Leonardo Melgarejo

Engenheiro Agronômo, MsC em Economia Rural, Dr. em Engenharia de Produção. Extensionista rural aposentado, fotógrafo.

A frustração do Flamengo e a derrota da democracia com a aprovação do PL da Dosimetria

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faixa congresso inimigo do povo
Em São Paulo, os manifestantes ocuparam a avenida Paulista | Crédito: Lucas Martins/@lucasport01

E o que virá a seguir? O Lula deixará por isso, ou vetará o texto aprovado?

Dia 17 de dezembro. Dia de frustrações nacionais ligadas a eventos que pareceriam impossíveis. Ou pelo menos, dia de acontecimentos tão inusitados que só poderiam ser esperados por adultos amalucados, ou com acesso a informações ocultas.

Afinal, quem poderia esperar, ou qual a probabilidade de que o terceiro goleiro do PSG, o reserva do reserva, viesse a pegar quatro pênaltis, no final de uma Copa Intercontinetal de Clubes? Não era uma pelada de beira de praia. Se tratava do campeonato Mundial de Clubes, televisionado ao vivo para todo o planeta. E era contra o Flamengo, o time mais caro do Brasil (ou das Américas?). Ok, os cobradores dos pênaltis estavam sob pressão e não conseguiram fazer o esperado. Mas o que aconteceu ali foi além da conta. E aquela situação impossível garantiu a frustração dos 46,9 milhões de flamenguistas (o equivalente a 21,9% da população que torce para algum time, no Brasil) e de outros tantos simpatizantes que passamos a tarde de olho na TV.

E para piorar, qual seria a probabilidade de que, após aquelas mobilizações nacionais contra a anistia, contra a “dosimetria”, viesse a ser aprovado no Senado, aquele afrouxamento de penalidades aos criminosos envolvidos na mais recente tentativa de golpe de estado, neste país? O que aconteceu ali, e que implicações podemos esperar, agora, da frustração daqueles/as que acreditam na importância de uma democracia onde as leis devem ser válidas, igualmente, para todos e todas?

Houve um acordo? A lógica que traz elementos de compreensibilidade para o ocorrido se prende à “governabilidade” e à necessidade de recursos em caixa para atendimento dos compromissos do governo? Quem se beneficiará dos resultados deste tipo de troca de favores?

E o que virá a seguir? O Lula deixará por isso, ou vetará o texto aprovado? Vetará no todo ou em parte? O veto será derrubado pelo legislativo? E o Judiciário? O STF considerará o resultado ilegal e intensificará seu desgaste com o Congresso? Que implicações isso trará sobre o processo eleitoral?

 Houve acordo, ignorando a vontade popular e as falas do presidente, como dizem alguns, em nome da “pacificação nacional”?  Se foi isso, que pacificação se pode esperar, no país, ao longo dos acontecimentos que com isso se desenham, para o período eleitoral de 2026?

De cara, fica evidente que em qualquer situação os golpistas centrarão seus esforços, na campanha eleitoral de 2026, argumentando pela necessidade de um monobloco no Congresso para garantir impeachment de ministros do STF e, por que não, do presidente eleito, como garantia avanços no rumo da fascistização que eles chamam de libertação nacional.

Se necessário, um novo golpe também se fará estimulado pela redução nas penas dos condenados de agora. O líder oficial, o Bolsonaro pai, por exemplo poderá ficar naquela sala com ar condicionado, da PF, por somente 2 anos e 4 meses. Os Bolsonaretes de todo perfil, incluindo filhos, patrocinadores, milicianos e outros associados até aqui não acusados, redobrarão esforços para consolidação do que entendem como “normalidade” constitucional.

E os eventos do dia 17 contribuirão decisivamente para isso. Até aqui, desde a queda do pacote da impunidade, a sociedade estava certa de sua responsabilidade e seu protagonismo nas ruas, como força de sustentação ao estado de direito. E agora, como se comportarão a arte, a cultura a alegria e a energia do povo, que estiveram nas ruas em favor da consolidação da democracia, sem negociatas, sem traições?

Teremos que esperar para ver. De minha parte, uma certeza: precisamos intensificar aproximações com aquelas pessoas e grupos onde compartilhamos relações de afeto, confiança e esperanças/compromissos em relação a um projeto de futuro. Ali, ao final deste mesmo dia 17/12, e em paralelo à concretização daquelas realidades que me pareciam impossíveis,  quando o Brasil de Fato RS realizava sua reunião de confraternização anual, o trovador Pedro Munhoz apresentou sua mais recente criação. Em versos, anunciava a importância de um tempo de calma reafirmando que tudo depende de nós, porque “ a gente é fruto da gente”.

De fato, precisamos “guardar no silêncio para ouvir o passado, ver a planta que cresce, pelo dia que nasce. Ver a serra imponente. O respeito, o carinho, um bom dia ao vizinho, que a gente é fruto da gente”.

O Brasil é fruto da gente. E mesmo em dias de frustrações nacionais ligadas a eventos que pareceriam impossíveis, ou inaceitáveis, precisamos persistir, com força e doçura, fazendo a nossa parte.

Contra a anistia, contra a fragilização do respeito à democracia, contra os acordos inaceitáveis, por um projeto de Brasil.

Uma música: Jornalismo de verdade, de Zé Martins, do grupo Unamérica.

*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Vivian Virissimo

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