Gilberto Carvalho, militante histórico dos movimentos sociais e das Pastorais Populares, fundador do Movimento Fé e Política, hoje Secretário nacional da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), em análise recente da conjuntura, fez alguns apontamentos e registros fundamentais sobre estes tempos complexos no Brasil e no mundo.
Disse Gilberto, também conhecido como Gilbertinho ou Gil, na sua análise:
“1. Por que este governo do presidente Lula não consegue passar de 40% de aprovação? Dificilmente um governo consegue a reeleição sem chegar a, pelo menos, 45% de aprovação. Como fazer para superar isso?”
“2. Os problemas são muitos, a serem enfrentados: a crise no INSS, o caso do banco Master, a capacidade de narrativa da direita, especialmente em temas como a família, o aborto, a lavagem cerebral presente no cotidiano, com a força das redes sociais, a presença do neofascismo, a direita na rua, entre outras muitas coisas não presentes em outros momentos.”
“3. E há também os nossos erros. Entre outros: a ilusão sobre o nosso êxito, o recuo na presença nas periferias, a concentração na luta institucional, a falta do trabalho de base, e assim por diante.”
“4. Mas nem tudo está perdido. Há o conforto de estar do lado da verdade. É possível mostrar o que está sendo realizado através dos programas sociais. E demostrar a frustração orçamentária com a presença das emendas parlamentares.”
“5. Neste contexto e conjuntura, qual o tipo de campanha a ser feita? Deve, mais que nunca, ser uma campanha da militância, quebrando os muros, mostrando o que pode acontecer se eles ganharem, articulando diferentes frentes de ação como a Economia Popular Solidária, a saúde, ter um trabalho de comunicação popular, o presidente saindo mais e falando direto com o povo, usando os espaços culturais, sabendo que só a luta no território não será suficiente.”
“6. Importante lembrar que sozinhos não ganharemos a eleição. Muita gente, oportunista, à luz das pesquisas, não vem conosco. Esta é uma eleição diferente, onde não basta eleger o presidente. Tem que haver mudanças também no Parlamento, com pautas sociais amplas, onde o tema do fim da escala 6×1, por exemplo, é central, junto com a regulamentação do trabalho em aplicativos. Há uma revolução cultural em curso.”
Disse finalmente Gilberto Carvalho: “É preciso construir sonhos, levar esperança ao povo. E perguntar: qual é o novo para as Juventudes, em tempos de IA, Inteligência Artificial? É preciso compreender este mundo, fazendo um mutirão de pensamento. Quem dá sustentabilidade ao governo é o povo organizado, com a presença dos agentes populares na área da saúde, da ECOSOL, da Cultura, da igualdade racial, da alfabetização de jovens e adultos com a EJA, e assim por diante. É preciso entrosar esse povo lá em baixo. Os agentes deem ser da comunicação e da transformação. É preciso ter e pôr fé no trabalho dos agentes populares. O México, por exemplo, tem 30 mil agentes populares.”
Esta é a eleição das nossas vidas, disse Gilberto, com a concordância de todas e todos as-os participantes que ouviram e ajudaram a construir coletiva e solidariamente sua análise de conjuntura.
2026 não é qualquer ano. A eleição de 2026 não é qualquer eleição. Assim como não foi qualquer eleição a de 1989, a primeira eleição direta para presidente depois de décadas de ditatura militar, e a de 2002, depois de governos neoliberais e social-democratas.
Nos anos 2000, o Brasil voltou a ser presença reconhecida no mundo, como tinha sido nos anos 1950 e no início dos anos 1960. Nos anos 2000, o Brasil saiu do Mapa da Fome pela primeira vez na história, e tornou-se um país com democracia e participação social e popular e uma nação com soberania. No intervalo neofascista, o Brasil voltou ao Mapa da Fome, de onde já saiu de novo, voltando a ser voz e presença reconhecidas no mundo.
Impossível pensar num retrocesso, em tempos de guerra, de crise climática, de violência por todos os lados, de ameaças à democracia. As eleições de outubro de 2026 são decisivas para o futuro do Brasil e para o futuro do seu povo, com direitos, igualdade, justiça social, soberania e democracia.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

