Finapop

O Finapop nasceu em 2020 como uma iniciativa que acredita que é possível fazer diferente: oferecer crédito e investimento com propósito, adaptado à realidade da agricultura familiar. Somos uma plataforma que conecta pessoas a cooperativas e associações de assentados da reforma agrária, promovendo a produção agroecológica, valorizando o coletivo, a justiça social e a sustentabilidade integral.

Mundukide e FINAPOP: uma parceria que fortalece o cooperativismo e a agricultura familiar no Brasil 

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Agricultores
Agricultores | Crédito: Brenda Vidal/O Joio e O Trigo

O fortalecimento dessas organizações também depende de processos contínuos de formação, qualificação da gestão e acompanhamento técnico. 

O fortalecimento das cooperativas da agricultura familiar é um elemento essencial para promover o desenvolvimento sustentável, ampliar a geração de renda no campo e garantir a produção de alimentos saudáveis. Com esse propósito, o Mundukide, o FINAPOP, o Centro de Desenvolvimento Sustentável e Capacitação em Agroecologia (CEAGRO) e o Instituto de Pesquisa e Educação do Campo (IPE-CAMPO) unem esforços em um projeto de cooperação internacional voltado ao fortalecimento das capacidades técnicas, organizativas e políticas de cooperativas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). 

O Mundukide é uma organização do País Basco, na Espanha, de cooperação comprometida com a promoção do desenvolvimento humano sustentável por meio do fortalecimento das capacidades locais, da economia solidária e do cooperativismo. Ao longo de sua trajetória, a organização construiu uma sólida parceria com organizações vinculadas ao MST, apoiando iniciativas voltadas à formação, à gestão cooperativa, à agroecologia e ao desenvolvimento econômico de comunidades rurais. A experiência acumulada ao longo desses anos permitiu consolidar metodologias de trabalho baseadas na cooperação, na construção coletiva e na valorização dos saberes dos próprios territórios. 

O projeto tem como objetivo fortalecer as capacidades técnicas, políticas e organizativas dessas cooperativas, que atuam em duas cadeias produtivas estratégicas para o MST: grãos e sementes. Mais do que apoiar a produção agrícola, a iniciativa busca fortalecer as organizações responsáveis por essas cadeias, promovendo melhorias na gestão, no planejamento, na organização produtiva e na sustentabilidade econômica das cooperativas. 

A iniciativa será desenvolvida junto a seis cooperativas, distribuídas em cinco estados brasileiros: Minas Gerais (CONCENTRA – Cooperativa Camponesa Central), São Paulo (Cooperativa Da Terra), Santa Catarina (COOPERDOTCHI e COOPERCONTESTADO), Paraná (COPACON) e Rio Grande do Sul (CONATERRA). Essa abrangência territorial permitirá fortalecer diferentes experiências produtivas e organizativas, respeitando as especificidades de cada região e promovendo a troca de conhecimentos entre as cooperativas participantes. 

Para alcançar esses objetivos, o projeto está estruturado em diferentes frentes de atuação. Entre elas, a realização de seminários voltados à gestão, comercialização e agroecologia, o acompanhamento técnico das cooperativas e o fortalecimento dos processos de planejamento e gestão das organizações participantes.  

As atividades buscarão promover relações mais equitativas, estimulando a corresponsabilidade, o respeito e a reflexão crítica sobre gênero, contribuindo para o fortalecimento das organizações e de suas relações internas. O projeto também incentivará a autonomia econômica das mulheres, ampliando sua participação na tomada de decisões e fortalecendo seu protagonismo nas cooperativas. 

Nesse contexto, o FINAPOP desempenha um papel estratégico ao contribuir para o fortalecimento da sustentabilidade econômica das cooperativas. Como ferramenta de finanças populares, sua atuação amplia as possibilidades de acesso a capital por meio de mecanismos solidários de financiamento, aproximando investidores comprometidos com o impacto social das necessidades concretas das organizações da agricultura familiar.  

A experiência do FINAPOP demonstra que o acesso ao crédito, embora fundamental, não é suficiente para enfrentar os desafios vivenciados pelas cooperativas da agricultura familiar. O fortalecimento dessas organizações também depende de processos contínuos de formação, qualificação da gestão e acompanhamento técnico.  

É com base nessa compreensão que o projeto se orienta para o fortalecimento institucional e intercooperação das cooperativas, buscando gerar impactos duradouros. Cooperativas mais bem estruturadas possuem melhores condições para planejar sua produção, acessar mercados, agregar valor aos produtos, ampliar autonomia econômica e oferecer melhores oportunidades para as famílias assentadas.  

A parceria entre Mundukide, FINAPOP, CEAGRO e IPE-CAMPO demonstra como a cooperação internacional pode fortalecer iniciativas construídas nos próprios territórios. Ao combinar conhecimento técnico, formação, assistência especializada e instrumentos inovadores de financiamento, o projeto amplia as capacidades das cooperativas da Reforma Agrária e reforça um modelo de desenvolvimento que alia justiça social, sustentabilidade ambiental e fortalecimento da economia solidária. 

*Maura Silva é jornalista e responsável pela Comunicação e Relacionamento do Finapop.

**Esta é uma coluna de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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