“Não comento política”.
Essa frase não sai da minha cabeça. Ela foi proferida pelo autoritário e extremista governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD). Avesso ao debate, o político não queria comentar o caso de corrupção do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Ademar Traiano, seu aliado de todas as horas.
Traiano, aliás, é autor de outra famosa frase lapidar: “As bombas são lá fora, não aqui dentro, vamo votar”, sentenciou no 29 de abril de 2015 quando o estado – desta vez governado por Beto Richa – mexeu na previdência dos servidores públicos se utilizando do sistema de Regime de Urgência.
Mais astuto foi Ratinho Junior que em novo pacotaço, só que em 2019, mexeu na previdência com votação em Regime de Urgência ocorrida na Ópera de Arame. Fica claro, portanto, que toda vez em que Ratinho Junior privou a sociedade paranaense do debate, isso ocorreu com atropelo regimental. E quem saiu perdendo foram os paranaenses.
Vou ser direto e desanimador: a privatização da educação na Alep vai passar. Mesmo com a greve. É porque o modelo Regime de Urgência de votação é um sucesso! Não se debate política. Apenas se aplica a vontade autoritária do governador. E fim de papo. A gente vai ouvir uma ou outra entrevista aqui, ver a oposição usar de obstrução que pode usar como pedido de vistas em comissões etc, mas no fim, o atropelo vencerá.
Uma das últimas vezes que Ratinho Junior não quis comentar política foi a venda de ações da Copel. Em Regime de Urgência, ele apresentou o projeto na Alep, evitou audiências públicas, não discutiu com os paranaenses e aprovou a venda que tornou o estado (mais) refém do interesse do mercado. O resultado: um ano depois o serviço piorou com apagões, quedas de energia, demora para restabelecer o serviço e, em breve, um tarifaço.
Ratinho tentou o mesmo na questão do pedágio. Não fez nada antes da reeleição e depois ligou o trator. Disse que o preço ia baixar e não quis mais comentar quando, no fim, as tarifas cobradas por quem venceu a licitação tem preço semelhante ou maior. A falta de debate só não foi maior porque neste caso o titular das concessões era a União.
Agora o governador das escolas militarizadas impostas à população enviou – e vai aprovar – um projeto que, na prática, tem o único intuito de dar dinheiro para empresas de educação administrarem escolas. Quanto vai pagar, quem vai ser beneficiado, o que se espera objetivamente com a mudança, como proteger a sociedade em caso de erro, e a transparência dos processos, nada disso Ratinho que “não comenta política” se compromete a debater. Ou vai debater com cassete e gás de pimenta em quem é contra a privatização? Saberemos a partir de segunda-feira.

