa qualidade do serviço aumentaram em 70%; o tempo de resposta da empresa para a resolução de problemas cresceu exponencialmente; e as denúncias de interrupção no fornecimento de água, em especial nos períodos noturnos, são cada vez mais frequentes.
Histórico da Equatorial acende alerta para mineiros
Mas a lista não termina aí. Diversos relatos de moradores apontam para a presença de coloração alterada, com tons amarelados, turvos e marrons, na água que chega nas torneiras das casas das famílias. A Sabesp, desde que passou a ser controlada pela Equatorial, também tem sido ineficiente no reparo de vazamentos em residências e em espaços públicos.
Além dos impactos à população em geral, trabalhadores foram demitidos, reduzindo a quantidade de especialistas e impactando diretamente na qualidade do serviço; acidentes em obras da empresa se tornaram mais frequentes, já deixando pelo menos quatro mortos; há indícios de corrupção; e a empresa passou a ter como prioridade exclusiva a geração de lucro, deixando de cumprir o seu papel de indutora do acesso a direitos essenciais: água e saneamento.
O breve histórico da atuação da Equatorial em São Paulo precisa servir de alerta ao povo mineiro. Não podemos deixar serviços estratégicos, que deveriam ser desempenhados pelo Estado, nas mãos de um grupo privado.
O PT e o Psol entraram com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para invalidar a manobra feita por Romeu Zema (Novo) na Assembleia Legislativa e exigir a realização de um referendo popular sobre a privatização da Copasa.
Entidades sindicais pressionam para que o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) invalide o processo de desestatização, que foi marcado por uma série de irregularidades e contou com o apoio do ex-presidente do conselho da empresa, indicado por Zema, que confessou já ter pagado propina para vender contratos de saneamento.
Os movimentos populares travam, desde 2024, uma dura batalha para garantir que os serviços essenciais continuem públicos. Naquele ano, realizamos o Plebiscito Popular em Defesa das Estatais de Minas Gerais e mais de 95% da população do estado disse ser contra a privatização da Copasa. É hora de defender a Copasa pública, porque cuidar das nossas empresas é cuidar do nosso presente e do nosso futuro!
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