Com a eliminação do Brasil, talvez nossa gente consiga olhar com atenção para o fato de que aquela distração (a Copa) está nos impedindo de ver o que interessa. Inclusive no futebol.
Aliás, a eliminação do Brasil foi merecida.
Aquilo de colocar o Neymar em campo para atender a interesses comerciais, não só enfraqueceu o ataque como comprometeu o meio campo e fragilizou a defesa. Por pouco não levamos três a zero.
É triste, mas pode haver algo de bom nisso. Afinal, encarar a realidade só ajuda. Além disso, nossa eliminação pode levar a uma redução nas tragédias decorrentes da queima de orçamentos familiares, com as apostas online. Até 2 de junho, (e considerando apenas valores oficialmente acompanhados), as apostas dos brasileiros já haviam triplicado, superando a cifra de meio bilhão de reais.
Além disso, o futebol jogado na copa já não se decide apenas em campo.
Basta lembrar que o Trump exigiu (e conseguiu) que a Fifa cancelasse a expulsão do principal jogador do time dos EUA. E ainda pior foram aquelas maracutaias que impediram o Irã de jogar em paz, e o Egito, de eliminar a Argentina. A seleção egípcia, que trouxe para a Copa -além de um futebol coletivo e de muita garra – um chamado à consciência global, contra o genocídio praticado em Gaza, acabou sendo eliminada graças a um gol anulado e a um pênalti não marcado.
Os interesses do capital exigem que a Argentina vá adiante, e se possível dispute a final. É um bom time, com certeza. Mas inegavelmente vem sendo beneficiada com fatos. O Messi entrou de sola na panturrilha de um jogador da Argélia, e não recebeu advertência alguma. Por algo parecido, um zagueiro inglês foi suspenso por dois jogos, e está praticamente fora da copa. E todos sabemos que um Argelino, um Turco, um Jordaniano, um Caboverdiano, ou qualquer jogador que fizesse algo parecido, contra o Messi, teria sido expulso do campo e estaria sendo crucificado em todas as redes.
Enfim, estamos assistindo a uma Copa descaradamente subordinada aos interesses do dinheiro. As decisões em favor das vendas que as grandes “marcas” oferecem, embora insuficientes para sustentar um timezinho como o do Brasil, estão mostrando que o futebol imaginado por nós, já não existe mais.
Não vê quem não quer: os interesses da grana comandam a Fifa e isso explica até mesmo aqueles intervalos de meio tempo, para hidratação das campanhas de marketing.
Tirando isso, vamos ao que interessa. Eliminado o Brasil, esperamos que nossa população caia em si e atente para uma sucessão de dramas já anunciados, que nos ameaçam a todos e que aí estão, cobrando a mobilização da consciência, corações e mentes desta nação.
De um lado temos o aquecimento da biosfera. A evolução da temperatura das águas do Pacífico vem agravando a força e os impactos do El Niño, o que por sua vez contribui para acelerar o aquecimento global. Há nisso um ciclo estimulado por processos de retroalimentação que prometem, a cada ano, maiores enchentes no sul e piores secas no norte e no nordeste.
As duas situações comprometem a produção agropecuária, ameaçando a economia e a segurança alimentar em todo o território nacional. A carestia, a escassez na disponibilidade e a elevação no preço dos alimentos atingirão centenas de milhares de brasileiros que, em certo sentido, poderão ser obrigados a vivenciar problemas assemelhados àqueles que, em favor dos interesses das transnacionais que comandam o império norte-americano, estão infernizando a vida dos cubanos.
O que podemos fazer, para que a sociedade brasileira esqueça a Copa e se mobilize em relação a isso?
Bom, precisamos salvar a democracia e recuperar um projeto de Brasil para os brasileiros, encarando de frente os problemas que nos ameaçam.
Sabemos por exemplo que nossos golpistas candidatos a capatazes e a leões de chácara daqueles mesmos interesses que estimulam as guerras, o aquecimento global e as fraudes no futebol, seguem ativos e estão fazendo tudo o que podem, contra o Brasil.
Por exemplo: Flávio Bolsonaro foi aos EUA, para uma fala de 5 minutos.
Na real, estava fugindo de entrevistas sobre o incrível enriquecimento de seu clã, sobre a origem dos recursos envolvidos naquelas compras de imóveis a dinheiro vivo, sobre suas associações com milicianos e com o Banco Master e, inclusive, até mesmo das repercussões do chororô de sua madrasta, ofendida por ser uma mulher que pretendia ser tratada como gente, naquela família.
O Flávio viajou aos EUA, também e principalmente, para enfatizar o texto de sua carta entreguista, e reafirmar as promessas de que, se eleito com a ajuda de Trump (o que exigiria protelação temporária de tarifas impostas ao Brasil) tudo fará para devolver nosso pais à condição de Colônia, facilitando a presença das forças armadas norte americanas entre nós, pelo apoio do Brasil ao Escudo das Américas.
Não há margem para erro na interpretação das intenções do traidor Flavio Bolsonaro. Ele oferece a submissão voluntaria e o apoio do governo brasileiro à renovação do sonho imperial norte-americano: com o Brasil capturado, eles estenderão seu controle e domínio sobre todo o continente.
Neste sentido, o eventual sucesso eleitoral da extrema direita, no Brasil, agravará as injustiças e a miséria que a lei do mais forte tratará de impor, sobre todos nós. Virão o furto descarado de nossas riquezas, a destruição da biodiversidade, a aceleração de crises decorrentes do aquecimento global e o assanhamento empoderado daqueles eternos candidatos ao papel de lideranças subalternas, dispostas a operar em favor do abafamento da solidariedade e dos focos alimentadores da consciência.
É isso que está em jogo: a utilização de capitães do mato para viabilizar o reiterado apagamento de exemplos como aqueles produzidos pelo Chile de Allende, por Cuba de Fidel, pela Venezuela de Chaves e inclusive por Lula, com seus projetos bem intencionados ainda que nem sempre orientados no sentido da autonomia, da emancipação e do desenvolvimento humanos.
Por tudo isso, precisamos esquecer a Copa e ir às ruas. Trabalhar com afinco para que nas eleições de outubro os negacionistas, golpistas e protofascistas que ocupam locais de mando e postos de decisão no congresso e nos executivos nacional e estaduais, venham a ser desmascarados e empurrados pelo menos alguns passos, rumo ao lixo da história.
Mas com maturidade e sem ilusões de que poderá ser fácil, ou de que com a eleição de Lula, de um congresso e de governadores progressistas, poderemos esperar momentos de paz e sem frustrações, ao longo dos próximos anos. O certo, apenas, é que os desafios desta eleição se colocam como uma oportunidade para expansão da consciência e da vigilância do nosso povo.
E precisaremos disso para que, superados os desafios impostos ao espírito humano por personagens como o Trump, os Bolsonaros e seus associados, possamos nos concentrar num projeto de nação consciente de suas potencialidades e capaz de liderar o mundo, no enfrentamento das ameaças relacionadas ao aquecimento global.
Uma mensagem linda, relacionada à poesia e à construção de consciências, pode ser vista e escutada em:
https://www.instagram.com/reel/DZ1L1pHA0o-/?igsh=MWRoZXZ3emg3ZTlwZQ==
*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

