“Matar a fome, sim, em primeiro lugar. Saciar, junto, e sempre, a sede de beleza.”
Eram a frase e as palavras de Frei Betto em 2003 para a equipe de educadoras e educadores populares do TALHER, encarregadas-os da mobilização social e popular do Programa Fome Zero, e para a equipe do MESA, Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar, e para os integrantes dos COPOs, Comitês Operativos do Fome Zero, para os PRATOs, Programa Todos pela Fome Zero, e para os Agentes de Segurança Alimentar, o SAL.
“O Programa Fome Zero, mais que qualquer outro programa ou ação, sinaliza, expressa e torna efetivo e concreto o compromisso da transformação social profunda e radical, da busca e luta na construção de uma nova sociedade, com inclusão de todas e todos, com cidadania, com direitos iguais, onde tanto a fome de pão quanto a de beleza, como sempre lembra Frei Betto, estejam integralmente saciados” (Selvino Heck, em ´Sentido ético-político e transformação social´, FOME ZERO, Textos Fundamentais, Ed. Garamond, p. 102).
Na sempre inspiração de Paul Singer, “a educação para a Economia Solidária é um grande desafio, em especial para os empreendimentos econômicos solidários. Seu intenso crescimento nos últimos anos exige respostas adequadas e permanentes às aus necessidades de formação e assistência técnica. As-os trabalhadoras-es da Economia Solidária se deparam no cotidiano com exigências cada vez mais complexas relativas aos processos de autogestão de suas atividades coletivas, bem como da necessária busca da eficiência e viabilização das atividades econômicas que realizam. Para isso, faz-se fundamental combinar processos educativos integrados com as oportunidades de elevação de escolaridade e outras iniciativas que contribuam para a formação política cidadã. Igualmente é necessário que a educação contribua para o fortalecimento da economia solidária enquanto uma prática social transformadora e emancipatória” (Secretaria nacional de Economia Solidária, Conselho Nacional de Economia Solidária, Diretrizes Políticas Metodológicas para Educação em Economia Solidária, Recomendação nº 8, 04.07.2012, p. 5).

“A Educação Popular em Saúde pressupõe o conhecimento como produção histórico-cultural dos sujeitos construídos a partir do diálogo. O diálogo pressupõe o amor ao mundo e as pessoas, a crença na natureza de ser mais do ser humano, a esperança e o reconhecimento das diferenças sem negá-las. Os saberes populares se configuram como um processo de criação e aprimoramento de caminhos para um fazer em saúde capaz de reconhecer o ser humano em sua totalidade, comprometida com a transformação da sociedade, o enfrentamento das iniquidades e com a emancipação dos sujeitos” (Selvino Heck e Pedro Pontual, em PÉ DENTRO, PÉ FORA: a experiência brasileira, revista La Piragua, do CEAAL, Agosto/2012, pp. 95-96).
“A PNEPS-SUS, Política Nacional de Educação Popular em Saúde, foi criada em 2013 a partir da caminhada histórica dos movimentos sociais junto às pessoas das comunidades, dos serviços de saúde, da gestão e do setor acadêmico para pensar formas dialogadas e participativas de conduzir processos educativos, assim como debates: QUAL O SUS QUE QUEREMOS?”
A PNEPS-SUS construiu outros frutos e avanços: “Este Marco de Referência da Educação Popular para as Políticas Públicas reflete um novo momento na valorização das práticas que acontecem dentro e fora do Governo federal. Seu propósito é criar um conjunto de elementos que permita a identificação de práticas de Educação Popular nos processos das políticas públicas, estimulando a construção de políticas emancipatórias. Para sua concretização, coloca-se um desafio para todos os setores governamentais e da sociedade civil: torna-lo conhecido e assimilado entre todos os sujeitos e agentes que promovem ações educativas em diferentes frentes e campos de atuação e em todas as políticas públicas” (Gilberto Carvalho, Ministro-Chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Caderno do Marco de Referência, p. 6, 2014).
O Marco de Referência foi atualizado em 2025. “O documento que lançamos agora pretende ser um instrumento para levar a contribuição da educação popular para a democratização das políticas públicas, para o fortalecimento dos processos de participação social e da democracia participativa. Sua edição e lançamento constituem uma síntese dos debates até aqui e esperamos que sua utilização multiplique as contribuições no sentido de que a educação popular esteja sempre buscando responder às exigências do nosso tempo histórico na direção da construção de uma sociedade economicamente igualitária, socialmente justa, ambientalmente sustentável, promotora dos direitos humanos e radicalmente democrática” (Renato Simões, Pedro de Carvalho Pontual, Marco de Referência da Educação Popular para as Políticas Públicas, julho de 2025, p. 7).
Hoje, 2026, as siglas são PNEPS-SUS, Política Nacional de Educação Popular em Saúde-Sistema Único de Saúde, AGPOPSUS, Agentes Populares de Saúde, EDPOPSUS, Educadores Populares em Saúde, EDPOPRUA-SUS, Territórios Vivos e a Especialização em Educação Popular em Saúde.
“A posse do CNEPS, Comitê Nacional de Educação Popular em Saúde, ocorreu em setembro de 2025, reunindo representantes governamentais e de movimentos sociais e populares. Instituído pela Portaria GM/MS nº 6.321/2024, o CNEPS reafirma o compromisso com a participação social, ao passo que fortalece a implementação da PNEPS-SUS e qualifica a gestão participativa no âmbito do SUS. Assim, 2026 é estratégico para o fortalecimento das PNEPS-SUS, que, aos 13 anos, reafirma sua origem nos movimentos sociais e populares e o compromisso com a defesa do SUS” (Boletim Informativo, Coordenação Geral de Educação Popular em Saúde, ´Retomada e Ação’).
Os tempos estão tri difíceis, todas e todos sabemos. Mas há luz no fim do túnel em 2026, como lá atrás, há 25 anos, início dos anos 2000. O Fome Zero então juntava todo mundo. Tanto que em 2014 o Brasil, pela primeira vez na história, saiu do Mapa da Fome, segundo organismos da ONU.
Agora, com os Programas de Direito à Saúde e outros tantos programas, não haverá de ser diferente. A sede de beleza está sendo saciada todos os dias com a participação de milhares de militantes, sonhadoras e sonhadores em todo Brasil. E serão milhões logo em seguida, assim como foram milhões engajados no Fome Zero.
O direito à saúde, via PNEPS-SUS, Sistema Único de Saúde que completou 35 anos em 2025, acompanhado pelas políticas e programas de ECOSOL, de agroecologia, de direitos humanos, das mulheres, das juventudes, do povo negro, indígena, LGBTQIA+, e outras muitas mais, haverá de ser, ou já está sendo, o esperançar, a construção da Sociedade do BEM Viver, a utopia presente e viva.
Nos tempos atuais, mais de duas décadas depois, a mobilização do Fome Zero está viva através da PNEPS-SUS. A sede de beleza está sendo saciada com participação social e popular.
* Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

