Nesta última quarta (15), Minas Gerais recebeu a confirmação de que o deputado federal Patrus Ananias (PT) será a escolha do partido para a pré-candidatura ao governo do estado. Tal confirmação partiu de Jilmar Tatto, coordenador nacional do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do Partido dos Trabalhadores.
Este é mais um capítulo do debate que se desenrola, há alguns meses, em torno da disputa eleitoral deste ano e da centralidade do governo de Minas neste cenário. Vários foram os nomes cogitados pelo conjunto dos partidos e organizações políticas; e várias foram, também, as personalidades da política mineira que apresentaram (ou negaram) ter disposição para concorrer ao posto.
Do ponto de vista da disputa colocada no cenário nacional, a definição dessa pré-candidatura é considerada fundamental para a própria corrida presidencial. Um nome competitivo colocado para a disputa do governo de Minas significa melhores condições para a campanha de reeleição do presidente Lula. Nesse sentido, analistas e organizações políticas observavam com apreensão a falta de resolução da questão para a corrida ao Palácio Tiradentes, a pouco mais de um mês para o início da campanha eleitoral.
A ausência de um nome consolidado para a disputa, às vésperas da eleição, pode ser sintomática de um conjunto de desafios políticos mais profundos da esquerda mineira, como, por exemplo, a necessidade da consolidação de espaços cada vez mais unitários de condução das lutas; a disputa de narrativa sobre o que foram, de fato, as últimas gestões da esquerda no estado, desmontando o ataque da extrema-direita sobre o governo de Fernando Pimentel (PT); e a elaboração de um programa popular para Minas Gerais, conectado com as demandas do povo e que incida nas principais contradições e impactos dos quase oito anos de investidas privatistas e neoliberais do governo de Romeu Zema (Novo).
Nesse sentido, a pré-candidatura de Patrus pode significar, para a esquerda mineira, algo para além de um cálculo eleitoral meramente pragmático. Na dimensão do programa necessário para o nosso estado, Ananias tem um animador histórico na sua atuação política. Desde a implementação de políticas públicas consideradas exemplares na resolução dos problemas enfrentados pelos trabalhadores – que envolvem desde temas como a segurança alimentar até a participação popular -, até a condução de espaços como a Frente Parlamentar em Defesa da Soberania Nacional – cujo objetivo dialoga diretamente com pautas caras para a esquerda do estado, como a defesa dos minerais estratégicos e as terras raras -, seu nome colocado para a disputa pode significar o fortalecimento de um debate programático sobre o estado.
Já no tema da unidade, o deputado sempre caminhou junto a diversos setores da esquerda. A construção de uma pré-candidatura ao governo, que articula e é referenciada pela força social construída pela esquerda mineira no último período, pode significar as condições e ânimo coletivo necessários para engatar uma campanha competitiva – não à toa, a notícia foi comemorada por um conjunto de organizações e movimentos populares que atuam em Minas.
Por isso, os próximos dias podem ser decisivos para a disputa de projeto colocada para o povo mineiro, não só a curto prazo.
Uma candidatura que pode conjugar a luta política com a luta popular, ancorada em um programa adequado para os problemas enfrentados pelo povo mineiro e na convicção da esquerda organizada. Pode significar novos ventos para a luta política no estado e contribuir para superar o mesmo cenário que provocou que tal definição acontecer a poucos dias da eleição.
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