Selvino Heck

Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990); Participante da Ciranda pelo CEAAL Brasil, CAMP e Articula PNEPS-SUS.

2025 vai embora tarde

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Manifestante nas ruas de Porto Alegre - Jorge Leão
Manifestante nas ruas de Porto Alegre | Crédito: Jorge Leão

No último dia de 2025 é possível sonhar positivamente com 2026. Há perspectivas positivas, há esperança no horizonte, há com o que sonhar

Felizmente, 2025 está terminando. Foi um ano extremamente difícil em todos os sentidos, individual e coletivamente, com enormes problemas em todos os sentidos, tanto no plano pessoal, quanto no plano mais amplo da conjuntura brasileira e internacional e tudo mais.

Não foi fácil sobreviver um ano inteiro. Parecia que os dias, as semanas, os meses não estavam passando, que o final de 2025 nunca chegaria. Quase cada dia um pesadelo, um sofrimento, uma angústia. Alegrias, felicidade só de vez em quando, e, em geral, de forma parcelada.

Para quem não é mais jovem, pelo menos no corpo e nos muitos anos vividos, foi preciso cuidar da vida, da saúde, da memória, com tratamento da próstata e suas consequências. Da mesma forma, nos inúmeros encontros e reencontros Brasil afora, é sempre um desafio reconhecer e saber quem são os presentes e participantes, lembrar seus nomes, onde nos conhecemos, qual a história comum, etc.

Na conjuntura e no plano coletivo, fizeram presença permanente, em 2025, os reflexos dos acontecimentos políticos dos últimos anos, as ameaças à paz e à democracia, a crise climática sempre presente, os feminicídios, a violência crescente na sociedade, e tantas coisas mais.

Mas também houve coisas positivas e enormes avanços em 2025. No campo político, as políticas de participação social e popular recomeçaram em muitos espaços, com apoio direto do governo federal e do presidente Lula. No campo econômico, diminuiu o desemprego, diminuiu a desigualdade social. No plano ambiental, além das ações comunitárias, houve grandes debates em torno da COP 30, com envolvimento de movimentos sociais e populares, com ações concretas nas comunidades.

Não se pode esquecer, entre muitas outras coisas, as Conferências com ampla participação acontecidas em 2025, trazendo luz e esperança, os diferentes Conselhos de Participação social e popular funcionando a pleno. Houve a retomada da Pneps-SUS, Política Nacional de Educação Popular em Saúde. Houve o Programa de Formação Paul Singer. Foi relançado o Marco de Referência da Educação Popular para as Políticas Públicas. E mil articulações e processos formativos de todos os tipos, como os realizados pelo Movimento nacional Fé e Política, pelo Camp, Centro de Assessoria Multiprofissional, pelas pastorais sociais, pelos movimentos populares, as Cozinhas Comunitárias e Solidárias, sempre presentes, que sustentaram e deram vida e esperança no cotidiano.

E o principal: o povo, os movimentos sociais e populares foram às ruas em diferentes momentos, dando alento à luta por direitos, por soberania e democracia. Bons sinais. 

E há, ainda poucos e incertos, sinais de que a paz no mundo pode estar voltando, no meio das guerras e de uma crise global.

2025 foi, e está ainda sendo, porque ainda não terminou, um ano extremamente difícil, a ser sempre recordado por quem dele participou ativamente, por quem lutou por democracia e soberania, por quem buscou a paz, por quem apostou na força das comunidades, por quem acredita que a utopia da Sociedade do Bem Viver está viva e está em caminho de acontecer.

No último dia de 2025 é possível sonhar positivamente com 2026. Há perspectivas positivas, há esperança no horizonte, há com o que sonhar.

Não há, pois, tempo a perder. 2025 está, felizmente, no fim. É preciso preparar e preparar-se para que 2026 seja, finalmente, de novo um ano luminoso.

Ninguém solta a mão de ninguém.

* Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Editado por: Katia Marko

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