Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, mais do que celebrar, precisamos refletir. Refletir sobre o país que estamos construindo e sobre o futuro que estamos escolhendo deixar para as próximas gerações.
Vivemos um momento preocupante. Enquanto o mundo inteiro amplia esforços para enfrentar a crise climática, proteger a biodiversidade e fortalecer mecanismos de controle ambiental, assistimos a tentativas de flexibilizar legislações ambientais, enfraquecer instrumentos de fiscalização e até questionar sistemas fundamentais de monitoramento do desmatamento.
O que está em disputa não é apenas uma legislação: é a capacidade de proteger a água que bebemos, o clima que sustenta nossas cidades e os territórios que garantem nossa sobrevivência.
Durante muito tempo tentaram nos impor uma falsa escolha: desenvolvimento ou proteção ambiental. Mas a realidade já provou que essa oposição não existe. Não existe desenvolvimento em cidades que perdem suas nascentes. Não existe prosperidade em territórios tomados pela ocupação desordenada. Não existe futuro econômico onde desaparecem áreas produtoras de água, biodiversidade e qualidade de vida.
O único caminho possível é o desenvolvimento sustentável: aquele que gera riqueza, inclusão e oportunidades sem destruir aquilo que torna a vida possível.
No Distrito Federal, essa realidade aparece diante dos nossos olhos diariamente. O avanço da impermeabilização do solo, a pressão sobre áreas ambientalmente sensíveis, a ocupação irregular, o assoreamento de córregos e a perda contínua de vegetação nativa ameaçam diretamente o equilíbrio do nosso território.
Defender o Cerrado é defender água. É defender o clima. É defender pessoas.
Por isso, a proteção de territórios estratégicos, como a Serrinha do Paranoá, áreas produtoras de água e regiões pressionadas pela expansão urbana, não é apenas uma pauta ambiental: é uma pauta de sobrevivência coletiva. Cada nascente preservada, cada área verde protegida, cada ocupação planejada representa investimento no futuro da nossa cidade.
É nesse contexto que organizações, movimentos e coletivos seguem cumprindo um papel fundamental. O Fórum de Defesa das Águas do Clima e do Meio Ambiente, a Alternativa Terrazul, a academia e tantas outras entidades que fazem parte desse coletivo, têm demonstrado, através da mobilização social, da formação, da educação ambiental e da defesa territorial, que proteger o Cerrado também significa proteger comunidades, proteger direitos e construir cidades mais justas.
Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, precisamos escolher de que lado da história queremos estar: do lado do desmonte ou da proteção; do lado do lucro imediato ou do futuro possível; do lado da destruição ou da vida.
Porque cuidar do meio ambiente nunca foi apenas sobre árvores. Sempre foi sobre pessoas. E sempre será sobre futuro.
*Guilherme Jaganu é coordenador geral do Fórum de Defesa das Águas do Clima e do Meio Ambiente do DF e coordenador de Articulação do Alternativa Terrazul.
**Este é um artigo de opinião. A visão das autoras não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato – DF.
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