Faltam ainda 7 meses para o primeiro turno das eleições no início de outubro de 2026. Quase todos os dias sai alguma pesquisa eleitoral. E os analistas políticos e a imprensa vão fazendo análises e especulações sobre o resultado final. Quem acredita em pesquisas eleitorais nesta altura do campeonato, início de março de 2026? Eu não.
Do alto de 6 sucessivas candidaturas a deputado estadual e federal – 1982, 1986, 1990, 1994, 1998, 2002 –, sendo eleito apenas uma vez, e da coordenação de muitas eleições como a presidencial de 1989, de governador em 1990, a presidente da República em 2018, entre outras, posso dizer que pesquisas a muitos meses da data da eleição devem ser olhadas e analisadas, mas nunca devem ser dadas como o resultado final lá adiante. Há muitos exemplos disso, de como as pesquisas diziam uma coisa, e o resultado foi o contrário do que ‘profetizavam’ as pesquisas.
É preciso levar em conta muitas variáveis.
A conjuntura sofre mudanças, ainda mais nestes tempos atuais de guerras, de crise climática, de violência por todos os lados no cotidiano, entre outras mil coisas que deixam muitas incertezas e tornam impossível saber o que vai acontecer em termos eleitorais. Quem sabe como estarão o Brasil e o mundo em outubro, daqui a 7 meses?
É preciso sempre olhar quem paga as pesquisas, e saber a quem interessam?
É importante olhar a metodologia de cada pesquisa. Muitas pesquisas, por exemplo, são feitas apenas on line, de forma virtual, sem entrevistar pessoas em todo Brasil, o que pode mudar os resultados finais.
É necessário sempre levar em conta situações do momento em cada pesquisa. Agora, por exemplo, março de 2026, sequer se sabe quem serão os candidatos de cada partido, a nível nacional e a nível estadual. Não se sabe, o que é muito importante, quais serão, afinal, as alianças e coligações, nem o programa de governo que vão defender. A campanha que está sendo feita hoje, março de 2026, é apenas uma pré-campanha, com muitas limitações.
Quando a campanha começar pra valer, em junho/julho, as pesquisas começarão a ter algum sentido, e devem ser acompanhadas, ainda que com todos os cuidados. Agora, neste momento do ano eleitoral, o que pode ser levado em conta são os números de aprovação e desaprovação dos governos e de eventuais candidaturas, que ainda podem mudar à medida que as campanhas avançam.
Pode haver mudanças de humor do eleitorado no processo. Além disso, cada vez mais aumentam os votos em branco e nulos nas eleições, o que, muitas vezes, muda o quadro eleitoral.
Apenas nas últimas duas semanas de campanha as pesquisas começam a se aproximar do resultado final. Muitas vezes, isso acontece nos últimos 2 ou 3 dias. Júlio Quadros, ex-presidente do PT/RS, escreveu em Período de polarização, no livro Como chegamos lá: uma leitura política sobre o governo Olívio Dutra (1999-2002), p. 25: “Recordo-me de pelos menos duas passeatas realizadas em 1998 até a sede do grupo RBS/Zero Hora após a divulgação de pesquisas eleitorais que buscavam privilegiar/inflar a candidatura do cavalo do comissário (…) De um lado, em nossos debates, tínhamos convicção de que as pesquisas eleitorais não deviam influenciar nas nossas definições estratégicas, e, segundo, tínhamos convicção do grau de manipulação das pesquisas. Ou seja, as pesquisas encomendadas não nos abalavam e não nos dirigiam”. Lembrando o que aconteceu: apesar das pesquisas, Olívio Dutra foi eleito governador em 1998.
Quem já não viu, ou participou, de campanhas aparentemente perdidas, e o resultado final foi outro, como as vitoriosas de Olívio para prefeito e governador? Ou o contrário?
Por enquanto, nesta altura do processo eleitoral de 2026, o que fazer?
- É preciso preparar a campanha e, principalmente, o programa a ser defendido por cada coligação e aliança e por cada candidata/candidato.
- A hora agora é de conversar com o eleitorado e sentir seus humores. A começar pela família e pessoas das comunidades onde cada candidata-o tem maiores relações, para engajá-los nas campanhas, saber de suas dúvidas e criar o clima de apoio e coragem para entrar e assumir as campanhas.
- Também é necessário verificar os temas principais que a conjuntura exige e que podem empolgar mais a população e o eleitorado. E ligar o candidato a presidente da República com o candidato a governador, com os candidatos ao Senado, Câmara Federal e Assembleias Legislativas. Nada disso é simples, e exige muito trabalho e dedicação.
Portanto, março e meses seguintes são tempo de estudo, de olhar atento, com muitos cuidados. É tempo, especialmente no primeiro semestre de 2026, de ir para a luta popular e mobilização social, com os temas a serem defendidos nas campanhas, além de ficar atento aos fatos da conjuntura, como as guerras, as ameaças à democracia, os feminicídios em número crescente, os acontecimentos climáticos, entre outros muitos mais.
Muita calma nessa hora, portanto, com todas as pesquisas eleitorais. Quem viver, verá.
*Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

